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Actualidade

O peso do intangível

Célia Marques
(Artigo publicado na Revista 250 Maiores Empresas do Distrito de Leiria, editada pelo Jornal de Leiria, distribuída com a edição de 22/11/2007 do semanário e de 24/11/2007 do Público)

O conceito de grande empresa já não é o que era. O peso do intangível ganha terreno, como demonstra a crescente adição do capítulo da sustentabilidade aos relatórios financeiros. Os stakeholders – colaboradores, clientes, fornecedores, Estado, sociedade e accionistas – agradecem.

A partir de 2005, Portugal adoptou a classificação de grande empresa recomendada pela Comissão Europeia: para fins estatísticos, grande empresa é a que emprega mais de 250 trabalhadores e tem um volume de negócios superior a 50 milhões de euros.

Mas os indicadores estatísticos não encerram em si a abrangência do conceito, como demonstram as respostas de diversas personalidades que ao longo da publicação foram inquiridas sobre o tema. «Importa considerar o impacto que a organização tem na vida da comunidade, a três níveis: económico, social e ambiental», explica Fernando Amado, Revisor Oficial de Contas e docente na Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Leiria (na foto). Estas representam, de resto, as três faces da sustentabilidade, cujo equilíbrio é a preocupação base da ciência económica.

Para cada uma das partes interessadas – stakeholders – a definição de grande empresa será, seguramente, diferente. «Para o fornecedor é a que paga bem e atempadamente, para o cliente a que assegura qualidade, prazo e preço. Se pensarmos nos colaboradores, dirão que é a que remunera de forma justa e apresenta perspectivas de carreira, enquanto o Estado apontará a que gera receita fiscal e é cumpridora das suas obrigações», enumera Fernando Amado. O Estado terá ainda em atenção efeitos indirectos, como a geração de emprego e impacto ambiental. Já a banca tenderá a valorizar a que pede mais crédito, tem bons níveis de risco e é cumpridora, enquanto para os accionistas uma grande empresa é a que apresenta uma boa taxa de retorno.

Segundo dados do Interbrand, um quarto dos activos financeiros globais é constituído por activos intangíveis, o que justifica o desvanecimento da abordagem tradicional que encara a Responsabilidade Social Empresarial como um custo do negócio.

Exemplos como a Enron, Nike, Andersen e Parmalat demonstraram o impacto que pode ter uma reacção do mercado na imagem das empresas (e no seu negócio), bem como a importância de encarar este novo modelo de gestão como um investimento, na perspectiva de longo prazo. O valor da empresa depende cada vez menos de itens mensuráveis como o capital e o trabalho, e mais de activos intangíveis como a reputação, confiabilidade, transparência, talento, cultura, conhecimento, capital intelectual, patentes, direitos de autor e posicionamento estratégico.

A génese dos relatórios de sustentabilidade

Os relatórios financeiros deixaram de ser suficientes para satisfazer as necessidades de informação dos stakeholders, que hoje procuram informação que permita ter uma visão global do comportamento da empresa, não só a nível financeiro, como nas áreas ambiental e social.

Os Relatórios de Responsabilidade Social surgiram para dar uma resposta organizada a esta necessidade. Ampliam a perspectiva fornecida pela contabilidade financeira convencional, criam um retracto de longo prazo e ajudam a evidenciar as contribuições sociais e ecológicas da organização, bem como a “proposta de valor de sustentabilidade” dos seus produtos e serviços.

Os desafios são inúmeros. Ao abrigo da RSE, a melhoria da performance da empresa depende não só dos serviços prestados, produtos vendidos e do lucro auferido, como do impacto que exerce sobre o bem-estar humano. As previsões apontam para que, num futuro não muito distante, as organizações bem sucedidas sejam aquelas que firmaram um pacto com as três faces da sustentabilidade.

Indicadores económicos e financeiros

O activo líquido é um dos indicadores financeiros que deve ser tido em atenção na análise das contas de uma grande empresa, uma vez que representa «o conjunto de recursos que a empresa tem aplicados na sua actividade», aponta Fernando Amado. Para fins estatísticos, considera-se uma grande empresa a que tem um activo líquido superior a 43 milhões de euros, (face aos 27 milhões que vigoravam antes da adopção, em 2005, da Recomendação da Comissão Europeia datada de 2003).

No que toca à solidez financeira da empresa, os capitais próprios representam outro dos indicadores a ter em conta. É aceitável um rácio de autonomia financeira (capital-próprio/activo) entre 20 a 30%, sendo o restante financiamento dos recursos que a empresa tem aplicados feito por capital alheio.

Há ainda que auscultar a rentabilidade gerada, medida pelo seu resultado líquido, o excedente que remunera o capital próprio e serve de base à análise da rentabilidade. «O resultado líquido é um indicador de desempenho, e é o que permite reforçar a autonomia da empresa via capitais próprios, ou seja, a sua independência financeira», explica.

Em resposta à preocupação económica inerente à actividade das empresas, são também valorizados indicadores como o Valor Acrescentado Bruto, a partir do qual se remunera a mão-de-obra e os accionistas, o custo do capital alheio e os impostos. «Este valor representa a base da remuneração de alguns stakeholders e varia consoante o sector e natureza das actividades desenvolvidas pela empresa. Para empresas comerciais, o VAB de 15 a 20% será aceitável, enquanto na indústria rondará valores na casa dos 50%», salienta. Outros indicadores de relevante importância são o EBITDA – que representa os fluxos de caixa de exploração da actividade da empresa – e o Resultado Residual (ou Economic Value Added), que é resultado obtido após a remuneração do investimento líquido do negócio, independentemente de ser financiado com capital alheio ou próprio.

Segundo Fernando Amado, a economia valoriza ainda enormemente a capacidade exportadora das empresas.

Dimensão obriga a descentralizar

E em termos organizacionais, o que define e distingue uma grande empresa? A resposta está numa estrutura que apresenta níveis de delegação suficientemente descentralizados para poder funcionar autonomamente. «Uma grande empresa não pode estar centralizada num único órgão de decisão. Tem de descentralizar através de mecanismos de formalização que permitem que cada um conheça a sua missão e seja “controlado”», explica. Grande empresa é também a que tem um conhecimento explícito, formalizado, escrito, que fica retido na organização independentemente da rotatividade dos quadros. «O know how não pode estar só na cabeça do gerente e das pessoas. A gestão do conhecimento é um dos aspectos mais importantes da organização», adverte.

Grandes geram um quarto do emprego

Segundo um estudo do IAPMEI referente ao quadriénio 2000-2004, apenas 0,04% das empresas portuguesas estão classificadas como grandes empresas, sendo responsáveis por 43,2% do volume de negócios total gerado no país e 25% do emprego.

No distrito de Leiria, entre as 250 Maiores Empresas apuradas em 2006, constam apenas cinco empresas com um volume de negócio superior a 50 milhões de euros e mais de 250 trabalhadores. Estas empresas são responsáveis por 13,73% das vendas geradas pela totalidade das 250.

Grande empresa é…
«A que tem significativo impacto na comunidade ao nível social, económico e ambiental»
Fernando Amado, ROC

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