Macron tirará a França da OTAN?

O Pentágono quer a ajuda da OTAN com vigilância e ataques aéreos no Afeganistão. É excepcionalmente audacioso e arrogância americana para o Presidente do Estado-Maior Conjunto, General Mark Milley, fazer tal pedido a seus aliados: Biden não os consultou antes mesmo de se retirar em desastre de Cabul em circunstâncias desastrosas e humilhantes que conhecemos.

Ficaria surpreso se Paris estivesse lá. A França não esquecerá – e não deve esquecer – as batidas de Biden no caso do submarino australiano.

Vingue a França com um gesto legal

Seis meses antes da eleição presidencial, Macron precisa fazer um gesto de inteligência. Retalie enquanto se certifica de que a resposta se encaixa nos interesses geopolíticos do país. Caso contrário, seus rivais, desde os nacionalistas aos comunistas, saltarão sobre ele com os dois pés. Paris está considerando retirar a França do comando militar integrado da OTAN, ao qual ingressou em 2009 no governo de Sarkozy, após uma ausência de 43 anos. Em 1966, de Gaulle retirou-se dele “para preservar a independência da França nos assuntos mundiais”, para grande desgosto dos americanos.

Em 2003, a França se recusou a se juntar aos Estados Unidos no ataque ao Iraque com base em mentiras de que Saddam possuía armas de destruição em massa. Os políticos americanos ficaram tão indignados que tolamente forçaram o Restaurante Capitol a mudar o nome das batatas fritas de “Free Fries” para “Freedom Fries”.

Em 2019, Macron disse que a OTAN estava com “morte cerebral” e, embora Trump tenha achado suas palavras “extremamente ofensivas”, ele as manteve. Na verdade, a aliança atlântica está se desintegrando lentamente.

Os turcos têm melhores relações com Moscou do que seus homólogos da OTAN. Eles compraram um sistema de defesa aérea russo em violação das políticas da organização. A França e a Alemanha já operam uma unidade militar conjunta em paralelo, o início do futuro exército europeu. A brigada de 6.000 homens está sob o comando do European Rapid Response Corps, com base em Estrasburgo.

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Os europeus estão atrás do Macron, mas até onde?

A Alemanha juntou-se à França ontem para culpar os Estados Unidos pela negociação do pacto secreto com a Austrália e a Grã-Bretanha. Berlim tem relações econômicas mais importantes com a China do que Washington. As políticas anti-China de Trump e Biden não são bem recebidas na Europa.

“Um dos nossos Estados membros foi tratado de forma inaceitável”, disse a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Para mostrar sua solidariedade à França e seu descontentamento, os embaixadores da UE adiaram uma reunião de comércio e tecnologia com os Estados Unidos que havia sido um grande passo para a aliança transatlântica.

A nova retirada francesa do comando integrado da OTAN, se ocorresse, marcaria uma virada crítica para a organização, o início de sua eventual marginalização.

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