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Actualidade

«Esta é a primeira crise realmente colectiva das últimas décadas»

Célia Marques
(Artigo publicado na revista 250 Maiores Empresas de Leiria, editada pelo Jornal de Leiria e distribuída a 21 de

A crise impõe uma mudança do paradigma sócio-económico que resolva o problema central da humanidade: um colectivo governado por valores individualistas. As verdadeiras oportunidades estão em criar um sistema novo, uma forma nova de medir e definir o “progresso”, “bem-estar”, criação e distribuição de riqueza, defende Younis.

Quais os principais ensinamentos da crise financeira?
Em primeiro lugar, é preciso mudar o vocabulário com que se analisa esta crise, que não é dos bancos, mas criada pelos banqueiros, da mesma forma que não é dos governos, mas dos governantes. Segundo, a humanidade está a participar, pela primeira vez nas últimas décadas, num debate sobre a pobreza dos ricos. Não existe histórico que diga como tratar este tema e pede-se aos pobres que paguem pelos erros dos outros. Os que contavam triliões de lucro há uns meses estão agora a chorar miséria e esperam que os governos – que outrora repudiaram – lhes apontem saída. Em terceiro lugar, surgiram muitas soluções alternativas e valia a pena avaliar os benefícios de cada uma delas: criação de liquidez directa no sistema; investimento em capital e acções dos que têm problemas, e compra, por parte do governo (com o dinheiro dos impostos) dos que chegam a estado de falência. Os interesses político-económicos procuraram soluções que beneficiam os que sempre foram beneficiados com a economia. Ninguém está preocupado com os pobres, os sem abrigo, os velhos, os reformados… Finalmente, aprendemos que esta é a primeira crise realmente colectiva das últimas décadas, ou séculos, e não temos organizações que actuem em benefício do bem colectivo. É o problema central da humanidade: somos um colectivo governado por valores materialistas e individualistas, o que exige uma mudança radical do paradigma sócio-económico, e a mudança deve ser feita de forma colectiva. Esta crise nasce da nossa crise interior, a crise espiritual.

Que oportunidades emergem e em que sectores?
Existem sempre oportunidades. O famoso filósofo chinês Lao Tse dizia que não devíamos cantar muitas vitórias, porque atrás de cada uma existe um funeral. A recompra de activos em Bolsa a menos 90% é benefício para uns e definhamento para outros. O sistema capitalista actual oferece algumas oportunidades de curto-prazo, mas com sérias limitações a longo-prazo. Os bancos podem ser comprados, tudo o que não está a funcionar pode ser adquirido, o problema é que isso significa reproduzir um sistema que está em crise, e levará ao acentuar da mesma. As verdadeiras oportunidades estão em criar um sistema novo, uma forma nova de medir e definir o “progresso”, “bem-estar”, criação e distribuição de riqueza…

Que futuro para Portugal neste contexto?
Este pode ser o momento crucial para Portugal redefinir o seu futuro. Uma agricultura totalmente biológica, um sector de farmacologia natural, beneficiando de todos os avanços da medicina alternativa, um sector de pequenas e médias empresas que criem muito emprego a nível rural e das cidades intermédias, uma base energética com fontes totalmente renováveis, um sistema educacional para criar o português do terceiro milénio e criar formas de organização privadas e públicas que tenham em conta o colectivo e não apenas o individual.

Assistimos a acções concertadas entre países, como forma de responder à crise financeira. É o indício de uma visão mais holística do mundo e da competição a dar lugar à cooperação?
Os países não estão a fazer quase nada e o que fazem é pensado neles. Os Estados Unidos estão a emitir mais moeda como paliativo para a crise, mas isso está a criar problemas monetários e financeiros a nível mundial. Por outro lado, a Comunidade Europeia, embora a actuar a um ritmo mais cauteloso, está também a tentar salvar um sistema que já está obsoleto. No entanto, estou certo que a Europa tem a última palavra. Existe uma visão holística porque somos obrigados a pensar no nosso destino colectivo, mas antes disso temos de criar esse ser global que é, por natureza, colectivo. Um SER que tem a habilidade para se transformar no outro sem perder a identidade. O pensamento continua a ser fragmentado. Só encontraremos a visão holística quando auto-realizarmos o amor, a compaixão, a interdependência e paz e outros estados do ser. O conhecimento é o resultado do nosso estado de consciência e a união, o yoga do conhecimento, requer esta auto-realização interior.

No seio das empresas, que valores vão emergir e quais perderão importância?
É difícil responder a essa pergunta. O que é certo é que os seres humanos têm de comer, conviver, ter saúde. Isto leva-nos a repensar quais os sectores-chave na oferta destes bens e serviços. É preocupante que o preço dos alimentos esteja sempre a subir. É perigoso que o preço do petróleo seja tão imprevisível. É muito delicado que existam elevados níveis de desemprego. Temos de retomar o nosso sentido comum, que envolve o individual e o colectivo. Em relação aos valores, penso que os da concorrência, exclusão e competitividade deverão ser acrescidos, ou substituídos, pelos da cooperação, distribuição e equidade, porque representam os valores da humanidade como um colectivo. Para sair da crise devemos propor uma grande revolução de valores em todos os sectores e actividades de transformação humana. No fundo, a crise que atravessamos é uma crise de valores.

A crise veio reforçar o poder dos países emergentes face à Europa e Estados Unidos? O que pode esperar-se em termos de alterações geo-políticas?
Penso que não haverão grandes alterações geopolíticas na Europa. Tem uma mentalidade excessivamente proteccionista e portanto existirão muitos “filtros” para que a geopolítica se mantenha igual. No entanto, todos os países devem ter elevado grau de flexibilidade, para evitar que a crise económica se solucione com uma crise bélica, o que seria uma tragédia. Em termos de geopolítica mundial, é possível que seja uma grande oportunidade para olhar para os países africanos, que podem sair desta crise muito fortalecidos, mais do que os de rendimentos médios, ou industrializados. Quando falamos de poder, é importante dar maior ênfase ao poder interior, da consciência, que não só nos salva desta crise, como evitará novas crises mundiais. Portugal devia continuar a ser o arquitecto de uma nova forma de progresso e bem-estar colectivo. Assim não nos preocuparemos tanto com o material e colocaremos uma maior ênfase no poder e bem-estar espiritual.

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