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Actualidade

Marinha Grande é grande mola do comércio internacional do distrito

Célia Marques
(Artigo publicado pela revista Leiria Global, de 26 de Maio de 2011, editada anualmente pelo Jornal de Leiria)

A Marinha Grande é a grande mola impulsionadora do comércio internacional no distrito de Leiria. A tradição fortemente exportadora mantém-se e sobrepõe-se em muito ao volume de compras ao exterior. Os números estão aí para o comprovar.

Fonte: INE

A Marinha Grande é, de longe, o concelho que mais contribui para a situação favorável do comércio internacional do distrito, ao apresentar um excedente de 215 milhões de euros em 2010, quase a totalidade do saldo comercial de 265 milhões de euros do distrito naquele período.

Embora o concelho de Leiria tenha também um forte contributo para as exportações (exporta 313 milhões de euros, muito próximo dos 366 milhões de euros vendidos pela Marinha Grande), o seu pendor mais importador (importa 443 milhões de euros, face a apenas 115 milhões de euros da Marinha Grande), conduzem o concelho a um défice comercial de 129 milhões de euros, o maior do distrito.

De salientar, no entanto, que tanto o concelho de Leiria, como o da Marinha Grande viram o seu saldo comercial melhorar nos últimos cinco anos (em 75 e 112 milhões de euros, respectivamente) e ambos em resultado de uma subida de quase 50% nas suas exportações, face a uma ascensão pouco significativa das suas compras ao exterior.

O segundo maior excedente comercial, a seguir à Marinha Grande, pertence a Porto de Mós (39 milhões de euros), seguido de Peniche (31 milhões de euros). Dos 16 concelhos do distrito, apenas três apresentam défice comercial: Leiria (-129 milhões de euros), Nazaré (-13 milhões de euros) e Batalha (-5 milhões de euros).

Espanha surge como principal destino exportador em oito dos concelhos, sendo interessante constatar que o Brasil surge como principal mercado de exportação de Óbidos e do Bombarral, ao absorver mais de 80% das vendas ao exterior daqueles concelhos, tratando-se, em ambos os concelhos, de produtos Vegetais, nomeadamente fruta. Ainda assim, o concelho da Marinha Grande é o que mais contribui para as vendas do distrito para fora da União Europeia.

Leiria tem sexto melhor saldo comercial do país

Em 2010, o distrito de Leiria apresentou o sexto melhor saldo comercial do país, a seguir a Aveiro, Braga, Coimbra, Setúbal e Beja, este último não tanto pelo contributo das exportações, mas pelo reduzido nível de importações, ou não fosse o distrito português que menos importa. Coimbra – que exporta pouco mais que Leiria e tem as exportações concentradas em 60% na indústria da pasta e papel – ultrapassa a cidade do Lis em matéria de saldo comercial, sobretudo pelo lado das importações, uma vez que compra ao exterior menos um terço que Leiria.

A explicação para o posicionamento de Leiria no ranking, poderá estar, segundo Márcio Lopes, docente de Economia na ESTG, no facto do valor acrescentado dos produtos exportados pelo distrito não ser muito elevado. «O valor acrescentado da nossa indústria é médio. Coimbra, por exemplo, exporta sobretudo papel, que é uma das indústrias de maior valor acrescentado em Portugal, uma vez que a cadeia de valor é quase totalmente nacional, da matéria-prima ao papel», explica.

Neste conjunto dos seis distritos com melhor saldo comercial, Leiria é o quinto que mais contribui para as exportações nacionais e o terceiro que menos contribui para as importações, logo a seguir a Beja e Coimbra.

Centrando ainda a análise nos seis distritos com melhor saldo comercial, constata-se que Leiria foi o segundo que registou a melhor performance neste indicador entre 2005 e 2010, tendo-o visto progredir em 265 milhões de euros, face aos 585 milhões de euros de Aveiro.

No que toca à análise dos distritos que mais exportaram, Leiria ocupava no final de 2010, a sétima posição, tendo à sua frente os distritos de Lisboa, Porto, Aveiro, Setúbal, Braga e Coimbra. Estes sete distritos, por si só, são responsáveis por 87% das exportações portuguesas.

Do grupo dos sete distritos mais exportadores, Leiria foi o que registou a segunda maior subida de exportações entre 2005 e 2010 (+41%), a seguir a Lisboa (+51%).

Máquinas e moldes na liderança

Fonte: INE

E que exporta o distrito de Leiria? Vamos a produtos. Em 2010, o lugar cimeiro pertencia à secção de Máquinas, Aparelhos e Moldes, que foi responsável por 20% das exportações do distrito.

O segundo conjunto de produtos mais exportados pertence à secção de Pedra, Cerâmica e Vidro, que apesar de ter caído 4% face aos cinco anos anteriores, representa ainda 16% das exportações do distrito. O terceiro lugar pertence ao Plástico (15%) e o quarto aos metais (13%).

A maior subida entre as secções mais exportadas registou-se no sector da Indústria Alimentar e Bebidas, que cresceu mais de 300%, seguida dos Metais, que subiram 140%, destacando-se ainda a evolução positiva das secções de Material de Transporte (91%), Produtos Vegetais (89%), Plástico (77%) e Produtos da Indústria Química e Conexa (74%).

As maiores quedas, por seu lado, pertencem ao sector dos Têxteis (-29%), seguido dos Animais e Produtos do Reino Animal (-18%) e Pedra, Cerâmica e Vidro (-4%).

Leiria aproveita ciclo ascendente de Angola e Brasil

No que toca a destinos de exportação, Espanha, Alemanha e França figuram no topo do ranking, a beneficiar da proximidade geográfica a Portugal. No seu conjunto, estes países absorvem mais de 60% das exportações do distrito e aumentaram, nos últimos cinco anos e a taxas entre os 40 e os 50%, o volume de compras que fazem no distrito.

