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Empresas

Prélis introduz tijolo térmico em Portugal

Célia Marques
(Artigo publicado na Revista 250 Maiores Empresas do Distrito de Leiria, editada pelo Jornal de Leiria, distribuída com a edição de 22/11/2007 do semanário e de 24/11/2007 do Público).

Há quatro gerações no mercado, a Prélis – anterior J. Monteiro & Filhos –procura retirar partido do alargado leque de oportunidades da construção sustentável, cada vez mais em voga. A empresa foi pioneira na introdução de tijolo térmico em Portugal. Apenas a ponta do iceberg.

O sector da construção envolve múltiplos actores e um quadro legislativo que dificulta o processo de inovação. José Luís Ferreira, responsável pela empresa, defende um trabalho feito em parceria, e aponta o exemplo do Agrupamento Complementar de Empresas, que assume a designação de NAC – Novas Alvenarias Cerâmicas, onde 20 empresas trabalham novas soluções e promovem as sua vantagens junto dos intervenientes no sector.

Em causa está a concepção de materiais mais resistentes, com melhores propriedades térmicas e acústicas, um trabalho desenvolvido em parceria com a Universidade de Coimbra, do Minho e do Porto. «O tijolo térmico pode ser autoportante, ou seja dispensar pilares e está sub-aproveitado – utiliza-se apenas para enchimento – porque há um bloqueio jurídico-legal que não permite ir mais além», explica.

As outras vantagens estão implícitas na sua designação. O tijolo térmico tem uma matéria-prima, dimensão e organização diferentes, que permitem reter o calor e libertá-lo de forma progressiva. Resultado: gasta-se menos para aquecer e arrefecer as casas, reduzem-se as suas emissões de CO2 e obtêm-se melhorias da qualidade do ar interior. Elementos chave quando se fala de bioarquitectura e construção sustentável.

A complexidade dos materiais exige que se preste também um trabalho de consultoria ao cliente, explica José Luís Ferreira. «É preciso perceber que as paredes das casas têm vida própria, dilatam e contraem com as variações de temperatura. Não basta adoptar bom material, é preciso aplicá-lo correctamente e ter um projecto arquitectónico concebido de acordo com a acção do sol e dos ventos. Cumpridos estes requisitos, aquecer e arrefecer a casa pode custar zero», explica, relembrando que o novo regulamento do comportamento térmico dos edifícios vem exigir maior atenção a estes factores.

Um mundo de oportunidades

A Prélis tem ainda em desenvolvimento um produto que absorve as radiações electromagnéticas e um tijolo que permite passar cablagem sem partir a cerâmica. O objectivo passa por chegar a materiais para construção de paredes totalmente biodegradáveis, recicláveis e que absorvam os odores e a humidade. Melhorias que visam responder às necessidades do mercado: melhorar a resistência para evitar desperdícios, ajustar as dimensões aos vários segmentos do mercado para rentabilizar a mão-de-obra e aumentar a produtividade. Sem esquecer a segurança no transporte e em obra.

A inovação no produto obriga a inovar no processo produtivo. A alteração de dimensões exige ajustes nos automatismos. É ainda necessário optimizar o processo de cozedura e secagem, reduzir o consumo de energia – que representa mais de 50% do custo de produção e funciona como «travão à apresentação de novos produtos» – e as emissões atmosféricas.

As questões energética e ambiental andam lado a lado e estão a distorcer a concorrência. «Quem lidera os preços no mercado é quem mais polui. É o chamado dumping ambiental», explica, salientando que se fosse fácil deslocalizar, ou tivesse dimensão para isso, já o teria feito. «O Estado está a sanear as contas à nossa custa, e a União Europeia a expulsar as empresas industriais do espaço europeu. O tijolo térmico reduz as emissões de CO2 das casas, mas para o produzir tenho de comprar direitos de emissão. É um contra-senso e um desincentivo», justifica.

A facturação da Prélis em 2006 ascendeu a seis milhões de euros, dos quais 10% advêm de exportações para o mercado espanhol.

Ponto Forte
Capacidade de inovar e de se relacionar flexibilidade em função das necessidades dos clientes.

Ponto Fraco
Dimensão. Falta de meios para promover o esforço de diferenciação por via do valor acrescentado que tem sido feito.

Oportunidade
O despertar para a biodiversidade e construção sustentável, como algo que se pode traduzir na redução de custos de manutenção dos edifícios (aquecimento, arrefecimento), durabilidade, salubridade e conforto das casas.

Ameaça
Não conseguirmos fazer compreender a importância da sustentabilidade enquanto valor económico. As questões energético-ambientais.

O que é uma grande empresa?
Aquela que de uma forma sustentada mantém elevados níveis de rentabilidade, sem ter um negócio à sombra do Estado.

O que determina a longevidade das empresas?
A estratégia e a continuidade da gestão. As falências acontecem por mudança de dimensão que a estrutura não acompanha ou descontinuidade na gestão.

Inovar é…
Um processo de evolução natural. Uma consequência de estar atento aos mercados, recursos, processos e relacionamentos.

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