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Actualidade

Entre a investigação e o mercado

Célia Marques

(Artigo publicado na Revista 250 Maiores Empresas do Distrito de Leiria, editada pelo Jornal de Leiria, distribuída com a edição de 22/11/2007 do semanário e de 24/11/2007 do Público).

A Oficina de Transferência de Tecnologia e de Conhecimento (OTIC) do Instituto Politécnico de Leiria faz chegar às empresas – e ao mercado – projectos de investigação desenvolvidos no seio do IPL, e procura responder às necessidades de investigação das empresas. O balanço é positivo.

Não basta investigar, é preciso concretizar a investigação, aplicá-la à resolução de problemas e necessidades do mercado. Este é o princípio que serviu de base à criação das OTIC, e a do Instituto Politécnico de Leiria (IPL) não é excepção.

«Começámos por perceber o que fazíamos de melhor, o que tínhamos para oferecer em termos científico-tecnológicos. Temos docentes com trabalho reconhecido a nível nacional e internacional, que é preciso fazer chegar às empresas e ao mercado. A OTIC encarrega-se de fazer essa ligação, contactando as empresas nesse sentido», explica Leopoldina Alves (na foto), directora-executiva da OTIC do IPL.

A relação é bidireccional. A OTIC recebe também pedidos de empresas que pretendem desenvolver investigação em determinadas áreas, mas que não têm possibilidade de o fazer internamente. «Depois de auscultadas as pretensões da empresa é reunida uma equipa multidisciplinar e traçado o esqueleto do trabalho a desenvolver», explica a responsável. Frutífero é também o trabalho prospectivo realizado por iniciativa da OTIC no seio das empresas, porque permite perceber quais as suas necessidades, e encontrar soluções nos projectos de investigação em curso.

A OTIC tem ainda uma componente de prestação de serviços, mas em áreas que envolvem um suporte técnico-científico que as empresas não dominam. «O IPL não é uma empresa. A prestação de serviços é feita numa óptica de aplicação da investigação feita internamente. Só assim faz sentido», explica Leopoldina Alves.

Partilha de custos e riscos

Para as empresas, a principal vantagem deste tipo de parcerias é a partilha de custos e de risco inerentes a um processo de investigação e desenvolvimento. Tratando-se de um pedido de uma empresa numa área estratégica para o IPL, este poderá mesmo assumir a totalidade dos custos da investigação a desenvolver, embora se dê preferência a um «modelo de partilha, para garantir igual empenho das partes», explica.

A investigação pode desenrolar-se nas instalações do IPL, ou da empresa, dependendo da localização dos recursos a utilizar no projecto, ou mesmo recorrendo a parcerias nacionais ou internacionais, quando nem o IPL nem a empresa dispõem desses recursos.

Existe ainda uma terceira hipótese, que passa por recorrer aos programas comunitários de apoio. «Temos gabinetes de projecto para apoiar os investigadores no levantamento de programas de apoio nacionais ou internacionais, enquadráveis nos projectos em curso», explica, ressalvando, no entanto, a importância de assegurar a viabilidade do projecto, não o fazendo depender de um incentivo que pode não chegar.

Limar arestas

As empresas já começam a perceber e a valorizar a investigação enquanto suporte da inovação e diferenciação. Com o tempo e a experiência os investigadores percebem também a importância de desenvolver investigação ajustada ao mercado. Um encontro de vontades que permite que ambos saiam ganhadores.

Leopoldina Alves salienta ainda a questão dos timings: «as empresas começam a perceber que a investigação tem o seu tempo de desenvolvimento, que não pode ser tudo para ontem. Os investigadores, por seu lado, também vão percebendo que não podem estar eternamente a investigar. Têm de fechar etapas, ir obtendo resultados e encaminhando as soluções para o mercado. Os dois meios estão a convergir», explica.

O fechar do ciclo

A OTIC, enquanto serviço que consubstancia a ligação entre a investigação e o mercado, não podia ignorar a importância do empreendedorismo, nomeadamente o incentivo à criação de empresas de base tecnológica. O fechar do ciclo exige estruturas como o Centro Empreendedor, a Unidade de Ensino à Distância e a incubadora de empresas do IPL, serviços reunidos num espaço único exponenciador de sinergias e novas ideias. «A investigação, a transferência de tecnologia e o empreendedorismo não se podem separar», reforça a responsável.

A OTIC do IPL resultou da candidatura a um programa da Agência de Inovação com o mesmo nome, que viria a obter a classificação de sétimo lugar a nível nacional, entre os três institutos politécnicos e 12 universidades que viram a sua candidatura aprovada.

Percurso

Leopoldina Alves é docente na Escola Superior de Tecnologia e Gestão e directora executiva da OTIC do IPL. Em 1997 concluiu a licenciatura em Engenharia Mecânica no Instituto Superior Técnico da Universidade Técnica de Lisboa, em 2000 obteve o grau de mestre, e em 2004 concluiu o doutoramento na área da Investigação e Deformação Plástica, pelo Instituto Superior Técnico.

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