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Actualidade

Caldas da Rainha: ciclo industrial da produção de cerâmica está a chegar ao fim

A concretizar-se o encerramento da maior unidade de produção da fábrica Bordalo Pinheiro, que tencionava suspender a laboração em Janeiro, chega ao fim a era industrial da produção cerâmica decorativa e de uso doméstico nas Caldas da Rainha, revela a agência Lusa.

«Estamos a chegar ao fim da produção em massa», disse à Lusa o economista José Luís Almeida, autor em 2002 de um estudo sobre os cenários para as indústrias dos sectores industriais em Portugal no horizonte de 2010-2015.

A crise dos mercados financeiros veio acentuar as dificuldades de sobrevivência de um sector que dependia das encomendas de grandes clientes americanos e que há anos vinha a sentir a concorrência dos mercados asiáticos, baseada numa produção massificada e numa mão-de-obra barata.

Os problemas com o escoamento de stocks vieram pôr em causa os próprios modelos de gestão destas fábricas, assentes em linhas industriais de produção.

Todas as unidades de produção têm vindo a fechar, como aconteceu à Secla em Julho, restando apenas duas: as centenárias Faianças Artísticas Bordalo Pinheiro, que parecem não escapar à crise do sector, e a Molde cujas dificuldades afectam já os seus trabalhadores.

Para o economista, a salvação do sector poderá passar por «reinventar as peças de Bordalo Pinheiro», valorizando não a loiça utilitária mas as criações artísticas de Rafael Bordalo Pinheiro, como o Zé Povinho, que continuam a ser feitas à mão.

«São peças mais valorizadas pelos mercados mas foram as peças que as fábricas foram deixando de fazer», diz por seu turno João Bonifácio Serra, historiador e docente da disciplina de património na Escola Superior de Artes e Design de Caldas da Rainha, para quem «se corre o risco de deitar fora» toda esta produção de elevada qualidade.

«Este sector tem de se reestruturar, ter stock, estar junto dos distribuidores e estar ligado ao mundo da decoração e ao turismo cultural», alerta.

A falta de mãos a medir dos ceramistas Elsa Rebelo e João Adelino (Bordalo Pinheiro) para a «chuva de encomendas» de peças artísticas feitas com talento e dedicação a partir dos moldes originais do artista prova isso mesmo.

Enquanto mostram a lagosta gigante que estão a produzir pela primeira vez desde Rafael Bordalo Pinheiro para a artista plástica Joana Vasconcelos, ambos referem que este género de produção direccionada a pequenos nichos de mercado «tem aumentado».

Também a afluência de clientes desde vésperas de Natal à loja existente na fábrica, perante as notícias que apontavam para a suspensão da laboração, parece também não deixar margens para dúvidas, obrigando os funcionários a repor os stocks com frequência.

«Vim porque ouvi dizer que ia fechar e gosto imenso desta loiça» foi a resposta de vários clientes à agência Lusa.

«Tem havido uma afluência fora do normal às peças artísticas, mas as utilitárias também estão a vender-se muito bem», confirma uma funcionária da loja, enquanto embrulha um prato verde a imitar uma couve.

É uma das peças que corre o risco de deixar de se vender, caso a Bordalo Pinheiro venha a fechar a unidade que emprega 150 trabalhadores na produção da cerâmica de uso doméstico que muitos clientes usam também para fins decorativos.

Lusa

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