Javascript desactivado

Para completa funcionalidade deste site é necessário activar o JavaScript. Aqui estão as instruções de como activar o JavaScript no seu navegador.

Actualidade

Pinhal Litoral: saldo comercial melhora pelo pior motivo

Célia Marques
(Artigo publicado na revista Leiria Global, publicada pelo Jornal de Leiria em Setembro de 2010)

A balança comercial do Pinhal Litoral registou, em 2009, o melhor saldo dos últimos vinte anos. A justificar o excedente de 108 milhões de euros está a queda de 20% nas importações, uma vez que as exportações evidenciam a maior descida das últimas duas décadas.

Nas últimas duas décadas, o Pinhal Litoral (que integra os concelhos de Leiria, Pombal, Batalha, Porto de Mós e Marinha Grande) tem registo de apenas quatro anos em que as exportações superaram as importações, gerando um saldo positivo nas suas relações comerciais com o exterior.

O primeiro ano de excedente comercial foi 1993 (com sete milhões de euros), o segundo foi 2005 (com 16 milhões de euros), seguindo-se 2008 (com 13 milhões de euros) e 2009, com um saldo positivo de 108 milhões de euros.

A justificar a melhoria de saldo registada em 2009 está o facto de as importações terem descido 20%, para 668 milhões de euros, uma vez que também as exportações estiveram em queda, desta feita de 9%, para 776 milhões de euros, sendo que tanto as importações, como as exportações, registaram as maiores quedas dos últimos vinte anos.

As estatísticas fornecidas pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) revelam um ano particularmente difícil para as empresas exportadoras, que consequentemente terão importado também menos meios de produção, como máquinas, equipamentos, matérias-primas e subsidiárias – no caso da indústria – e menos produtos para revenda, no caso das empresas que fazem intermediação comercial, dedicando-se à importação e exportação intra-sectorial.

Mais do que em produtos de consumo final, as maiores quedas a nível de importações verificam-se nas secções de plástico, borracha e suas obras (-27%), metais comuns e suas obras (-42%), máquinas e aparelhos (-25%), material de transporte (-25%) e pedra cerâmica e vidro (-37%). Destaque para o facto de apenas três secções – plástico, metais e máquinas – terem sido responsáveis por um recuo de 150 milhões de euros nas importações, ou seja 78% da descida total.

Mais uma vez, no que toca a exportações, o Pinhal Litoral superou o panorama nacional, ao registar uma descida de apenas 9%, face a uma queda de 17% no total do país.

Saldo comercial mais favorável em todos concelhos

Dos concelhos em análise, apenas o de Leiria mantém o tradicional saldo negativo, embora com uma melhoria de 33% face ao ano anterior, para os 137 milhões de euros, resultado de uma queda de 18% nas importações, face a uma descida de 8% nas exportações.

O concelho da Batalha, que apresentava uma situação deficitária em 2008, regressou em 2009 ao excedente comercial dos anos anteriores, desta feita para os 851 mil euros positivos, também ajudado pela quebra nas importações, na ordem dos 36%, uma vez que as exportações recuaram 22% face a 2008.

A Marinha Grande, concelho tradicionalmente excedentário em matéria de comércio internacional, viu melhorar o seu título a este nível, ao registar uma melhoria de 18% no saldo comercial face ao ano anterior, para os 211 milhões de euros. A descida das importações (35%) foi ainda mais notória neste concelho, onde a indústria tem um peso preponderante, e onde, ao contrário dos anos anteriores, as exportações caíram, embora apenas 5%, o que representa a menor quebra entre os cinco concelhos que integram o Pinhal Litoral.

Pombal mantém a situação positiva do ano anterior (embora com um excedente comercial de apenas 2,5 milhões de euros, face aos 25 milhões registados 2008), enquanto Porto de Mós conseguiu elevar o seu saldo positivo de 27 para 35 milhões de euros, também ajudado pela queda das importações, uma vez que as exportações sofreram um deslize na ordem dos 10%.

Exportações e importações com maior queda dos últimos 20 anos

As exportações do Pinhal Litoral estiveram em crescendo nos últimos vinte anos, com a melhor performance a pertencer ao ano de 2007, que ficou marcado por uma subida de 32%, para os 805 milhões de euros. As excepções a esta propensão ao crescimento pertencem aos anos de 2002 (em que as exportações desceram 8%) e 2005 (em que desceram 4%), a que se junta agora o ano de 2009, que ficou marcado pela maior queda das últimas duas décadas – 9% para os 776 milhões de euros.

Já as importações, também em subida contínua nos últimos vinte anos (exceptuando os anos de 1993, 2001, 2003 e 2005), registaram uma inversão de tendência em 2008, ano em que descerem 7%, reforçada em 2009 com uma queda de 20%, para os 668 milhões de euros, o que representa a maior descida das últimas duas décadas.

Todos os concelhos contribuíram para a queda das importações do Pinhal de Leiria, excepto Pombal, onde aquelas subiram quase 1%. A maior queda das importações em valor absoluto registou-se em Leiria (94 milhões de euros), seguida da Marinha Grande (49 milhões de euros) e da Batalha (com uma descida de 26 milhões de euros).

Todos os concelhos contribuíram para a descida das vendas ao exterior no Pinhal Litoral, nomeadamente Leiria (menos 26 milhões de euros e a primeira queda desde 2005), Marinha Grande (menos 16 milhões e primeira queda desde 2006) e Pombal (menos 15 milhões e a primeira descida desde 2000).