Em quarto lugar enquanto destino de exportação surge Angola, país para o qual as exportações do distrito cresceram 378% nos últimos cinco anos. De destacar também o Brasil, que passou a absorver 2% das exportações do distrito, resultado de uma subida de vendas para aquele país na ordem dos 270% nos últimos cinco anos. O mesmo sucedeu com destinos como Marrocos e Hong Kong, que apesar de absorverem (cada um) apenas 1% das exportações de Leiria, registaram uma subida de 113% e 510%, respectivamente, entre 2005 e 2010.

«Apesar de haver ainda uma forte preponderância do mercado espanhol no comércio internacional do distrito, o tecido empresarial aproveitou, nos últimos anos, o ciclo positivo de países como Angola, Brasil e Hong Kong para diversificar os mercados de exportação», justifica Márcio Lopes.

O resultado deste esforço de diversificação de mercados está patente na evolução das exportações extracomunitárias no distrito de Leiria, que subiram 80% entre 2005 e 2010 (muito acima da subida de 48% registada no país), passando a representar 23% do total vendas ao exterior.

As secções que, em termos percentuais, mais produto colocam fora da União Europeia, são as de Material de Transporte (31%), Metais (31%), Produtos Vegetais (28%) e Máquinas Aparelhos e Moldes (28%).

Ainda em matéria de destino de exportações, destaque para as quedas registadas nesta meia década para países como Estados Unidos (-3%), Reino Unido (-24%), Itália (-10%) e Bélgica (-33%).

China é quinto maior fornecedor do distrito

Quanto aos países de onde provêem os produtos importados, no topo, e de forma distanciada, surge Espanha, representando 37% do total importado e com um crescimento de 7% face a 2005. De seguida surgem a Alemanha (9%), França (8%) e Itália (8%), embora as importações destas proveniências tenham caído entre 15 a 17% nos últimos cinco anos. A perder terreno estiveram também a Bélgica (-11%) e os Estados Unidos (-25%). Estas quebras serão resultado da conquista de terreno por parte da China, mercado que vendeu para Leiria mais 308% face a 2005, tendo passado a ser o quinto mercado fornecedor do distrito, com 7% das importações totais. Em grande escalada está também o Brasil, responsável por 5% das vendas a Leiria, num crescimento de quase 100% nos últimos cinco anos.

Pouco expressivo (vende apenas 1% de tudo o que o distrito compra), mas também em crescimento, está a Índia, cujas vendas avançaram 129% na última meia década.

O distrito de Leria apresenta um saldo comercial positivo com países como Alemanha (129 milhões de euros), França (125 milhões de euros), Angola (72 milhões de euros), Reino Unido (32 milhões de euros) e Estados Unidos (32 milhões de euros). Já em situação deficitária está com a China (-56 milhões de euros), Itália (-50 milhões de euros), Brasil (-31 milhões de euros), Países Baixos (-21 milhões de euros), Espanha (-17 milhões de euros) e Bélgica (-3 milhões).

Matérias-primas e maquinaria no topo das importações

Curioso é olhar para as secções que o distrito de Leiria importa e constatar que são praticamente as mesmas que exporta.

A composição das importações reflecte o peso da indústria na economia do distrito – mais de metade das importações dizem respeito a matérias-primas como o plástico e os metais, bem como a maquinaria, moldes e produtos químicos – evidenciando um modelo de comércio internacional intra-industrial. Mas existe outra explicação: a segmentação.

«Os números sugerem que o modelo de comércio internacional do distrito assenta em vantagens competitivas muito bem segmentadas. É um modelo sofisticado de especialização e segmentação. Por exemplo, o distrito exporta moldes sobretudo para o sector automóvel, e importa moldes para outros sectores. As indústrias do distrito são competitivas em nichos de mercado específicos», explica ainda Márcio Lopes.

Entre as principais secções que participam no comércio internacional do distrito, as que apresentam um saldo comercial positivo são as de Pedra Cerâmica e Vidro (180 milhões de euros), Metais (61 milhões de euros), Máquinas Aparelhos e Moldes (45 milhões de euros), Indústria Alimentar e Bebidas (41 milhões de euros) e Calçado (17 milhões de euros).

Já com saldo comercial negativo surgem a Indústria Química e conexa (-32 milhões de euros), os Animais e Derivados (-29 milhões de euros), os Têxteis (-22 milhões de euros), o Plástico (-17 milhões de euros), o Material de Transporte (-8 milhões de euros), os Vegetais (-4 milhões de euros) e a Madeira (800 mil euros).

As maiores subidas de importações face a 2005, em termos percentuais, pertencem aos produtos da Indústria Química e Conexa, seguida dos produtos da Indústria Alimentar, enquanto as maiores descidas, também em termos percentuais, estarão relacionadas com a quebra no sector da construção, uma vez que pertencem à secção de Pedra, Cerâmica, Vidro e Cimento, logo seguida das Máquinas, Aparelhos e Metais, registando-se também um decréscimo, embora menor, nos Têxteis e no Calçado.

Caracterização do comércio internacional do distrito de Leiria*

1 – Exportações compostas essencialmente por produtos industriais de médio valor acrescentado
2 – Comércio intra-industrial (importação de matérias-primas, ferramentas e equipamento industrial e exportação do produto transformado)
3 – Modelo sofisticado de especialização e segmentação (exportação de produtos para nichos de mercado específicos de determinado sector e importação dos restantes produtos desse mesmo sector)
4 – Esforço de diversificação de destinos de exportação para fora da União Europeia.

*por Márcio Lopes, docente na ESTG

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