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Actualidade

A arte de criar

Célia Marques

(Artigo publicado na Revista Jovens Empresários, editada pelo Jornal de Leiria, distribuída com a edição de 22/05/2008 do semanário)

Não é por acaso que está na ordem do dia. A actividade empreendedora é determinante na criação de emprego e riqueza. Portugal está entre os países que mais empreendem, mas também na lista dos que mais desistem. E Leiria é o sétimo distrito do país com mais empresas.

O empreendedorismo é uma questão de atitude perante a vida e os negócios. O empreendedor é alguém que persiste, que aceita desafios e vê oportunidades de crescimento onde outros encontram entraves. É aquele que arrisca criar algo novo, ou acrescentar valor ao que já existe, em troca de satisfação pessoal e independência monetária.

O empreendedorismo envolve não só o desenvolvimento de novos negócios, como a identificação de novas oportunidades em organizações já existentes, que actuam em ambientes de forte competitividade e constante mudança. Está presente nas empresas privadas, mas pode também florescer na administração pública, e não se dissocia do conceito de inovar. Empreender é também fazer diferente, optimizar.

Para o reconhecimento de novas oportunidades contribuem essencialmente dois factores: o conhecimento prévio que se detém na área em causa, e as aptidões intelectuais que actuam na avaliação dessas oportunidades. Segundo o Guia do Empreendedorismo, elaborado pela Associação para o Desenvolvimento Económico e Social (SEDES), os empreendedores estão, por norma, muito próximos do problema, ou da oportunidade, em termos de competências, conhecimento, ou recursos, e a grande maioria não sonha com ideias radicais. Os empreendedores tendem a iniciar actividade numa área em que já possuem algum conhecimento do mercado, do processo de produção, ou das oportunidades existentes.

Aos empreendedores associam-se características como a ambição, coragem, determinação, auto-confiança, curiosidade, independência, capacidade de trabalho, motivação e optimismo. A capacidade de arriscar e o sentido de oportunidade estão presentes, a liderança e sentido de responsabilidade são inerentes. O sucesso dependerá também da capacidade de organização e delegação.

E o que condiciona o sucesso do empreendedorismo em Portugal? A SEDES identifica barreiras estruturais como o apoio financeiro, a burocracia na relação com o Governo e o facto do ensino não estar ajustado à prática do empreendedorismo, não promovendo a criatividade e o espírito inovador. Quanto aos obstáculos inerentes ao próprio empreendedor, o Guia do Empreendedorismo destaca a falta de objectividade da ideia, um conceito de negócio mal definido, a inexperiência e a desvalorização das reais necessidades dos consumidores e do mercado. A estes soma-se a falta de capitais próprios, a ausência de plano de negócios e o facto do produto, ou serviço, não acrescentarem nada de novo.

Os empreendedores, e as actividades que desenvolvem, giram em torno de três elementos essenciais: a oportunidade, o risco e a recompensa. Ao embarcar na aventura da criação, o empreendedor arrisca a segurança financeira pessoal e o capital social, antecipando potenciais recompensas, mas sem nenhuma garantia de sucesso.

Começar do zero não é fácil. Não existe histórico, reputação ou marca solidificada, o conhecimento que se tem do mercado, nomeadamente dos clientes, não abunda, e falta poder negocial para conseguir condições vantajosas junto da banca. Os conhecimentos de gestão são muitas vezes inexistentes, ou meramente académicos. As estatísticas demonstram que os primeiros três anos são os mais difíceis. A partir daí, a probabilidade de sucesso, e recompensa, passa a ser mais consistente.

Portugal entre os que mais empreendem e mais desistem

Os números do último Global Entrepreneurship Monitor (GEM) – o maior estudo independente do mundo sobre a actividade empreendedora, abrangendo 58 países, representativos de mais de 90% do PIB mundial – atribuem a Portugal uma actividade empreendedora que ultrapassa países como a Finlândia, França, Itália e Japão, Espanha, Suíça e Estados Unidos.

Segundo o GEM, a actividade empreendedora em Portugal abrangia, em 2007, 15,4% da população activa, destacando-se os empreendedores há menos de três meses, que representavam 4,8% da população activa. Dentro do grupo dos países de elevado rendimento, apenas a Islândia (8,5%), Hong Kong (5,7%) e os Estados Unidos (6,5%) superavam o dinamismo português.

Cerca de 56% dos empreendedores portugueses com menos de 42 meses de actividade admitem ter sido conduzidos pelo surgimento de uma oportunidade que lhes permitia aumentar o rendimento e ser mais independentes.

No reverso da medalha, Portugal é também dos países que apresenta a maior taxa de venda, ou desistência do negócio, sendo vencido apenas por Hong Kong, Estados Unidos e Emiratos Árabes Unidos. O maior motivo apontado pelo grupo dos desistentes é o facto do negócio não ser rentável, logo seguido de motivações pessoais.

No que toca à intenção de empreender, 23% da população activa portuguesa revela ter uma percepção positiva das suas capacidades nesta área, e reconhece oportunidades junto ao local onde reside. No então, e embora não sejamos os mais temerosos, o medo de falhar impede 37% de dar o passo em frente, reduzindo para apenas 10% os que têm intenções de enveredar pelo empreendedorismo nos próximos três anos.

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