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Entrevistas

Jorge Soares | Presidente da Associação de Produtores de Maçã de Alcobaça (APMA)

«Portugal é um país importador de maçã»

Os desafios e oportunidades dos produtores de maçã, e o objectivo da acção promocional que a Associação de Produtores de Maçã de Alcobaça levou a cabo no início de Setembro em Leiria, comentados pelo seu presidente, em entrevista ao Leiria Económica. O responsável destaca ainda a destruição de emprego que representa o facto de Portugal ser um país importador de maçã.

Quais os desafios que se colocam hoje aos produtores de maçã de Alcobaça?
Os principais desafios são a globalização do comercio de maçã, a necessidade de praticar uma fruticultura cada vez mais de precisão, racional e amiga do ambiente e a inovação e modernização dos processos de produção e processamento. É também importante reforçar o associativismo, procurar soluções alternativas ao actual sistema de comercialização existente em Portugal e inovar constantemente nas formas de comunicar os valores diferenciadores associados ao produto e aos processos. O papel do fruticultor enquanto “guardião da natureza” é também um desafio.

E as principais oportunidades a explorar?
O facto de se tratar de um alimento extremamente saudável; o estatuto de produto tradicional de qualidade com mais de oito séculos de história; a situação deficitária em que se encontra Portugal. Acrescem o conjunto de valores associados ao produto – origem, sabor, ambiente, segurança alimentar, saúde e economia regional – e a especificidade de clima e dos solos para a produção diferenciada.

Como se posiciona a associação nesse contexto e quais os principais objectivos?
A APME é a entidade gestora da IGP e da primeira marca colectiva no sector. Procura estimular a inovação e pioneirismo no sector, divulgar os valores e valências da maçã de Alcobaça e estimular a abordagem associativa.

Quais os objectivos da iniciativa Mundo da Maçã, que decorreu recentemente em Leiria?
Divulgar os benefícios do consumo de maçã, estimular o seu consumo e promover a maçã de Alcobaça.

Contam levar a iniciativa a outras cidades, ou mesmo outros países?
A outras cidades sim, a outros países não.

Qual o posicionamento da Maçã de Alcobaça no mercado externo?
Portugal é actualmente um país importador de maçã, entre 50 mil toneladas e 100 mil toneladas, equivalente a 5.000 empregos permanentes que se destroem ou 1,1 milhões de dias de trabalho. Apenas 10% da produção da maçã de Alcobaça é exportada e graças ao sistema de produção ecológico adoptado e à segurança alimentar conferida pelas nossas maçãs. Os principais destinos são Inglaterra e Irlanda, fortemente vocacionado para as suas escolas. A título de curiosidade, encontramos registos de exportação de maçã para estas ilhas britânicas já no século XIII, armazenadas nos barcos que faziam estas travessias, saídas através do porto de Alfeizerão (Alcobaça).

Quanto produzem os associados no total e qual o volume de negócios gerado?
Cerca de 50 mil toneladas e 40 milhões de euros, correspondendo a 2500 postos de trabalho permanentes, ou cerca de 600 mil dias de trabalho directo.

Que medidas adoptam os produtores de maçã de Alcobaça para compatibilizar a produção com a protecção ambiental?
Alterando profundamente as práticas culturais, através de muita formação técnica específica e obrigatória a todos os produtores, sem excepção, e a todos os técnicos responsáveis de cada pomar. Neste sistema de produção ecológica ou integrada, priorizam-se princípios, como produzir o máximo possível sem agredir os factores naturais, solo, água, ambiente e homem; escolher meios de combate aos inimigos das plantas alternativos aos meios químicos, recorrendo ao saber fazer dos antepassados, e potenciar a limitação natural. Importa ainda conhecer, identificar, proteger e estimular todos os organismos vivos não nocivos, uma vez que parte deles, carnívoros e inimigos dos nossos inimigos, são predadores ou parasitas destes. Este conjunto de princípios obriga a adoptar metodologias como a monitorização permanente e total, o respeito por níveis de tolerância a estragos antes de intervir, esperando que o equilíbrio entre pragas e predadores aconteça naturalmente. Obriga ainda a escolher meios de luta inofensivos para ambiente, fauna auxiliar, homem e meios naturais, a fazer registos diários e completos por pomar e a rastreabilidade, com vista à segurança total de todas as maçãs produzidas.

REDACÇÃO | Célia Marques cmarques@leiriaeconomica.com

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