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Entrevistas

Jorge Correia Santos | Presidente da Câmara Agrícola Lusófona (CAL)

«Damos escala às empresas que nunca exportaram»

Criada para apoiar as PME agro-alimentares nos seus processos de internacionalização no espaço CPLP, a Câmara Agrícola Lusófona (CAL) defende a criação de linhas próprias para o sector. E uma mudança de mentalidade nos empresários, no sentido de maior propensão ao associativismo.

Quando e porque decidiu fundar a Câmara Agrícola Lusófona (CAL)?
A CAL nasce de um movimento de empresários e lideres associativos que, no final dos anos 90, andavam por África com projectos e ideias para investir, e de outros, já com empresas criadas em África e no Brasil. Sentiu-se a necessidade de criar uma estrutura que defendesse os interesses deste sector. A CAL surge em Portugal, em 1999, com a participação de organizações e empresas de todos países, e com o apoio de Luís Amado, à época secretário de Estado da Cooperação, Marcolino Moço, secretário Executivo da CPLP e Capoulas Santos, ministro da Agricultura.

A que tipo de empresas se dirige?
A PME do sector agro-alimentar, desde a produção, ao comércio e agro-indústria.

Qual o âmbito de actuação?
Actuamos no espaço dos mercados da CPLP, onde temos delegações.

Quais os principais objectivos?
Apoiar a internacionalização e as empresas no seu processo de exportação e funding. Reforçar este movimento associativo, quer em Portugal, quer nos PALOP e Brasil. Apoiar os consórcios de empresas na abordagem deste tipo de mercados, apoiar as empresas no seu processo de exportação, através da nossa agência de comércio agro-alimentar, onde fazemos contentores mistos, agenciamento de marcas e angariação de clientes, ou seja, aproveitamos as oportunidades e damos escala às empresas que nunca exportaram, ou teriam dificuldade em fazê-lo per si, de forma isolada.

De que forma os pretendem concretizar?
Apoiando as empresas através do nosso programa de internacionalização agro-negócios CPLP, quer em missões empresariais, missões de prospecção, ou participação em feiras. Por outro lado, temos um departamento para projectos de investimento e project finance – a CAL é acreditada para os Vales Internacionalização – empreendedorismo e formação profissional, que é fundamental para os empresários nestes processos de internacionalização. Temos também protocolos com a banca, com a única multilateral portuguesa, a SOFID, para financiar projectos em África, bem como protocolos com a Crédito & Caucion para execução de seguros de crédito, com a Avante da Extremadura para exportar, e com o governo da Catalunha para os empresários catalães investirem, em parceria com empresários portugueses, em África, por exemplo.

Como se distinguem de outras associações empresariais/sectoriais que prestam serviços idênticos?
A CAL está focada no agro-negócio e no espaço da CPLP. Somos a maior plataforma do agro-negócio da CPLP com estas características.

De uma forma geral, quais os principais desafios deste sector a nível nacional?
Mobilizar as empresas para este processo de internacionalização, reforçar a capacidade das empresas no seu processo de internacionalização e capacitá-las de meios, informação e instrumentos financeiros. Reforçar a capacidade associativa deste sector, acabar com o individualismo de certos empresários, que prejudica a nossa capacidade mobilizadora e a imagem de Portugal nesses países. Somos muito bairristas e mesquinhos. É importante que as empresas se associem mais. É igualmente importante reforçar a sua capacidade financeira, dotando este sector de mais meios e mecanismos, como um fundo de internacionalização, linhas de exportação e linhas próprias para o sector agro, que não existem. É importante Portugal ter mais multilaterais para financiar projectos, em especial nos PALOP.

Qual o potencial do distrito de Leiria em termos agro-pecuários?
O distrito de Leiria é uma região mobilizadora ao nível do sector agro-alimentar, quer ao nível da indústria de rações animais, transformação de carnes e agro-indústria especializada, quer de hortofrutícolas. O sector das frutas, em especial, é forte. Mas também a indústria de máquinas, equipamentos e plásticos para agricultura. O potencial das empresas do distrito de leiria é enorme e de extrema importância para este nosso processo de internacionalização, pois inclui empresas de serviços, máquinas e equipamentos agrícolas, azeite, vinho, panificação, produtos farmacêuticos (em especial veterinários), hortifruticultura, indústria de carnes transformadas, produtos lácteos e indústria de plásticos.

De que forma pode ser exponenciado esse potencial e que contributo pode a Câmara Agrícola Lusófona dar nesse sentido?
O potencial é gigante para Portugal, pela imensidão dos países em causa, mas fundamentalmente pelas oportunidades que oferecem. Não podemos esquecer que Angola é 14 vezes maior que Portugal e Moçambique sete, o que obriga a que o nosso País tenha capacidade de resposta aos desafios, que as empresas estejam preparadas. São países onde tudo, ou quase tudo, está por fazer. As empresas precisam de apoio financeiro. É o ponto que sentimos mais frágil, porque os investimentos em África obrigam a outra dimensão, daí que o reforço dos fundos seja prioritário, da mesma forma que é urgente a criação de multilaterais preparadas para financiar em África, pois o risco do negócio é diferente e as garantias a oferecer também. Há que criar instrumentos próprios, porque, por exemplo, a terra em África é do Estado. O nosso core business e know-how é único em Portugal e diferencia-nos dos restantes, como revela o facto de os empresários terem de ser formados quando vão pela primeira vez a estes países. É um processo vital para não se cometerem erros desnecessários.

REDACÇÃO | Célia Marques cmarques@leiriaeconomica.com

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