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Empresas

Exportações recuam 10% e lucros quase 100%

Célia Marques
(Artigo publicado na revista Leiria Global, publicada pelo Jornal de Leiria em Setembro de 2010)

O Jornal de Leiria apresenta, pelo quarto ano consecutivo, as 50 maiores exportadoras do distrito de Leiria. Em 2009, estas empresas exportaram menos 10% face ao ano anterior. A grande surpresa está na abrupta queda dos lucros.

Fonte: Informa D&B, valores em Euros

Em ano de conjuntura difícil, uma descida nas vendas e exportações do conjunto das empresas que mais vendem para o mercado externo não seria de estranhar. E foi o que se verificou. As 50 maiores exportadoras do distrito de Leiria venderam ao exterior 555 milhões de euros, o que representa uma descida de 10% face ao ano anterior, em linha com o recuo verificado nos concelhos do Pinhal Litoral (Leiria, Marinha Grande, Batalha, Pombal e Porto de Mós), segundo dados do INE. Quanto às vendas, recuaram 6%, para 1,13 mil milhões de euros.

Mas a grande surpresa está na variação dos lucros destas empresas, que passaram de um total de 448 milhões de euros em 2008, para apenas cerca de 12 milhões em 2009, reflectindo não só perda de mercado, como o aumento dos custos financeiros e o estreitamento das margens.

Uma descida de quase 100% nos lucros das 50 maiores exportadoras merece uma análise mais detalhada, com enfoque na performance do grupo das cinco empresas que mais lucros apresentavam em 2008.

Entre elas contavam-se a Lena Engenharia e Construções, cujo lucro passou de 92 milhões de euros em 2008, para cerca de dois milhões em 2009, apesar de uma descida de vendas de apenas 5% e da manutenção das exportações em torno dos 60 milhões de euros, valor que lhe garante a manutenção do primeiro lugar no ranking.

Já a Roca viu o seu lucro cair de 91 milhões de euros para 900 mil euros, tendo assistido a uma quebra de vendas na ordem dos 24% e de exportações na casa dos 19%. No sector primário, a Sociedade Agrícola da Quinta da Freiria lucrou apenas 1,4 milhões de euros em 2009, face aos 26 milhões de euros que havia registado em 2008, para uma descida de vendas na ordem dos 19%, e subida das exportações de cerca de 10%.

A quarta empresa que mais lucro registou em 2008 foi a Iber-Oleff, ao registar 19 milhões de euros que este ano caíram para um milhão, em paralelo com uma descida de vendas de 10% e de exportações na ordem dos 37%. Em quinto lugar surgia a Schaeffler, que em 2008 lucrou 16 milhões de euros, e em 2009 apenas 4.000 euros, apresentando uma quebra de vendas na ordem dos 30%.

Este conjunto de cinco empresas, que em 2008 havia sido responsável por lucros de 244 milhões de euros, em 2009 somou apenas 5,5 milhões de euros de lucro, tendo assistido a uma descida de vendas na ordem dos 7% e de exportações na ordem dos 16%.

Face à acentuada descida de lucro destas empresas, em 2009 a Respol e Raimundo & Maia (ambas com três milhões de euros), subiram ao topo do grupo das mais lucrativas, seguidas do Grupo Lena e da Cabopol (com cerca de dois milhões de euros cada) e da Moviter (com 1,5 milhões de euros), o que perfaz um total de 11,5 milhões, muito aquém dos 244 milhões de euros de lucro gerados pelo top 5 do ano anterior.

Respol sobe ao segundo lugar

Passando à análise do grupo das cinco maiores exportadoras, verifica-se que o Grupo Lena mantém o lugar cimeiro, com exportações de 60 milhões de euros (face a 62 milhões em 2008), seguido da Respol, com 30 milhões de euros, empresa que no ano anterior ocupava o quinto lugar, com idêntico valor. Na terceira posição surge a Crisal, que manteve vendas ao exterior na ordem dos 29 milhões de euros, um valor que lhe permitiu passar à frente da Roca, que desce ao quarto lugar, com exportações de 29 milhões de euros, face aos 36 milhões registados em 2008. O quinto lugar é ocupado pela Metalmarinha, cujas exportações subiram de 16 para 26 milhões de euros entre 2008 e 2009.