Percentualmente, os concelhos que registaram as maiores descidas nas exportações foram a Batalha, (22% para 44 milhões de euros), Pombal (15% para 88 milhões de euros), Porto de Mós (10% para 57 milhões de euros), Leiria (8% para 283 milhões de euros) e Marinha Grande (5% para 304 milhões de euros).
Em 2009, o concelho da Marinha Grande continuou a ser o responsável pela maior parte das exportações do PL (depois de em 2008 ter ultrapassado Leiria), tendo visto o seu peso subir de 38 para 39%. Em segundo lugar surge Leiria com 37%, em terceiro Pombal com 11% (12% em 2008), em quarto Porto de Mós com os mesmos 7% do ano anterior, e em quinto a Batalha, também com os mesmos 6% de 2008.

No final de 2009, o PL continuava a conquistar peso nos totais nacionais em matéria de exportações (ao ser responsável por 2,5% das mesmas, face a 2,3 em 2008 e 2,1% em 2007) e a contribuir menos para as compras ao exterior, representando 1,3% das importações nacionais totais, face aos 1,4% registados em 2008.

Exportações para Angola continuam em crescendo

No que toca ao destino das exportações do Pinhal Litoral, o grande destaque vai para Angola, que continua a ganhar terreno, ao registar uma subida de 32% para os 83 milhões de euros, contrariando a tendência de queda verificada nos principais mercados externos da região.

Embora as exportações para Angola tenham subido a menor ritmo relativamente a 2008 (ano em que haviam crescido 66%), aquele país africano continua a ser o quarto principal destino das vendas ao exterior do Pinhal Litoral (com um peso de 11%, face a 8% do ano anterior), e o primeiro destino no que toca a mercados extra-comunitários, ao absorver 42% das exportações encaminhadas para fora da União Europeia.

Os três maiores países de destino para as exportações do Pinhal Litoral continuam a ser a Espanha (absorve 30% das exportações, face a 35% em 2008), França (comprou 16%, tal como em 2008) e Alemanha (continua a comprar 15% das exportações).

O Pinhal de Leiria vendeu, em 2009, menos 35% para o Reino Unido, 29% para a Bélgica, 26% para os Estados Unidos, 18% para Espanha e 12% para a China. Por outro lado, para destinos como Itália e Polónia, as exportações cresceram 10% e 4%, respectivamente, marcando a entrada da Polónia nos onze maiores destinos de exportação do PL, em detrimento de Marrocos.

Exportações extra-comunitárias em contra-ciclo

As exportações extra-comunitárias cresceram em 2009, embora apenas 1%, face à subida de 12% registada em 2008 e de 51% ocorrida em 2007. As vendas para fora da União Europeia representam agora 25% das exportações totais do Pinhal Litoral, face aos 23% do ano anterior.

Aquelas exportações, que atingiram os 196 milhões de euros, dirigem-se sobretudo para Angola (42%, face a 32% em 2008), Estados Unidos (12%, face a 16% em 2008) e China e Marrocos (ambos com os mesmos 5% de 2008).

O concelho de Leiria passou a ser o que maior peso tem nas exportações extra-comunitárias, ao ser responsável por 41% das mesmas, colocando a Marinha Grande em segundo lugar, com 28%.

Para fora da Comunidade Europeia o Pinhal Litoral vendeu sobretudo máquinas, aparelhos e moldes (33% do total), metais e suas obras (22% do total), plástico e suas obras (11% do total) e pedra cerâmica e vidro (10% do total), pertencendo as maiores subidas às secções de metais, plástico, máquinas e moldes.

Máquinas e moldes recuperam liderança

As maiores alterações no volume de exportações por secção estão ao nível do topo do ranking. As máquinas e aparelhos (onde se incluem também os moldes) e a secção de plástico recuperaram os lugares cimeiros dos anos anteriores a 2008, ao registarem 202 e 140 milhões de euros de exportações, respectivamente.

As secções que em 2008 ocupavam a primeira e a segunda posições – material de transporte e pedra e cerâmica – registaram quedas de 80% e 8%, para os 44 e 138 milhões de euros, ocupando agora o quinto e terceiro lugares, respectivamente.

A maior subida pertence à secção de metais comuns e suas obras, que regressou aos níveis anteriores a 2008, com 108 milhões de euros exportados.

Destaque ainda para a descida de 21% registada na secção de têxteis e para o recuo de 27% na secção de calçado, que se fixaram em 24 e 18 milhões de euros, respectivamente.

As mais lidas

Secil inaugura unidade de produção de microalgas em Pataias

A Secil inaugurou hoje, na sua fábrica em Pataias, Alcobaça, uma unidade de produção de microalgas. O projecto envolve a captação e utilização do CO2 ali gerado, por microalgas, que são depois canalizadas para os mercados que as aproveitam como ingrediente sustentável, natural e rico em compostos bioquímicos, nomeadamente para os da alimentação humana e animal. O investimento é de 15 milhões de euros.

Câmara vende Topo Norte do Estádio por 1,3 milhões para instalação das Finanças

O Município de Leiria aprovou esta terça-feira uma proposta de alienação da Torre Nascente do Topo Norte do Estádio Dr. Municipal Magalhães Pessoa, com uma área de construção de 4.500 metros quadrados, destinada a instalações para albergar e juntar num único local os Serviços de Finanças locais e distritais de Leiria. O valor da alienação do prédio é fixado em  1.339.503 euros.