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Entrevistas

Nuno Mangas | Presidente do Instituto Politécnico de Leiria

«Continuamos a apostar forte no ensino pós-laboral»

Célia Marques e Tiago Oliveira

Há quase um ano à frente dos destinos do IPL, Nuno Mangas mantém forte aposta na internacionalização do Instituto e na qualificação do corpo docente. E deixa uma mensagem de abertura total para colaborar com as empresas na formação dos seus activos e actividades de I&D. Em preparação está a Formação para Empresários, a ministrar em parceria com as associações empresariais locais.

Uma das linhas orientadoras do seu mandato visava aumentar a empregabilidade dos alunos do IPL. Que avanços têm sido feitos na l
Nesse domínio temos duas vertentes: por um lado a promoção de estágios – existe um conjunto de cursos que têm estágio curricular – e por outro uma bolsa de emprego bastante activa, que faz a ligação entre os estudantes, ou ex-estudantes, e as empresas. Neste último domínio procuramos ter uma postura pró-activa, quer junto dos estudantes finalistas, quer das empresas. Temos feito também algum trabalho específico junto de alguns cursos – no sentido de promover e divulgar este serviço – e incentivado os alunos a prepararem-se bem para uma candidatura a emprego, quer ao nível da Bolsa de Emprego, quer ao nível do Serviço de Apoio ao Estudante. Divulgamos também oportunidades de estágios profissionais, na Administração Pública, ou em empresas. O objectivo de todas estas acções é ajudar os nossos estudantes a encontrar o seu emprego. Numa outra perspectiva, somos associados da incubadora D. Dinis e da OPEN e temos vindo a desenvolver um conjunto de acções na área do empreendedorismo numa óptica da criação de próprio emprego, em função dos trabalhos de final de curso e dos projectos dos alunos.

Qual é neste momento a taxa de empregabilidade dos alunos do IPL?
Varia de curso para curso, mas rondará os 95% a 96% no conjunto do IPL.

A nível de iniciativas na incubadora D. Dinis, qual é o balanço dos projectos empresariais?
Quando a incubadora D. Dinis começou, transitaram quatro ou cinco empresas que já estavam criadas, ou em vias de criação, no IPL. Hoje, a IDD terá cerca de uma dúzia de empresas e sei que há um conjunto de boas ideias que estão neste momento a germinar e em preparação para avançar para o mercado. Nós aqui temos o papel de impulsionadores, procuramos ajudar e apontar caminhos, mas o desfecho tem muito a ver com a dinâmica e iniciativa dos próprios estudantes e, claro, com a qualidade dos projectos. Mas posso dizer que têm surgido muito boas ideias que apoiamos e que não vão para a incubadora porque os alunos optam por criar as suas empresas em espaços que não são de incubação.

No que respeita à internacionalização e à mobilidade académica, que progressos foram feitos neste último ano e o que está previs
Aumentámos o número de estudantes estrangeiros que recebemos e que enviamos, estabelecemos novas parcerias e fizemos, este ano, uma divulgação junto dos nossos estudantes, de forma mais incisiva, procurando sensibilizá-los e motivá-los no sentido de fizerem períodos de estudo no estrangeiro. Fortalecemos também as ligações que temos com o Politécnico de Macau e a Universidade de Línguas e Cultura de Pequim, no âmbito do curso de tradução de português-chines/chinês-português, que funciona na ESECS. Estamos também a apoiar a criação do curso de Marketing em Moçambique, e com projectos na área da educação em São Tomé e Príncipe e na Guiné. Temos ainda um projecto aprovado em Timor e continuamos com actividades em Cabo Verde. Tivemos mais procura de pessoas para vir estudar para o IPL do que alunos nossos a quererem sair, e por isso apostámos muito no incentivo aos nossos estudantes para irem estudar para fora. Ao nível da investigação, estamos a procurar cativar investigadores estrangeiros para que venham trabalhar no CDRsp (Centro para o Desenvolvimento Rápido e Sustentado de Produto), o que deverá acontecer nos próximos meses. Estamos ainda a trabalhar na elaboração de propostas de mestrados em conjunto com universidades estrangeiras.

