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Actualidade

As sete causas da corrupção

Célia Marques

O tema da corrupção – «aproveitamento da coisa pública em benefício individual» – é importante porque «perdemos a capacidade de inventar euros e o que nos é subtraído na corrupção tem de ser pago com impostos», afirmou Paulo Morgado, presidente da Capgemini portuguesa, depois de relembrar que Portugal já não tem política monetária, nem cambial e que a orçamental está limitada.

Presente na última conferência organizada pela revista Invest/ISLA/AIP, no auditório da Faculdade de Economia de Coimbra, Paulo Morgado enumerou aquelas que considera serem as sete causas da corrupção, apontando a cultural como a primeira. «É um crime que vai ao encontro da reciprocidade. Compensar quem nos deu alguma coisa. Não é contra natura, como matar», explicou.

A segunda causa da corrupção, segundo o responsável, deriva do peso do Estado e da burocracia. «O próprio Estado cria corrupção através de uma burocracia que não existe no mercado concorrencial», afirmou, apontando ainda a especulação, como a terceira causa para a corrupção, que exemplificou com a alteração de planos directores municipais (PDM), de forma administrativa. «A especulação é uma forma de ganhar dinheiro, mas o Estado não a deve favorecer, porque tem a obrigação de redistribuir riqueza. Os rendimentos provenientes da especulação deviam ser mais tributados», defendeu.

O presidente da Capgemini deixou ainda uma palavra à comunicação social. As amarras da comunicação representam para o autor de livros como “Contos de Colarinho Branco” e o “Corrupto e o Diabo”, a quarta causa da corrupção. «O jornalista não é verdadeiramente livre. A corrupção é um crime de prova difícil, os media vivem de publicidade e não se pode falar mal de quem anuncia. Os jornalistas acabam, mesmo sem querer, por ser coniventes».

«O clientelismo leva a que incompetentes ocupem cargos críticos para a sociedade»

As eleições surgem como a quinta causa da corrupção, aquilo que designou de eleitoralismo e clientelismo. «Quem ajuda a eleger recebe algo em troca. Colocamos muito enfoque no financiamento partidário e não no clientelismo, nos cargos para pessoas da mesma cor. O clientelismo leva a que incompetentes ocupem cargos críticos para a sociedade, onde fazem gestão de dinheiro público», adiantou.

A sexta causa da corrupção é, segundo Paulo Morgado, o abuso de poder. «O ser vivo social tem tendência para abusar do poder. Tem de haver controlo. Numa empresa privada, o gestor tem de prestar contas do que faz, o gestor da coisa pública não tem de prestar contas a ninguém. Devia ser obrigatória a publicação dos dez maiores desvios em prol da transparência da actuação pública», afirmou, advertindo para a «falsa transparência», aquela que resulta da «prestação de informação irrelevante». O abuso de poder «só se controla com transparência e o Estado tem mais obrigação de prestar contas porque o contribuinte não escolheu ser contribuinte», explicou.

A sétima causa da corrupção assenta no próprio sistema judiciário, «que não funciona». Segundo Paulo Morgado, «a lei não foi feita para punir fenómenos de corrupção» e «não vale a pena dizer que o assunto está entregue à justiça, ao mesmo tempo que se diz que o sistema judicial não funciona. Perpetua-se esta hipocrisia».

Enquanto existirem estas sete causas, «toda a conversa para acabar com a corrupção é uma perda de tempo», concluiu

«O comportamento ético tem um valor económico»

José Soares da Fonseca, presidente da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, relembrou, durante a sua intervenção, que o comportamento ético tem um valor económico. «O comportamento não ético permite um benefício a curto-prazo, mas o risco de perder credibilidade é maior. A prazo, perde-se poder negocial», explicou, salientando que, enquanto o mercado pune a falta de ética, «no sector público nada acontece»,

Rocha de Matos, presidente da AIP, defendeu que a ética nos negócios «é um vector essencial de uma nova cultura empresarial» e Carlos Encarnação, presidente da Câmara Municipal de Coimbra, colocou a ética no campo «do que se deve e não deve, pode e não pode ser feito, uma fronteira que não é apenas preta e branca», defendendo que a dimensão ética «é individual» e que «quem decide deve ser imune para não infectar o sistema».

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