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Actualidade

O empresário é um artista?

Célia Marques
(Artigo publicado na revista 250 Maiores Empresas de Leiria, publicada pelo Jornal de Leiria dia 29 de Novembro de 2009

A inovação, em sentido lato, não só está na origem de novas empresas, como é crucial ao seu desenvolvimento. Indissociável do acto de criar, a inovação atribui aos empresários o estatuto de artistas. Também eles se deixam conduzir por territórios nunca antes pensados e conquistados.

Existe um conjunto de factores coincidentes que levam a crer que também os empresários têm uma veia artística. Atente-se às palavras de Mozart: «Não consigo escrever poesia: não sou poeta. Não consigo dispor as palavras com tal arte, que reflictam a sombra ou a luz: não sou pintor… Mas consigo fazer tudo isso com a música».

O que são, afinal, a criatividade e a genialidade, e que ligação têm com o mundo empresarial? Um artista cria algo a partir no nada. Tal como a maioria dos empreendedores. Só que em vez de telas, papel, ou instrumentos musicais, fazem-se rodear de pessoas e capital, ingredientes que dão origem a novos produtos e serviços que espelham a sua identidade. Exemplos? Jeff Bezoes, fundador da Amazon, assume-se totalmente orientado para o cliente e a Amazon distingue-se, sobretudo, pela qualidade do seu serviço. Steve Jobs é um tirano do design e fez da Apple uma empresa mundialmente conhecida pela estética dos seus produtos.

Não raras vezes, o empreendedor não tem um modelo de negócio definido, nem um caminho claro, mas não se inibe de avançar e – por tentativa, erro e persistência – chegar onde nunca antes tinha pensado. Tal como o escultor trabalha um bloco tosco, martelada a martelada, até obter um resultado que o satisfaça.

E que parte do cérebro utiliza Steve Jobs quando se debruça nas suas criações? Quer a ideia, ou solução, residam no subconsciente – ou como defendem alguns, no consciente universal a que de alguma forma o cérebro tem acesso – o processo não será muito diferente do que levou Mozart a descobrir a harmonia em notas discordantes e contraditórias, do que conduziu Einstein à teoria da relatividade, ou às primeiras pinceladas de Van Gogh, acreditando que um padrão emergiria se confiasse nos instintos e tivesse a coragem de os seguir.

As comparações são do conhecido realizador indiano Shekhar Kapur, do oscarizado Elizabeth, e surgem num artigo onde analisa o lado artístico dos empreendedores, e destaca, como principal semelhança, a coragem de criar a partir do nada.

Mas e a coragem? O que determina a sua grandeza e de onde virá? Dos genes associados ao gosto pelo risco que tanto artistas como empreendedores terão? Shekhar Kapur acredita que a coragem surge da paixão, um ingrediente tão presente no verdadeiro empreendedor como no artista, que leva, instintivamente, a fazer as coisas de uma forma diferente do habitual.

Foco e disciplina

Nos negócios, tal como na arte, a criatividade não é tudo. Os empreendedores são criativos, têm milhões de ideias, e vêem oportunidades em todo lado, mas sem o foco e a disciplina que conduzem à execução e aos resultados, a criatividade de pouco vale.

Os estudiosos da temática apontam outra semelhança: os empreendedores, tal como os artistas, permanecem verdadeiros à sua visão e tendem a conhecer apenas o seu modo de fazer as coisas. Por mais sugestões que recebam. Para o empreendedor, as boas práticas representam apenas um conjunto de ferramentas que permitem dar a conhecer e materializar a sua visão. Tal como a técnica para os artistas. A justificação é a mesma para ambos: ao aceitar sugestões deixam de sentir a obra como sua.

São também inúmeros os exemplos – e uma vez mais, estreita a ligação ao meio artístico – no que toca a sacrificar o bem-estar material presente pelo enfoque no trabalho criativo e auto-expressão. Artistas e empreendedores aceitam viver pior hoje para se poderem dedicar a uma ideia. Arriscam, investem em si próprios e adiam a recompensa. Quem não conhece histórias de filhos que deixam a casa dos pais por verem desaprovado um sonho, ou de empreendedores que arriscam todas as economias numa ideia?
Artistas e empreendedores têm a capacidade de fazer perdurar este tipo de sacrifício durante muito tempo, ou fazê-lo várias vezes na vida.

