“As ciências de Hollywood preservam o mito da migração em massa para outros mundos habitáveis.”

crônica. Lembre-se: era setembro de 2020 e nos jornais falava-se muito sobre a fosfina. A mídia chocou a mídia com esta palavra estranha que a maioria de nós nunca tinha ouvido antes, mas ela carregou informações importantes o suficiente para saturar o espaço público por alguns dias.

Um estudo foi publicado em Astronomia Natural Os autores deste trabalho relataram a descoberta da fosfina na atmosfera de Vênus e estava lá, e os autores deste trabalho sugeriram uma indicação de vida microbiana na cobertura de nuvens do planeta. Parece que a fosfina é de fato um marcador do metabolismo bacteriano.

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A descoberta foi rapidamente rejeitada e logo substituída por muitas outras histórias do mesmo barril. Poucos dias depois, a televisão pública francesa transmitiu um documentário explicando como o cinturão de asteróides poderia ser usado como base para uma invasão do Sistema Solar. Talvez começando com a colonização de Ceres – um planeta anão ao qual o físico Pekka Janhonen (o Centro de Controle Aeroespacial do Instituto de Meteorologia da Finlândia) acaba de dedicar um estudo de “recuperação”, publicado no site de pré-lançamento arXiv.

Ciências de Hollywood

Notícias chocantes encheram o debate público alguns dias depois com o lançamento global, no final de janeiro, de um artigo escrito pelo astrofísico Avi Loeb (Universidade de Harvard), indicando que “Oumuamua – um asteróide retangular cujo caminho surpreende os cientistas – é de fato um navio estranho …

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Por trás desse acúmulo da ciência hollywoodiana e de sua transmissão na mídia, esconde-se muito mais do que o interesse pelo avanço do conhecimento (o valor central que ninguém contesta). Há claramente um mito se formando ali que não fala em seu nome, mas que opera na imaginação e no subconsciente.

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Ao acumular informações contextualizadas, fazendo acreditar que haverá um grande número no universo inabitável e inacessível, torna-se mais provável a destruição do meio ambiente, ao alimentar a vaga esperança de um possível êxodo em massa – e talvez não seja por acaso que foi batizado. A primeira missão dos Emirados Árabes Unidos a Marte « Al-Amal » (“Esperança” em francês).

O registro de vocabulário que acadêmicos e jornalistas usam inconscientemente deriva dessa esperança irracional. Não estamos dizendo que alguns exoplanetas estão localizados na “zona habitável”, quando estão a uma distância de sua estrela consistente com a manutenção da superfície da água líquida? Falar em habitabilidade já é pensar na casa.

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