Passagem a fundação é assunto que «vale a pena estudar»

Um dos seus objectivos era também transformar o IPL numa Fundação. Qual é o ponto de situação?
Não se registaram grandes avanços nessa matéria, até porque entretanto houve o período de eleições. Vamos ver como tudo isto evolui em termos da situação económico-financeira do país e também das orientações políticas. Mas penso que é um assunto que vale a pena estudar, para perceber se esse é o melhor caminho, ou não.

Afirmou numa entrevista que «começavam a estar reunidas condições para ter uma instituição com todas as competências de uma univ
Estava a falar ao nível da qualificação do pessoal docente – neste momento temos um programa muito ambicioso, que já desenvolvemos desde 2006, de qualificação do corpo docente do Instituto – e do desenvolvimento de actividades de Investigação & Desenvolvimento e formação no seio do Instituto. Há um conjunto de requisitos que são exigidos para a leccionação de cursos do terceiro ciclo (doutoramentos), que neste momento só podem ser feitos por instituições de natureza universitária. Para além da questão financeira, o que é importante é termos a capacidade de, ao nível da região de Leiria, dar todos os graus de ensino superior e ter actividades de qualidade ao nível da Investigação & Desenvolvimento. Primeiro temos de mostrar que temos essas competências e depois cá estaremos.

Depois de reunidas essas condições, a passagem a universidade seria relativamente fácil?
Depende da conjuntura política e da realidade do momento. Mas estou convicto que é uma questão de tempo.

Referiu a aposta na qualificação do pessoal docente. Que avanços têm sido feitos nesse sentido e qual o número de docentes com g
Começámos com este plano em 2006 e estamos numa fase final, em que todas as semanas temos docentes a doutorar-se. Em três anos, mais que duplicámos o número de doutores e no espaço de um ano poderemos duplicar novamente. Temos cerca de 160 doutores e até final do ano ultrapassamos os 200. O nosso objectivo é chegar a pelo menos metade do corpo docente com o grau de doutor, o que representa cerca de 350 docentes. Em finais de 2009 tínhamos cerca de 370 docentes a fazer doutoramento, portanto estou em crer que atingiremos essa meta com relativa facilidade.

Sintetizando, aponte as duas principais medidas até agora concretizadas, ou as principais conquistas?
Destacaria a aprovação do Plano Estratégico de médio prazo do Instituto. Foi um trabalho que iniciei logo que tomei posse, muito participado por todas as escolas e aprovado em Conselho Geral, em Abril. É um documento estruturante e fundamental para a nossa actividade, uma vez que nos dá a visão daquilo que queremos ser em 2014. Destacaria ainda, de um ponto de vista mais administrativo, a entrada em funcionamento da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior, à qual tivemos de submeter todos os nossos cursos. Foi um grande desafio, que envolveu quase 90 processos de acreditação, e posso dizer que recebemos recentemente as primeiras decisões da Agência no sentido de acreditar quatro novos mestrados. É um resultado positivo que nos vai permitir alargar a oferta de formação pós-graduada. Depois, destacaria a quantidade de projectos e parcerias que temos ao nível internacional e, ao nível da Investigação & Desenvolvimento, a criação de novas unidades de investigação em diferentes domínios do saber. No que toca a condições para os estudantes, está concluída a cantina residência em Peniche e a segunda fase do edifício 2 também em Peniche. Estamos ainda com obras de requalificação em dois edifícios da Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha e está em fase de conclusão um bloco de salas de aula na ESECS. Continuamos a dar passos no sentido de criar as melhores condições para os nossos estudantes. É evidente que algumas destas acções já vinham a ser desenvolvidas anteriormente.

