O “milagre económico” de Portugal, uma tentativa de transformação

1 / Como está a economia portuguesa?

Forte recuperação da economia portuguesa. A afirmação foi feita pelo primeiro-ministro português cessante, o socialista António Costa, durante a sua campanha eleitoral para as eleições legislativas a realizar no domingo, 6 de outubro. Portugal estava até agora à beira da falência em 2011, o que o levou a solicitar um empréstimo de € 78 bilhões a ser pago pela União Europeia e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

O crescimento, que se recuperou timidamente desde 2013, não parou de aumentar desde então, atingindo 3,5% em 2017 e 2,4% em 2018, o nível mais alto desde 2000. O desemprego diminuiu de mais de 17% em 2014 para 6,4% hoje. O déficit público está prestes a desaparecer, para 0,2% do PIB, algo sem precedentes desde o surgimento da democracia em 1974.

A dívida pública continua elevada, a 122% do PIB, mas começa a diminuir – aproximava-se dos 140% do PIB no auge da crise, uma das mais elevadas da União Europeia. “Este contexto excepcional é o sonho de qualquer governo”.Resume o economista português João Duque.

2 / Quais são as receitas para esse sucesso?

Quando chegou ao poder em 2015, o socialista Antonio Costa prometeu aos seus aliados radicais de esquerda que Virando a página sobre austeridade, Respeitando a recuperação de contas públicas solicitada pela União Europeia. O poder de compra das famílias foi impulsionado pelo aumento gradual do salário mínimo, dos salários dos funcionários públicos e das pensões, que sofreram cortes severos durante a crise. Ações que permitiram às famílias portuguesas aumentar o consumo e apoiar a economia local.

As exportações possibilitadas pela recuperação do sector também apoiaram a recuperação, ao mesmo tempo que Portugal acolheu um número crescente de empresas estrangeiras “Achei interessante morar em Portugal, colocar ativos lá, investir lá. Acho que vai continuar.”Analisa Daniel Traasa, da University of Nova College of Business and Economics.

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O governo cessante também se beneficiou das medidas tomadas por seus antecessores. Desde 2011, Portugal abriu os braços à capital chinesa para resgatar vários dos seus principais navios. Os grupos chineses tornaram-se assim os principais acionistas da Energias de Portugal, a operadora da rede elétrica REN, o primeiro banco privado (BCP) ou a principal seguradora (Fidelidade). No total, Lisboa estima o investimento de empresas ou cidadãos chineses em 10 mil milhões de euros.

Portugal também conseguiu atrair milhares de aposentados europeus, o que por vezes lhe rendeu um título Flórida da Europa. Em 2009, no auge da crise financeira, o estado concedeu-lhes isenção do imposto de renda por dez anos, e cerca de 10.000 aposentados estabeleceram residência fiscal no país, de acordo com as últimas estatísticas disponíveis (2017)

A expansão do turismo, que se beneficiou particularmente da instabilidade política associada à Primavera Árabe, também contribuiu muito para esse milagre econômico.

3 / Quais são os novos desafios econômicos?

O novo governo que sairá das urnas – o favorito de Antonio Costa – terá muitos desafios a serem superados. No lado da família primeiro, “As pessoas sempre têm dificuldade em fazer face às despesas.”Apesar da evidente melhoria, Liliana Inferno, que estuda na Universidade de Coimbra, confirma. Refere-se em particular ao aumento dos preços imobiliários – um efeito prejudicial do boom do turismo e do arrendamento turístico mobiliado (Airbnb …) mas também à chegada de reformados europeus, que contribuíram para o aumento dos preços.

As expectativas criadas pelo governo socialista também decepcionaram alguns grupos profissionais, causando uma série de greves no serviço público no inverno de 2019.

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Portugal enfrenta também um desafio demográfico, com uma população em envelhecimento que viu 500 mil cidadãos abandonarem durante a crise, incentivada pelo governo na altura. Hoje, as autoridades estão tentando trazê-los de volta ao país – em face da escassez de mão de obra. De acordo com estimativas oficiais, cerca de dois terços já retornaram.

O primeiro-ministro cessante, Antonio Costa, continua a se felicitar pelo fato de que, em 2017, ‘A migração líquida foi positiva pela primeira vez desde a crise’“Um sinal da boa saúde econômica do país”, afirmou. Segundo dados da OCDE, o número de imigrantes a viver em Portugal aumentou 21% em 2017.

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