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Empresas

Mercado mundial de moldes a caminho do equilíbrio

Célia Marques

(Artigo publicado na Revista Leiria Global, editada pelo Jornal de Leiria e distribuída com a edição de 12/07/2007 do semanário)

Os recém anunciados negócios na Rússia são uma gota de água no oceano. A Tecmolde – empresa de produção e comércio de moldes da Marinha Grande – marca presença naquele mercado há mais de trinta anos. Em 2006, «o ano de maior crise na indústria de moldes», as vendas subiram 21 por cento, para os 19 milhões de euros. A travessia no deserto tem o fim anunciado.

Atrás da tempestade vem a bonança. É com este provérbio que António Santos, fundador e presidente da Tecmolde, caracteriza aquele que será o futuro próximo da indústria de moldes portuguesa. Depois de anos de «grande facilitismo, as empresas tiveram de se adaptar a períodos mais longos sem encomendas, a margens menores, e demonstrou capacidade para o fazer», explica o empresário, lamentando entidades financeiras nem sempre percebam esta nova realidade.

A presença da China no mercado internacional trouxe drásticas alterações à competitividade, mas a tendência passa por uma subida dos preços chineses, devido ao aumento da procura, e descida do produto português, como forma de manter a competitividade no mercado internacional, pelo que, segundo o empresário, o diferencial tende a atenuar-se.

O equilíbrio de preços deixa espaço a critérios de selecção que beneficiam a indústria portuguesa de moldes: a tecnologia – que de uma forma geral é mais avançada – e os prazos de entrega, «que na Tecmolde são muito curtos, resultado das empresas com que trabalha», explica o presidente da Tecmolde, empresa que subcontrata mais de 80% da produção.

A ajudar a indústria portuguesa está ainda o facto do grau de satisfação de muito importadores de moldes chineses ser baixo, uma vez que o produto não chega em condições, o que se traduz num preço final acima do previsto, e tem levado ao retorno de alguns daqueles clientes. «Com uma diferença de preço de 20%, o cliente prefere moldes portugueses», salienta.

Por outro lado – adianta – o aumento do consumo interno na China absorverá a produção de moldes daquele país, deixando os mercados internacionais livres de produto chinês. «Daqui por três anos, os próprios chineses serão os melhores clientes de moldes de Portugal», considera António Santos, relembrando que as importações anuais de moldes rondam já os 900 milhões de dólares. Entre 85 e 95 a Tecmolde exportou para China cerca de três milhões de dólares.

Mercado russo «obriga a trabalho de consultoria»

Um mercado que dá muito trabalho. É assim que António Santos descreve a presença da Tecmolde na Rússia, que apesar de longa, representa apenas 10% da facturação da empresa. «Enquanto o cliente europeu é muito conhecedor do que quer, o russo deixa à vontade do fornecedor, o que obriga a conhecer muito bem as empresas clientes, a forma como trabalham, para decidir o que fornecer. Acaba por haver um trabalho didáctico, de consultoria», explica o empresário.

Para a Tecmolde, os melhores negócios continuam a fazer-se nos Estados Unidos e Europa, mercados que representam cerca de 60 e 25 por cento da facturação, respectivamente, embora os Estados Unidos já não apresentem o potencial de outros tempos. «Por um lado, o elemento destabilizador China reflectiu-se sobretudo naquele mercado, com uma terrível descida de preços, por outro os americanos têm vindo a cultivar a ideia do made in USA, para manterem activas as empresas nacionais», explica.

À quebra no mercado americano a Tecmolde responde com encomendas no mercado europeu, uma vez que «a economia alemã está de novo em força, especialmente a indústria automóvel», adianta.

Quanto a segmentos de mercado, a indústria automóvel representa 45% das vendas e a da embalagem – sobretudo descartável, de alta qualidade, que exige moldes mais complexos – 20%. Os moldes para produção de peças multicomponentes pesam entre 10 a 15%, e a área médica – muito exigente, uma vez que obriga a condições de produção especiais e envolve moldes difíceis de testar – embora residual, apresenta um potencial de crescimento considerável.

Ponto forte
A diversidade de moldes que é capaz de executar, ou subcontratar, e a capacidade para gerir projectos que envolvem muitos moldes e pouco tempo de execução, atraindo muitas multinacionais para o mercado português. A Tecmolde é o maior comprador de moldes à indústria local (200 milhões de euros nos últimos dez anos), e responsável pelo desenvolvimento de cerca de 400 moldes por ano.

Ponto fraco
Não tem, «porque até em situações de crise aumenta as vendas». António Santos afirma que em 40 anos ainda não conseguiu descobri-lo.

Oportunidade
Mercado russo, para todos. As necessidades são muitas e a indústria russa não tem capacidade para as satisfazer. O país regista uma boa situação económica e tendência de crescimento.

Ameaça
A China, apesar de tudo o que foi dito, «porque haverá sempre quem compre pelo melhor, e quem encurte caminho», e porque também tem boas empresas de moldes, que vendem caro.

Linha directa com o governo
Revisão da legislação laboral, no sentido de uma maior flexibilidade para responder aos períodos de grande crise (com apoios e não despedimentos em massa) e para que os que são realmente competentes saiam a ganhar. Também é importante para corrigir a ameaça que representa a China.

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