Javascript desactivado

Para completa funcionalidade deste site é necessário activar o JavaScript. Aqui estão as instruções de como activar o JavaScript no seu navegador.

Actualidade

«Temos de aproveitar a dinâmica dos países emergentes»

Célia Marques
cmarques@leiriaeconomica.com

Os exportadores portugueses têm de saber aproveitar a dinâmica dos países emergentes. A afirmação é de Mira Amaral, que esteve segunda-feira em Leiria, a convite da revista Invest/ISLA/AIP. Segundo o presidente do Fórum para a Competitividade, a dinamização das relações comerciais com aqueles países é uma forma de minimizar o impacto da desvalorização do dólar nas exportações portuguesas. Ainda assim, o responsável considera que existe perigo do crescimento do PIB português desacelerar este ano.

«O mercado americano é difícil para nós. Não compram o produto barato e nós não temos alta tecnologia para lhes vender, nem redes de influência naquele país». Já a exportação de máquinas para a China «é positiva, porque eles precisam de tecnologia intermédia», afirmou, salientando ainda as oportunidades no mercado angolano.

Até porque – relembrou – a desvalorização do dólar também afecta as vendas para a Europa, uma vez que as importações dos Estados Unidos entram mais baratas. O mesmo acontece com as dos países asiáticos indexados ao dólar.

«O capitalismo feito apenas por privados já teve melhores dias»

Numa intervenção marcada pela explanação da génese da actual crise financeira, Mira Amaral destacou o peso determinante de pressões especulativas nos movimentos dos mercados financeiros, no preço do petróleo e até dos alimentos «que já se está a fazer sentir em Portugal», resultado «do exagero na corrida aos biocombustíveis», que está a levar ao arranque de floresta para plantação de cereais que lhe servem de matéria-prima. «É preciso cuidado com os biocombustíveis. A floresta poupa mais CO2 do que o biocombustível», advertiu.

Explicando os movimentos de ajuste no mundo financeiro, a desconfiança que se gerou entre bancos e as injecções de liquidez no mercado monetáro para restabelecer a situação, Mira Amaral destacou a importância crescente dos países emergentes na economia mundial e afirmou mesmo que «o capitalismo feito apenas por privados já teve melhores dias».

O responsável referia-se aos fundos soberanos [controlados pelos Estados] e ao facto de estarem a tomar posições importantes a nível mundial. Em causa está a aquisição de participações em empresas ocidentais por parte de entidades governamentais dos países emergentes, países esses que já representam mais de 50% do PIB mundial.

Taxas de juro na Europa têm de descer

Quanto às taxas de juro, Mira Amaral acredita que terão de descer também na Europa, «até porque a economia europeia está a desacelerar», explicou.

O responsável classificou o crescimento económico português de «anémico», e embora apelide de «corajosa» a política do actual governo, numa fase inicial, no que toca ao ataque às contas públicas, «com uma subida de impostos que tinha de acontecer», considera que teve «resultados lentos do lado da despesa».

«A subida dos impostos, com prevaricação sobre os contribuintes, levou ao aumento da receita, enquanto do lado da despesa se actuou com o congelamento de ordenados e carreiras, que não se pode manter. É preciso descer despesa pública corrente», explicou, antevendo um aumento da despesa pública maior do que no passado.

Peso do Estado prejudica atractividade ao IDE

O peso do Estado no produto representa uma «péssima afectação de recursos» e traz «uma série de problemas económicos, ao nível do crescimento, da produtividade e da atractividade de IDE, porque não conseguimos ter impostos competitivos enquanto não descermos a dívida pública», explicou.

Mira Amaral mostrou-se preocupado com as desigualdades no país, um dualismo que «não se revolve com o mercado, mas com políticas públicas, com um governo que ajude as empresas», defendeu.

O responsável defende uma aposta séria na educação, «que é um desastre, e não é que não se gaste dinheiro» e na inovação empresarial, porque «só com o conhecimento não se ganha dinheiro» e no empreendedorismo. «Mais valia gastar dinheiro nisto [capital de risco] do que naquilo que já sabe que vai perder. Só há risco onde há incerteza e nós já sabemos que [onde o Estado gasta o dinheiro] é buraco», afirmou.

As mais lidas

Secil inaugura unidade de produção de microalgas em Pataias

A Secil inaugurou hoje, na sua fábrica em Pataias, Alcobaça, uma unidade de produção de microalgas. O projecto envolve a captação e utilização do CO2 ali gerado, por microalgas, que são depois canalizadas para os mercados que as aproveitam como ingrediente sustentável, natural e rico em compostos bioquímicos, nomeadamente para os da alimentação humana e animal. O investimento é de 15 milhões de euros.

Câmara vende Topo Norte do Estádio por 1,3 milhões para instalação das Finanças

O Município de Leiria aprovou esta terça-feira uma proposta de alienação da Torre Nascente do Topo Norte do Estádio Dr. Municipal Magalhães Pessoa, com uma área de construção de 4.500 metros quadrados, destinada a instalações para albergar e juntar num único local os Serviços de Finanças locais e distritais de Leiria. O valor da alienação do prédio é fixado em  1.339.503 euros.