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Actualidade

Imaginação e criatividade ao serviço da inovação

Célia Marques

A importância da imaginação e da criatividade na geração de inovação e de ciência foi o tema central do Fórum Inovação, promovido a semana passada, pelo Jornal de Leiria, no âmbito da comemoração dos 25 anos do semanário leiriense. O evento reuniu nomes como Daniel Pink, autor do best seller “A Nova Inteligência”, a designer Guta Moura Guedes, o presidente da Renova, Paulo Pereira da Silva e a cientista Elvira Fortunato.

«A inovação tem de estar contida nos limites da realidade, mas a realidade é tão rica que não tem limites. Ser cientista é uma profissão de futuro. Há sempre coisas para descobrir», defendeu no auditório da ESTG, Carlos Fiolhais, do Departamento de Física da Universidade de Coimbra, que marcou também presença no evento.

Durante a sua intervenção, o cientista abordou ainda as falhas no processo de transferência da investigação para o mercado, como explicação para o facto de «existir investimento em Investigação & Desenvolvimento em Portugal que depois não tem retorno».

«O investimento em investigadores não resolve o nosso problema estrutural», afirmou o responsável, salientando que «ir modelando os horizontes das crianças, reflecte-se depois nas universidades», porque «as ferramentas só podem ser utilizadas se houver imaginação para as utilizar e isso depende da visão que se tem do céu». Carlos Fiolhais defendeu que «o investimento é mais eficiente se garantirmos que o céu da criança não fica nublado», salientando a importância de «contrariar, desde cedo, a natural aversão ao risco e à aventura».

Ciência e cultura não podem estar de costas voltadas

«Custa-me muito que se faça uma divisão entre ciência e cultura, como se uma coisa não fosse também a outra. Essa ligação é extremamente importante», acrescentou Paulo Pereira da Silva, presidente da Renova, salientando o «prazer lúdico» que existe em fazer ciência, tal como a fazer «uma composição musical, ou uma escultura». O presidente da Renova defendeu ainda que «a investigação e a criatividade são muito importantes para as empresas portuguesas» e que essa ligação – «essencial à sobrevivência» – já começou a ter resultados.

Durante a sua intervenção no fórum, a designer Guta Moura Guedes lamentou também o divórcio entre ciência e a cultura, e defendeu a importância, e a vantagem, de aproximar as duas áreas, um contexto em que a cientista Elvira Fortunato aproveitou para revelar que tem um artista a trabalhar consigo, precisamente porque «a nova arte também recorre às novas tecnologias», justificou, adiantando que a inovação é mais profícua quando parte de equipas multidisciplinares.

«É difícil treinar alguém para ser inovador. Para criar uma cultura inovadora é preciso criar auto-estima, confiança em si próprio, estímulo ao pensamento livre e coragem para enfrentar riscos. A questão da inovação está intimamente ligada com uma estrutura interna que deve ser treinada para se abrir. É difícil criar inovação num tempo em que não temos tempo para reflectir, nem tempo a perder. E só se pode ser competitivo através da diferença», afirmou, na ocasião, Guta Moura Guedes.

Questionado sobre «se o génio nasce génio, ou se torna génio», Carlos Fiolhais respondeu afirmando que considera ser o «resultado de um conjunto de factores», e relembrando o início do estudo da Física: «Não me pareceu particularmente interessante da forma como me foi servida, mas desconfiei que havia ali qualquer coisa interessante que me estavam a esconder», comentou com humor.

Edmundo Nobre, presente no fórum em representação da Ydreams, defendeu, por seu lado, que quando se fala de inovação «o contexto faz toda a diferença», lembrando que uma boa ideia precisa de investimento para ser implementada, e que esse intervalo está condicionado por uma série de factores. «No contexto português é difícil fazê-lo. Levar um protótipo ao mercado é muito caro, exige duas ou três levas de investimento. A natureza económica do país condiciona o tipo de capital de risco que temos: o nosso capital de risco investe em cinco empresas e espera que quatro tenham sucesso, enquanto nos EUA investe nas mesmas cinco e espera que o sucesso de uma compense o eventual falhanço das outras quatro», exemplificou.

Novos factores de competitividade no mundo global

Durante a sua intervenção no evento, Daniel Pink, autor do best seller “A Nova Inteligência”, explicou porque são cada vez mais necessárias competências como a empatia, a intuição e a percepção do contexto global das coisas – para além do lado racional e lógico – quando o que está em causa é a diferenciação e competição no mundo global.

O autor apresentou três motivos: a Ásia, a automação e a abundância. Referindo-se ao primeiro motivo, lembrou que «conseguem fazer o mesmo trabalho por muito menos, têm um grande número de pessoas altamente qualificadas, talentosas e com grande ambição, falam inglês e comunicam com o resto do mundo a custo zero». Relativamente à automação, Pink lembrou que «a máquina substituiu numa primeira fase o músculo, depois a componente de raciocínio lógico, mas não o lado empático, de contexto», o que justifica, segundo o autor, que seja esse hoje um dos grandes factores de competitividade no mundo global.

Quanto à abundância, Daniel Pink referia-se ao crescendo das condições de vida nos últimos anos, que levou a que, por exemplo, nos Estados Unidos existam mais carros do que cartas de condução, e 200 mil encomendas de um novo ipod que ainda ninguém viu. «Estão a conseguir vender às pessoas coisas que elas nem sabem que precisam. É o resultado da fusão entre o lado científico e o lado artístico, e só esta fusão garante o sucesso», explicou o responsável, justificando porque considera que «a criatividade é hoje a competência que mais importa», para além do factor hi-tech.

«As competências que mais importam no mundo hoje são o design, a história, a sintonia, a empatia, o divertimento e o sentido», enumerou Daniel Pink.

«O design é um estilo de pensamento. A história do produto, o seu lado subjectivo que pode influenciar a decisão de compra. A sintonia, a habilidade de ver o quadro mais amplo de algo novo, o reconhecimento de um padrão que conduz o pensamento estratégico para o futuro. A empatia, a capacidade de sentir com o coração dos outros», resumiu Pink, defendendo ainda a importância de – num mundo onde o lado emocional e intuitivo contam cada vez mais – o trabalho «ter um sentido maior que o próprio produto».

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