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Actualidade

«Capital privado e capital de risco são alternativas ao financiamento bancário para as empresas»

«O capital privado ou de risco é uma alternativa ao financiamento bancário para as empresas», defendeu António Godinho, administrador do grupo Sartorial, no seminário organizado pela NBB – M&A Advisors, empresa que presta consultoria a pequenas e médias empresas (PME) em processos de internacionalização.

Camilo Lourenço, jornalista de economia e moderador do debate, defendeu que está a acontecer uma «alteração sísmica, estrutural, da qual não há saída nos próximos anos», que implica, face ao corte do crédito bancário e ao aumento das suas comissões, uma nova cultura empresarial e a procura de novas soluções de financiamento e crescimento. Estas podem passar por fusões e aquisições, por joint ventures/consórcios, nacionais ou internacionais, ou pela abertura de capital a terceiros, soluções que permitem consolidar presença no mercado, criar dimensão, diversificar canais, potenciar sinergias e aumentar a eficiência de processos e a optimização fiscal.

Isabel Duarte Lima, directora executiva da Espírito Santo Capital, apresentou os fundos de capital de risco/private equity que são «alternativos ou complementares ao financiamento bancário». «O fundo de capital de risco é um parceiro temporário, trata-se de uma empresa que aposta noutra empresa com potencial de crescimento e equipas de gestão sólidas, mas que pode ter pontualmente problemas de financiamento, sendo o objectivo criar valor, viabilizar, e vender mais tarde com mais-valias».

Recorrer ao capital de risco implica algumas regras, como por exemplo uma gestão sadia, disciplina, optimização de processos, disponibilização de informação sobre a empresa. «Mas somos parceiros, corremos o risco com o empresário e na grande maioria das vezes este sai fortalecido e satisfeito com a parceria», enfatizou a gestora.

Patrícia Sousa, directora geral da NBB, defendeu as mais-valias da abertura do capital das empresas, que permite melhorar a gestão e a forma de trabalhar das empresas, uma vez que as PME, que representam 90% do tecido empresarial português são, na maioria, empresas familiares, onde a vida profissional tende a ser misturada com a pessoal. Isabel Duarte Lima explicou que «se sente alguma resistência à participação de terceiros, mas que depois o empresário se apercebe do que cada uma das partes pode ganhar e aprender, e tira partido da experiência e aproveita as boas práticas que adquire com a parceria».

Falando nesta cultura empresarial prevalente nas PME portuguesas, Isabel Duarte Lima defendeu que a falta de financiamento «serve também para disciplinar as empresas: as PME portuguesas estão sobrendividadas e isto representa falta de concorrência nos mercados internacionais». Abordando ainda a resistência de muitos empresários em abrir-se ao capital de terceiros e a ter sócios, Camilo Lourenço explicou que «existe em Portugal uma “cultura de ter”, de ter 100% de uma coisa, mas o fundamental nas empresas são os seus capitais próprios e a gestão, não é garantir 100% do capital centrado num sócio».

Tiago Caiado Guerreiro, advogado fiscalista da Caiado Guerreiro & Associados, explicou que o private equity é criado numa perspectiva de ter 100% de eficiência fiscal. Focando-se na internacionalização, este especialista explicou ainda as vantagens da formação de consórcios, que permitem às PME manter a sua propriedade, mas reunindo-se com outras empresas, para obter determinadas vantagens, designadamente escala, e criar estruturas de internacionalização.

Focando-se essencialmente na solução de family offices, investidores privados com fortuna pessoal ou familiar preparados para injectar dinheiro com maior independência da empresa, Godinho explicou que «estas pessoas estão cansadas de investir fora de Portugal, em acções, por exemplo, e procuram agora diversificar investimento ou investir em algo concreto, real, e capitalizar empresas portuguesas, empresas que têm potencial de crescimento, viáveis economicamente, mas que, por um motivo ou outro, estão com problemas financeiros».

«Além disso, existem muitos investidores privados com liquidez – business angels – estrangeiros a olhar agora para Portugal e a procurar investir, o que é uma boa oportunidade para muitas PME que procuram financiamento». «Quem tem empresas com capacidade de crescimento ou com interesse em internacionalizar-se pode contar com a NBB, propomo-nos procurar parceiros que pretendam comprar capital, que querem investir, para que as empresas portuguesas possam crescer».

Telma Curado, revisora oficial de contas, apresentou alguns programas nacionais e europeus que podem revitalizar as empresas. «O problema de muitas empresas é a estrutura financeira desequilibrada, a má gestão, a dependência bancária, défice de capitais próprios, entre outros, e estas situações criam um desequilíbrio insustentável». A reestruturação de muitas empresas pode passar por programas especializados, como o PER e o SIREVE, já em vigor, que permitem recuperar empresas via judicial ou extrajudicial.

Camilo Lourenço explicou que estas soluções para financiar ou relançar as PME – investidores privados (business angels ou family offices, que pretendem ser sócios de empresas, investindo capital para mais tarde receber dividendos); fundos de capital de risco/private equity (instituições que investem em empresas, nas quais criam valor, vendendo a sua parte mais tarde com mais-valias); ou mesmo programas públicos – «podem ser a chave para o financiamento das empresas nos próximos anos». «Embora sejam parceiros importantes, são soluções ainda pouco expressivas em Portugal, mas que tendem a ganhar dimensão na actual conjuntura, em que o crédito bancário está dificultado e com maiores custos», rematou o jornalista.

O seminário “Alternativas de financiamento e crescimento”, integrado num roadshow nacional dinamizado pela NBB, contou com a parceria da Sartorial, da Associação das Empresas Familiares, da Caiado Guerreiro & Associados, de Telma Curado, da NERLEI – Núcleo Empresarial da Região de Leiria, e do Espirito Santo Capital, e decorreu ontem na NERLEI juntando uma plateia de cerca de oito dezenas de empresários.

Fonte: NBB

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