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Empresas

Quando a segunda geração abre fronteiras

Célia Marques
(Artigo publicado na revista Jovens Empresários, editada pelo Jornal de Leiria e distribuída com a edição de 22 de Maio de 2008 daquele semanário)

As vicissitudes da vida deixaram-no, aos 23 anos, a braços com a empresa que o pai fundou. Estava no terceiro ano de Gestão e Engenharia Industrial e era ainda visto como um miúdo, mas arregaçou mangas e colocou a MBM entre as quatro maiores na área dos equipamentos de elevação.

Pedro Ribeiro assumiu a MBM quando esta se encontrava mais vocacionada para a área metalúrgica e se ressentia da crise do mercado. Percebeu a importância apostar na especialização e encontrou nos equipamentos de elevação – pontes rolantes – um oportunidade para se diferenciar no mercado.

A negociação de contratos para a representação exclusiva, em Portugal, das principais marcas europeias de motores para pontes rolantes representou o primeiro passo, e a escalada para uma nova fase.

«Não foi fácil. As pessoas viam em mim um miúdo. Algumas, menos sérias, aproveitaram-se da situação, outras foram embora da empresa nessa altura, o que me obrigou a acumular cargos», explica, relembrando as negociações com as marcas, em que ele e um amigo, igualmente jovem, que falava alemão – tiveram de se fazer passar por mais velhos. Prosseguiu, em simultâneo, os estudos, uma formação que se revelou «importante para o posicionamento no mercado», explica.

Hoje, a MBM tem a representação exclusiva de algumas das principais marcas europeias de motores de elevação, para além de projectar, executar a montagem das estruturas metalomecânicas, e de assegurar uma rede de distribuição de acessórios para fixação das cargas, produtos complementares às pontes rolantes.

Perto de atingir a maturidade no mercado nacional, Pedro Ribeiro sentiu necessidade de começar a projectar a empresa além fronteiras. Aos condicionalismos da exportação de um produto de grandes dimensões – em que o custo de transporte conduz à perda de competitividade – a MBM vai responder com o desenvolvimento de um produto novo, «que poucos fazem no mundo», e que representa um novo conceito de movimentação de cargas: os pórticos auto-motores.

A vantagem deste produto, que será apresentado ao mercado no final do ano, assenta no facto de poder enviar-se num contentor para qualquer parte do mundo, acompanhado do técnico para fazer a montagem, ou apostando em agentes locais que a assegurem, quando o potencial de mercado assim o justificar.

Uma estrutura pequena assegura o desenvolvimento do produto a preços competitivos e a sua colação em mercados como o brasileiro e angolano, embora acredite que «terá receptividade em qualquer parte do mundo».

Potenciais clientes são «todos os que operam na área industrial, nomeadamente os fabricantes de estruturas metálicas e em betão, construção naval, indústrias que envolvem movimentação de cargas pesadas e de grande dimensão. No que toca ao betão, os países em vias de desenvolvimento apresentam um grande potencial», explica.

Este novo produto deverá representar 30% da facturação da empresa dentro de dois a três anos, e o mesmo incremento de facturação nesse período de tempo. Em 2007, a facturação da MBM cresceu 40% para os 3,5 milhões de euros.

Bichinho empreendedor

Sempre pensou dar continuidade ao negócio da família «e hoje estaria, seguramente, a fazer o mesmo». O bichinho foi-lhe incutido pelo pai, que o levava com ele quando tinha apenas oito anos e o apresentava como sendo o “engenheiro da empresa”. «Era uma pessoa empreendedora, muito dedicada e com visão para a época. Andar com ele desde cedo trouxe-me o gosto pelos negócios», recorda. O curso foi escolhido a pensar na continuidade e revelou-se «o ideal para empresas familiares de pequena dimensão».

As diferenças entre gerações são gritantes. «Os jovens conhecem mais mundo, falam línguas, são mais empreendedores e começam mais cedo, com mais ambição e mais visão. Acabam por ser uma mais-valia também mais cedo para as empresas familiares», adianta.

Mas nem tudo é fácil. «Os mais velhos têm dificuldade em dar um voto de confiança aos mais novos, falta alguma abertura na geração dos 40 aos 60. Conheço casos de filhos que compraram a empresa aos pais, porque a abordagem de mercado era diferente. Queriam avançar com produtos novos e vocacionar a empresa para a internacionalização», explica.

O empreendedorismo «está no sangue» e é para a internacionalização que segue a MBM. Motivações? «Fazer da empresa uma referência no mercado internacional».

Pedro Ribeiro
34 anos
Licenciado em Gestão e Engenharia Industrial, pelo ISCTE
Para dinamizar o empreendedorismo…
As associações deviam dar um apoio mais forte, em redes de contactos e feiras no exterior, com resultados práticos. Os jovens deviam ser inseridos mais cedo no mercado para despertarem para o empreendedorismo.

Na imprensa em 2020
«MBM é referência no mercado internacional»

O empreendedor é…
Persistente e ambicioso

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