Javascript desactivado

Para completa funcionalidade deste site é necessário activar o JavaScript. Aqui estão as instruções de como activar o JavaScript no seu navegador.

Empresas

Umbelino Monteiro comemora meio século

Célia Marques

Foi há quinze anos que aceitou o convite do pai para trabalhar na empresa que o avô fundou e que comemora este ano meio século. Teresa Monteiro é directora-geral da Umbelino Monteiro, a terceira maior fábrica de telha do país, com uma capacidade produção instalada de 30 milhões de unidades ano, recentemente adquirida pelo belga Etex Group.

A área fabril cresceu mais de quatro vezes desde a fundação da empresa. Inicialmente, a empresa sedeada em Pombal produzia telha, abobadilha e tijolo, mas em 97 foi alvo de uma modernização tecnológica que envolveu o abandono da produção de tijolo e abobadilha, para passar a produzir apenas telha e outros acessórios de telhado, «produtos de maior valor acrescentado que permitiriam à empresa crescer», explica.

No início da década de 80, a Umbelino Monteiro torna-se a primeira empresa industrial portuguesa a fabricar telha de canudo, com tratamento envelhecido, para dar resposta ao mercado da reabilitação. Na mesma altura, o boom de construção turística no Algarve ditava a aposta na telha de argila branca.

Na década de 90, a fábrica sofre novas alterações, resultado da introdução de novas linhas de produção e de uma nova tecnologia de cozedura – a cozedura em forma individual – que vinha juntar-se aos dois processos de cozedura já existentes: um em que as telhas seguem para o forno “a granel” envoltas por um arame, e outro em que uma forma comporta um conjunto de telhas. A cada processo de cozedura correspondem diferentes níveis de qualidade do produto final, para segmentos de mercado distintos. Em causa está sobretudo a minimização de diferenças de dimensão e possibilidade de empeno, sendo a cozedura em forma individual a que permite produzir uma telha “topo de gama”.

Em 2003, era chegada a altura de duplicar a capacidade de produção instalada, para as actuais três linhas de produção, de onde saem 30 milhões de telhas ano, preparando a empresa sobretudo para o segmento mais alto do mercado residencial.

Foi ainda introduzida uma nova tecnologia de moldagem, recorrendo à utilização de moldes de gesso, em detrimento dos de borracha. Embora menos resistentes, o que exige um maior ritmo de substituição, proporcionam um melhor acabamento e vedação. «Uma telha “topo de gama” é a que resiste ao gelo e aos sais e assegura a estanquicidade do telhado, o que tem a ver com o design da telha, ausência de empeno e rigor dimensional, factores que facilitam também a sua aplicação», explica Teresa Monteiro.

Em 2004, a Umbelino Monteiro vê o seu produto certificado e em 2007 obtêm a marcação CE.

Em fase de implementação está também a certificação de qualidade e ambiental ISSO 9001 e 140001, que deverá ficar concluída este ano, e que envolveu um conjunto de investimentos, destacando-se a Etar para tratamento de águas e outros procedimentos de reciclagem e reutilização que têm em vista reduzir o impacto da actividade da empresa no ambiente. A plantação de uma árvore com o nome de cada um dos 150 colaboradores da empresa, no último Natal, teve também como objectivo «chamar a atenção para as questões ambientais», explica a responsável.

Em matéria de responsabilidade social, Teresa Monteiro destaca o controlo da satisfação dos colaboradores, realizado através de inquéritos anuais, e os «fortes investimentos» em matéria de higiene e segurança no trabalho, onde se inclui formação e aquisição de protecções, de forma a reduzir o número de acidentes, «ainda elevado, sobretudo por falta de atenção».

Hoje, quando olha para trás, percebe que o caminho «era mais ou menos óbvio: a especialização na telha e em produto de qualidade que permitisse à empresa crescer». A venda da empresa «sempre foi também encarada». Era apenas uma questão de oportunidade, ou seja, «uma oferta interessante, que garantisse a manutenção da totalidade dos postos de trabalho», explica.

Reabilitação, turismo e Magreb

Teresa Monteiro identifica oportunidades sobretudo no mercado da reabilitação, da habitação unifamiliar e ao nível de projectos turísticos. «A reabilitação tem avançado muito lentamente. Ainda não se nota o impacto do Novo Regime de Arrendamento Urbano, nem se reconhecem as enormes vantagens da reabilitação dos centros históricos. O ónus da recuperação recai apenas no proprietário, quando toda a gente sai beneficiada. Deviam existir incentivos, e alguma coerção, porque não podemos ter edifícios a desabar», salienta. Em matéria de reabilitação, a Umbelino Monteiro tem no seu portfólio obras emblemáticas como a Estação do Rossio em Lisboa, o Convento de São Francisco nos Açores, as casas da Pia do Urso e a Sé do Funchal.

Pela natureza do próprio produto, a empresa tem como principal mercado o nacional, embora identifique nos países do Magreb oportunidades de exportação. A internacionalização acabou por se materializar através da recente aquisição pelo grupo belga Etex – número dois a nível mundial em coberturas – o que se reflectiu «no reforço do investimento em matéria ambiental e de segurança, uma vez que o grupo tem standards mais exigentes nestas matérias».

