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Actualidade

Vítor Bento, em Leiria: crise resultou do confronto entre rigor e laxismo

Célia Marques

Esta crise, «a mais dramática de sempre, e que põe em causa a própria Zona Euro», é resultado do confronto entre «dois tipos de preferências sociais»: o rigor e a disciplina, por um lado, e o hedonismo e o deixa andar, por outro.

Foi assim que o economista Vítor Bento, que esteve a semana passada em Leiria, a convite do Jornal de Leiria, no âmbito da comemoração dos 20 anos da revista 250 Maiores Empresas, explicou a origem da actual crise, referindo-se à convivência, na Zona Euro, de países tradicionalmente mais rigorosos, como a Alemanha, e outros com um histórico de política económica e monetária mais laxista, como Portugal, Espanha, Itália, Irlanda e Grécia.

Segundo Vítor Bento, indicadores como a inflação média nos últimos 30 anos antes de entrar na moeda única, e a desvalorização da moeda também nesse período, deixavam já antever dificuldades para este grupo de países, cuja forma de estar esteve sempre mais preocupada com o curto prazo.

«O confronto entre países de preferência social pelo rigor e países de preferência social mais hedonista sempre gerou tensões, que se reflectiam em choques cambiais. O que aconteceu é que, com a entrada no Euro, essas duas funções de preferência social não convergiram e eliminou-se a válvula de escape para aliviar as tensões [a política cambial]. E por isso existe agora o perigo de explosão», explicou o economista, perante uma plateia de empresários.

Vítor Bento lembrou que os países de maior tensão inflacionista mantiveram a inércia, com a agravante de terem sido ainda alimentados pelo choque da redução das taxas de juro. «Tivemos o azar da entrada no Euro ter coincidido com o período de maior liquidez no mundo e taxas de juro baixas, que amorteceram o conflito entre preferenciais sociais», reforçou.

Para além disso, adiantou, o sector de bens transaccionáveis [exportáveis] sofreu um aperto concorrencial, que o de bens não transaccionáveis não sentiu, o que se reflectiu numa subida de preços e de salários na economia não transaccionável, que não foi alimentada pelo correspondente aumento de produtividade.

«O aumento das margens no sector não transacionável levou a uma deslocação dos recursos para o mesmo, ainda que não fosse o mais produtivo, com a agravante de ser o que importa e gera défice externo, sem capacidade de o suprir», adiantou, explicando o motivo pelo qual «se reduziu o potencial de crescimento da economia e aumentou o défice externo».

Para Vítor Bento, a solução passa agora por atacar o problema da competitividade, que a médio prazo só se consegue com o aumento da produtividade.

«Não há maneira de sair desta crise sem baixar 10% o nosso nível de vida, de forma gradual, senão a descida será brutal, e quando deixarem de nos emprestar dinheiro», afirmou, salientando que «é preciso escolher se queremos fazer um ajuste pelo rendimento, ou pelo emprego», e lembrando que o País atravessa o maior nível de desemprego desde o 25 de Abril.

«Temos o risco de não voltarmos a ser prósperos e de entrarmos na senda do empobrecimento relativo, que nos transforme nos Trás-os-Montes da Europa», profetizou, lembrando que os mecanismos de ajuste são a emigração e as transferências fiscais, dois instrumentos que «desnatam» a economia.

Amado da Silva, economista e presidente da Anacom, também presente no jantar-conferência, fez uma breve intervenção, sugerindo apenas que «quem gastou a mais, corte», mas que «quem poupou e gastou conscientemente, continue a investir, evitando poupar de mais», sob pena de colocar em perigo postos de trabalho, por via da redução do consumo.

«Não é a macroeconomia que nos vai resolver o problema, mas o comportamento de todos, e cada um de nós», afirmou.

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