As cinco maiores exportadoras deste ano são responsáveis por exportações de 175 milhões de euros (face aos 205 milhões de euros do top 5 de 2008), vendas de 363 milhões de euros (face aos 381 milhões de euros do top 5 de 2008) e lucros de cinco milhões de euros (face aos 208 milhões de euros do top 5 de 2008).

Tanto a Bollinghaus como a Schaeffler (que ocupavam o segundo e quarto lugares, respectivamente, entre as cinco maiores exportadoras de 2008), abandonaram o top: a primeira viu descer as suas exportações de 40 para 15 milhões de euros e a segunda de 36 para 24 milhões de euros.

Moldes perdem liderança para plásticos

Agrupando as empresas do ranking por secções, constata-se que a liderança, em volume de exportações, passou a pertencer ao sector do plástico, com 126 milhões de euros de exportações (107 milhões de euros em 2008), ou seja 23% das exportações totais das 50 empresas. O segundo lugar passou a ser ocupado pela actividade grossista, com 102 milhões de euros, face aos 87 milhões de euros de vendas às exteriores registadas em 2008.

Logo de seguida surge a cerâmica e o vidro, com 73 milhões de euros (85 milhões de euros de exportações em 2008), e em quarto lugar o sector da construção, onde duas empresas vendem ao exterior 64 milhões de euros (face a 62 milhões de euros em 2008).

O sector de moldes, que assumia a liderança em 2008, passou a ocupar o quinto lugar, com exportações de 54 milhões de euros (10% do total do ranking), face aos 143 milhões de euros movimentados em 2008.
Cerca de 70% (60% em 2008) das empresas da listagem pertencem à indústria transformadora e são responsáveis por 66% das exportações totais, em linha com a proporção do ano anterior.

A actividade grossista reúne nove empresas (mais uma que em 2008) e 18% das exportações (14% em 2008), enquanto os serviços estão representados apenas por três empresas (cinco em 2008) contribuindo para 3% das exportações (10% em 2008), e a construção civil conta com duas empresas (uma em 2008) e 12% das exportações (10% em 2008).

Quanto à empregabilidade, as 50 maiores exportadoras dão trabalho a 7502 pessoas, numa ligeira subida face às 7485 pessoas que empregavam em 2008.

Alcobaça ultrapassa Batalha

Em 2009 o concelho de Leiria continuou a destacar-se, com 16 empresas e 41% das exportações (15 empresas e 37% em 2008), seguido da Marinha Grande, com 12 empresas e 23% das exportações (12 empresas e 25% das exportações em 2008), Caldas da Rainha, com três empresas e 9% das exportações (três empresas e 10% das exportações em 2008) e Pombal, com cinco empresas e 8% das exportações (seis empresas e 9,4% das exportações em 2008). O concelho de Alcobaça retirou a vez ao da Batalha, ao surgir em quinto lugar, com cinco empresas e 7% das exportações, passando a Batalha a registar quatro empresas e 5% das exportações (três empresas e 5% das exportações em 2008).

Segundo os valores das exportações cedidos pelo INE, continua a evidenciar-se a performance da Batalha onde apenas quatro empresas (Derone, Matcerâmica, Simplastic e Tracto-Lena) foram responsáveis por 60% das exportações do concelho. Na Marinha Grande, as 12 empresas do ranking contribuíram para 42% do total exportado pelo concelho (face aos 50% de 2008), enquanto as 16 empresas de Leiria foram responsáveis por 81% das exportações do concelho (73% em 2008). As cinco empresas de Pombal que integram o ranking (mais uma que em 2008) continuam a assegurar metade das exportações daquele concelho.

Nota metodológica

A listagem das 50 Maiores Exportadoras do Distrito de Leiria foi construída pela Informa D&B, a part

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