Formação para empresários em parceria com associações empresariais

O IPL tem disponibilizado formação ao longo da vida, para pessoas já inseridas no mercado de trabalho, de que são exemplo os M23
Temos em preparação novos CET e vamos ter mais mestrados e pós-graduações. Incrementámos o número de candidatos através das provas M23. Continuamos a apostar forte no ensino pós -aboral, com oferta de cursos pós-laborais em praticamente todas as escolas do IPL, ao nível das licenciaturas, e com os mestrados a funcionarem todos em regime pós-laboral. Existe uma grande preocupação em permitir que as pessoas continuem a estudar. Cerca de 80% dos CET funcionam também em regime pós-laboral, tal como um curso preparatório para as provas M23 e os M23 e um conjunto de pós-graduações. Estamos também, fruto de uma nova iniciativa – a Formação para Empresários – a estabelecer parcerias com as associações empresariais como a Associação Empresarial Ourém/Fátima, a NERLEI, a AIRO e a Associação Comercial de Pombal, para promovermos conjuntamente aquela formação, sendo que os empresários poderão creditar parte dessa formação num curso superior do Instituto, desde que seja numa área similar.

Que novas áreas do conhecimento prevê introduzir no IPL e quais os critérios se selecção?
Vamos iniciar no próximo ano lectivo duas novas licenciaturas: Engenharia de Redes e Sistemas de Comunicação e Dietética. A primeira, porque existe bastante procura por parte do mercado de trabalho a nível regional e nacional e na Escola Superior de Tecnologia e Gestão dispomos das competências necessárias. A segunda porque as questões relacionadas com os hábitos alimentares e a obesidade são temáticas na ordem do dia, sendo uma oferta que não existe na região e que estava prevista no desenvolvimento da Escola Superior de Saúde.

O IPL quase liderava o registo de patentes no ensino superior em Portugal na primeira metade do ano. Até que ponto estas invençõ
Submetemos 35 pedidos de patentes entre 2009 e 2010. O registo de patentes mostra que há investigação, bons projectos a germinar no Instituto e nós entendemos que devemos ter uma política activa no registo dessas ideias, marcas e patentes. Mas o grande desafio é que estes projectos passem para as empresas, para a parte de produção, e por isso criámos, na última revisão estatutária, o Centro de Transferência e Valorização do Conhecimento, que tem por missão garantir a propriedade, o registo das patentes, e depois a sua valorização e comercialização. Posso dizer que uma das patentes mais interessantes que temos neste momento é internacional, na área dos recursos marinhos.

«Somos das instituições do ensino superior com mais vales aprovados»

Há receptividade das empresas no sentido de avançar com estes projectos?
Eu diria que sim, mas temos um tecido empresarial muito diversificado e nem todas têm actividades que se coadunam com isso. Temos projectos e prestações de serviços especializadas em torno dos Vales de I&DT e Vales de Inovação com empresas de todo o País, embora com mais incidência na nossa região, e somos das instituições do ensino superior com mais vales aprovados em diferentes áreas do saber. Identificamos problemas, áreas onde as empresas têm interesse em crescer, ou inovar, e desenvolvemo-las com as nossas actividades de I&D, sempre no domínio tecnológico e nas nossas áreas de intervenção. Temos tido uma procura crescente neste domínio e esse é o grande desafio, maior ainda que o registo de patentes. Para além destes vales e prestações de serviços, temos ainda um conjunto grande de projectos feitos em co-produção com as empresas, em novas áreas que pretendem desenvolver. O grande desafio é estender isto a mais áreas de conhecimento e chegar a mais empresas.

O que podem a região e os empresários esperar do IPL até final do seu mandato?
Podem esperar um IPL com mais actividades de Investigação & Desenvolvimento e de ligação às empresas, com muito mais actividades de internacionalização, maior número de actividades de pós-graduação e formação ao longo da vida e com melhores condições logísticas de apoio aos estudantes. Estes são aspectos fulcrais. Na ligação à comunidade, pretendemos criar um observatório de desenvolvimento estratégico, para dar um contributo válido para que a região seja mais competitiva e mais dinâmica, com maior presença no todo nacional.

Uma palavra final aos empresários. O que gostaria de lhes dizer?
Deixaria uma mensagem de abertura total do Instituto para colaborar com o tecido empresarial e com os empresários. Depois, uma mensagem de reafirmação da importância da formação e qualificação das pessoas e da nossa disponibilidade total para colaborar com o tecido empresarial aos diferentes níveis, mas em particular na qualificação dos activos e no desenvolvimento de projectos que vão ao encontro das necessidades de todo o tecido empresarial.

REDACÇÃO | Célia Marques cmarques@leiriaeconomica.com

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