Para além disso, numa conjuntura marcada pela falta de liquidez nos mercados financeiros, «estar ligado a uma multinacional com solidez financeira facilita». É sobretudo por via dos clientes que sente as dificuldades no mercado de crédito, o que os obrigou «a uma maior organização e atenção às cobranças, beneficiando, por exemplo, os clientes que pagam melhor».

A empresa terá encerrado 2008 com uma facturação na ordem dos 12 milhões de euros, valor idêntico ao de 2007 e que se deverá manter em 2009.

Serviços no topo Norte do Estádio e maior destaque à obra de Korrodi

À conversa surgem temas como a cidade de Leiria, «que tem uma densidade de construção exagerada e todo o trabalho de reabilitação do centro histórico por fazer», e os últimos acontecimentos relativos ao mega centro comercial previsto para a envolvente do estádio, que na opinião de Teresa Monteiro «ia retirar vida ao centro da cidade». Para o topo Norte do estádio, defende que deviam ir todos os serviços públicos espalhados pela cidade, libertando imobiliário que poderia ser rentabilizado.

Aborda-se ainda o papel das cidades no contexto nacional, e a importância de fazer de Leiria um ponto de atracção, «com eventos, ou dando relevância aos edifícios do arquitecto Ernesto Korrodi», exemplifica, recordando que por alguém se ter lembrado de dizer que o Pai Natal é da Lapónia, aquela região do Norte da Escandinávia tornou-se conhecida em todo o mundo. «Leiria ainda não encontrou a sua estratégia de desenvolvimento, o seu posicionamento e atractivo», adianta, contrapondo Pombal, uma cidade que se tem expandido, «sobretudo porque a autarquia está muito virada para as empresas, fazendo o elo de ligação também com as escolas profissionais».

Com a entrevista do primeiro-ministro ainda fresca, o tema da governação era inevitável, e Teresa Monteiro admite que esperava mais do governo, sobretudo mais reformas estruturais e um maior controlo da despesa pública. Para não falar da agricultura. «Sócrates justifica o défice externo com as importações de energia, o que deu origem à política das energias alternativas, mas esquece que em segundo lugar nas importações estão os produtos agrícolas, e que a reforma agrária está por fazer. Existem zonas enormes na bacia do Lis que têm de ser emparceladas para fazer agricultura que não seja de subsistência. Temos de olhar para exemplos bem sucedidos no vale do Mondego», comenta.

Perfil

Teresa Monteiro tem 41 anos, é natural de Leiria, divorciada, e tem um filho de dez anos. É licenciada em Gestão de Empresas pela Universidade Internacional e tem um MBA em Marketing, pela Universidade Católica de Lisboa.

Antes de dar entrada na empresa da família passou pelo Ministério da Indústria, durante um dos primeiros quadros comunitários de apoio, onde acompanhou projectos de associações, pólos tecnológicos e ninhos de empresas.

Mas o que gostava realmente era de ser agricultora, embora não tenha projectos nesse sentido, «apenas uns vasos na varanda, que nem têm grande sucesso», revela, entre risos. Um desejo a materializar num quintal, quando se reformar, quem sabe.

Parte do tempo livre é dedicado ao gosto pela leitura. Da mala tira o livro que tem em mãos: Design, Innovate, Differenciate, Communicate, de Tom Peters. Recorda ainda um outro de que gostou particularmente – Portugal, The First Global Village – escrito por um inglês que viveu em Portugal, e que aborda o impacto que o País teve no mundo com os Descobrimentos. «Com uma visão tão desgostosa do presente, ler sobre as memórias do passado pode ser inspirador», justifica.

As viagens têm também um papel importante em matéria de evasão do quotidiano. Recorda «as paisagens soberbas» da Noruega e a passagem por África do Sul. Em projecto tem ainda a Austrália e Nova Zelândia.

Na Umbelino Monteiro tenciona ficar, «enquanto o projecto continuar a ser um desafio e a administração achar que cumpro».

As mais lidas

Secil inaugura unidade de produção de microalgas em Pataias

A Secil inaugurou hoje, na sua fábrica em Pataias, Alcobaça, uma unidade de produção de microalgas. O projecto envolve a captação e utilização do CO2 ali gerado, por microalgas, que são depois canalizadas para os mercados que as aproveitam como ingrediente sustentável, natural e rico em compostos bioquímicos, nomeadamente para os da alimentação humana e animal. O investimento é de 15 milhões de euros.

Câmara vende Topo Norte do Estádio por 1,3 milhões para instalação das Finanças

O Município de Leiria aprovou esta terça-feira uma proposta de alienação da Torre Nascente do Topo Norte do Estádio Dr. Municipal Magalhães Pessoa, com uma área de construção de 4.500 metros quadrados, destinada a instalações para albergar e juntar num único local os Serviços de Finanças locais e distritais de Leiria. O valor da alienação do prédio é fixado em  1.339.503 euros.