Uma abordagem multidisciplinar

Um criativo nasce criativo? Ou o talento em determinada área é algo que pode florescer ao longo da vida? As opiniões não reúnem consenso, mas a defesa da importância de uma abordagem multidisciplinar no fomento da criatividade tende a ser unânime.

Kevin Daum, presidente da Stratford Financial Services, conclui, num artigo intitulado “Empreendedores: os artistas do mundo dos negócios”, que muitos empreendedores têm backgrounds nas artes e aplicam esses conceitos e práticas nos negócios. Da mesma forma que artistas com conhecimentos do mundo empresarial estarão mais capacitados a fazer da sua arte um negócio e a rentabilizá-lo.

As universidades ensinam práticas relacionadas com as artes nos seus respectivos departamentos, mas raramente combinam esforços de uma forma interdisciplinar. Kevin Daum defende, no artigo citado, que ao criar abordagens interdisciplinares entre as artes e o empreendedorismo se conquistam benefícios em ambas áreas, tanto nas universidades, como nos pequenos negócios, ou nas grandes arenas corporativas.

A importância da criatividade nos negócios

Não é por acaso que a Comissão Europeia tomou a iniciativa de designar 2009 como Ano Europeu da Criatividade e Inovação (AECI). Num mundo globalizado, onde a informação corre à velocidade da luz, a cópia se institucionalizou e os factores de produção são desiguais, a criatividade assume uma importância nunca antes vista. É a base da diferenciação, tida como um dos principais factores de competitividade.
O Ano Europeu da Criatividade e Inovação pretende lançar pontes entre o mundo da criatividade, da inovação, das artes e das tecnologias e o mundo empresarial, mostrando, com exemplos concretos, o interesse em associar estes dois conceitos num certo número de domínios, como as escolas, as universidades e os organismos públicos e privados.

O objectivo do AECI 2009 – que tem como lema “Imaginar-Criar-Inovar” – é promover a criatividade junto de todos os cidadãos enquanto motor de inovação e factor essencial do desenvolvimento de competências pessoais, profissionais, empresariais e sociais, bem como contribuir para o intercâmbio de experiências e boas práticas, estimular a educação e a pesquisa e promover o debate político e o desenvolvimento.

Entre algumas ideias e abordagens transversais no âmbito do AECI 2009, contam-se a promoção da actividade artística e outras formas de criatividade, desde a pré-escola ao ensino básico e secundário, incluindo o pensamento inovador e a capacidade de resolver problemas de forma criativa.

Defende-se ainda a importância da manutenção do compromisso com todas as formas de criatividade, ou expressão criativa, ao longo da vida, e da diversidade cultural enquanto fonte de criatividade e inovação.

Não menos importantes são as tecnologias de informação e comunicação como meios de criatividade e expressão criativa, e o desenvolvimento de uma vasta compreensão dos processos de inovação e maior atitude empreendedora como pré-requisito para uma prosperidade continuada. Sem esquecer a indústria cultural e criativa, incluindo o design, onde o estético e o económico se encontram.

Criatividade como técnica de resolução de problemas

Para os que vêem a criatividade como mais do que um talento nato, e sob a premissa de que todos se podem tornar pensadores criativos desde que com o treino adequado, a Nova Etapa, empresa de consultadoria e formação de recursos humanos, lançou o curso Creative Thinking.

A formação de sete horas dirige-se a administradores, quadros superiores e médios, profissionais liberais e formadores, e tem como objectivos dotar os formandos de técnicas de criatividade e ensiná-los a aplicá-las nos mais diversos contextos. A formação pretende ainda ajudar a aumentar a capacidade de resolução de problemas de forma original e a dominar as técnicas de criatividade na tomada de decisões.

«Existem diversos mitos sobre criatividade. Desde que é exclusiva das mentes jovens, que está relacionada com o QI ou indissociável da assunção de riscos. Nada mais falso. Criatividade é uma capacidade do ser humano e, tal como todas as outras, pode e deve ser treinada e estimulada. Para bem de todos, principalmente da economia nacional, é bom que os portugueses comecem a ser mais criativos no seu dia-a-dia», defende António Mão-de-Ferro, director-geral da Nova Etapa.

A consultora está sedeada em Lisboa, conta com filiais no Porto, Coimbra e Quarteira e parcerias em todo o país.

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