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Actualidade

«Os empresários têm de ser menos condescendentes com o ritmo de concretização das reformas»

Célia Marques

A frase foi proferida ontem, por João Salgueiro, presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB), o orador convidado do jantar conferência organizado pela NERLEI. «Não se sentem responsáveis por o nosso quadro de competitividade ser tão fraco? Até porque são sobretudo as empresas que financiam os partidos… Os empresários não são capazes de se organizar em conjunto, arranjar quem estude os dossiês e acompanhe a concretização das reformas? O ensino não pode acompanhar o desempenho das autarquias? Podemos começar a nível regional», sugeriu o responsável.

João Salgueiro referia-se ao conjunto de reformas «que deviam ter sido feitas e não foram», em áreas como a saúde, justiça e administração pública, contribuindo para o fraco quadro competitivo nacional.

Quanto às estratégias a adoptar no seio das empresas, no sentido de retirar partido das actuais circunstâncias de crise, João Salgueiro afirmou que «vão desenvolver-se os mercados do que é essencial, mas também os que se desenvolvem porque há crise», como «destinos turísticos alternativos (mais próximos e mais económicos) e produtos de qualidade intermédia e menor custo».

«A agricultura devia organizar-se para ter grandes volumes normalizados»

«Esta é uma boa altura para esclarecer, motivar e orientar os quadros das empresas, para racionalizar sectores através de fusões e aquisições e ver que oportunidades estamos a desperdiçar, que produtos estamos a importar que podíamos produzir. A agricultura devia organizar-se para ter grandes volumes normalizados e cumprir prazos e as pescas para reduzir a intermediação até ao consumidor final», defendeu.

Segundo João Salgueiro, Portugal pode também fazer-se valer da localização e pequena dimensão, produzindo, por exemplo, «pequenas séries de valor acrescentado com qualidade e prazo, ou exportando serviços de saúde».

Dívida externa duplicou nos últimos seis anos

O responsável deixou claro que o maior problema de Portugal é o desequilíbrio das contas externas, que aumenta 10% ao ano, o que «não é sustentável», advertiu, relembrando que a dívida externa portuguesa duplicou nos últimos seis anos.

«Mantemos níveis de consumo e despesa acima do que produzimos, o mesmo que aconteceu nos Estados Unidos. Existem outros países da União Europeia com desequilíbrio externo, mas estão a crescer mais que nós, que estamos como os americanos, a prolongar o modelo. Portugal tem o maior desequilíbrio das contas externas da União Europeia nos últimos oito anos», afirmou.

A convergência para a média europeia «é um mau objectivo», considerou, defendendo que Portugal devia convergir para os concorrentes mais directos e fazer benchmarketing.

«Não temos uma estratégia própria, vamos atrás do que a União Europeia decide, demoramos muito tempo a tomar decisões e pensamos que pedindo mais direitos vamos conseguir melhorar de vida, quando temos é de produzir mais», sustentou.

Recuo no dinamismo das economias emergentes pode gerar «uma crise geral»

Quanto ao futuro, João Salgueiro confirma a expectável desaceleração nas economias industrializadas, mas acredita que se houver dinamismo nas economia emergentes, e com as medidas tomadas recentemente, a economia irá recuperar. Por outro lado – contrapôs – perante um recuo no dinamismo das economias emergentes, «pode gerar-se uma crise geral».

Quanto ao modelo actual (economia de mercado), acredita que irá manter-se «a menos que haja uma crise gigantesca», explicou, defendendo que «não é precisa mais, mas melhor regulação», assim como «políticas inteligentes».

Juros vão permanecer baixos até sinais de retoma

«O BCE ao subir as taxas em Junho deste ano, quando os outros bancos centrais já a estavam a descer, contribuiu para aumentar a desconfiança e os spreads. Isto não é falta de regulação, é má política», exemplificou.

O presidente da APB afirmou ainda que bancos centrais vão manter o dinheiro barato até haver sinais de retoma, mas algum custo do dinheiro (spreads) irá demorar a descer, em paralelo com um maior escrutínio na concessão de crédito «porque já não se parte do princípio que as expectativas futuras são melhores».

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