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Actualidade

Inovação: o último reduto da competitividade

Célia Marques

(Artigo publicado na Revista 250 Maiores Empresas do Distrito de Leiria, editada pelo Jornal de Leiria, distribuída com a edição de 22/11/2007 do semanário e de 24/11/2007 do Público)

A inovação radical acontece apenas de forma pontual nas organizações. Mas há um conjunto de pequenas inovações que podem surgir amiúde. Basta um olhar diferente sobre as coisas.

A inovação ocorre a diversos níveis: na área tecnológica – com novos produtos e processos – e nos métodos de gestão, através da adopção de novas soluções de distribuição e logística, novas abordagens de marketing ou formas de financiamento. José Dantas, doutorado nas áreas de Inovação e Estratégia, e docente na ESTG Leiria, aponta ainda a inovação social, a que se prende com a gestão das pessoas.

«O grande problema é ligar a inovação apenas às grandes empresas e valorizar somente a designada inovação radical. A inovação que deixa o mercado boquiaberto acontece, sobretudo, nas empresas tecnologicamente evoluídas e surge apenas excepcionalmente. É como acertar no Euromilhões», explica.
Para inovar é preciso «pensar nas pequenas coisas. É o efeito cumulativo das pequenas inovações que é decisivo e distingue a empresa excelente da medíocre», adianta. A inovação apresenta-se como um estado de espírito que deve nortear a vida da organização. Se não inovar, uma empresa que hoje está na linha da frente, daqui a dois anos pode estar fora do mercado.

A inovação que ocorre com mais frequência é a de processo. Lamentavelmente, é a que não acontece dentro da organização, uma vez que se traduz, sobretudo, na aquisição de novos equipamentos. Mas até aí pode ir-se mais longe, personalizando esses equipamentos. Caso contrário – adverte – a vantagem competitiva será pontual e temporária.

No seio da organização, a inovação de produto é, por norma, a mais ignorada, da mesma forma que é descurada a que resultaria de um maior fomento do potencial criativo das pessoas. «Continuamos a contratar pessoas para lhes extrair, essencialmente, o suor. Ora, o suor dos portugueses começa a ficar demasiado caro. O mercado está disposto a pagar a denominação de origem, mas não em relação à transpiração, que é semelhante em todo lado. São os neurónios que permitem criar maior valor acrescentado», explica.

Agentes de mudança

Genericamente, fomenta-se a inovação valorizando as pessoas, dando-lhes iniciativa, promovendo o espírito de equipa, incentivando o anticonformismo e a experimentação. «É preciso aceitar a experimentação e o erro que daí decorre, levar as pessoas a questionar o status quo permanentemente», salienta.

Uma empresa que inova tem uma cultura empresarial distinta, um ambiente onde se promove a participação das pessoas que, ao serem valorizadas, terão menor tendência ao acomodamento. Até porque «querem ter parte activa na organização», reforça.

Quantificar a inovação

A inovação reflecte-se na produtividade, na quota de mercado e ainda – «um problema crónico para as empresas» – na satisfação do mercado. «As empresas tendem a produzir o que têm competência para produzir, e depois ficam à espera que o mercado adira, quando idealmente a inovação deve ter como génese o mercado», explica.

O desenvolvimento de novos produtos tem de ser feito em estreita ligação com o mercado, resultar das suas especificações, quer no que concerne a funcionalidades, quer ao nível de qualidade, do design, dos preços. E, não esqueçamos, o mercado está em permanente mutação. «Só na inovação radical é que o mercado é surpreendido», salienta.

Imitar inovando

Basta relembrar que, em 2004, a China assumiu a liderança mundial na exportação de bens tecnológicos, ou que registou 1700 patentes na Europa, cerca de 80% das 19.000 registadas no seu país, para perceber que «é um erro, a todos os níveis», pensar que a China se limita a imitar. «Onde estão as nossas patentes? Imitássemos nós o que de melhor se faz e teríamos um longo caminho a percorrer. Por outro lado, como é óbvio, a China consegue competir imitando porque tem mão-de-obra barata, tal como nós fizemos até perdermos essa vantagem relativa», explica.

Perante esse facto só nos resta uma saída: criar maior valor para o mercado, através do design, da marca, da logística, da investigação e do desenvolvimento. «Temos produtores de calçado portugueses, por exemplo, que já não estão a “jogar” com os chineses. Para pagar melhor aos “jogadores” temos de subir de divisão», exemplifica.

Culpar a política «é chutar para o lado»

Falar de política em questões que se prendem com a inovação é «chutar para o lado». Quando se fala de inovação deve dizer-se «nós fizemos, tentámos, pena não haver mais apoios. Nunca o inverso. Não faz sentido criticar a falta de apoios para justificar a nossa inércia», comenta.

O que há de diferente nos países que hoje se destacam a nível de inovação é, seguramente, a formação dos empresários. «O empresário que inova é alguém que é líder e estratega, pensa a médio prazo, assume riscos, está atento às novas oportunidades e afirma-se como agente de mudança. A longevidade hoje só é possível através da inovação», defende.

Por outro lado, os gestores que castram a inovação são os que «estão mais preocupados em gerir custos, do que em gerar proveitos», explica. O bloqueio à inovação verifica-se quando a formação do gestor é débil. «Alguém sólido em determinada área está disponível para discutir outros pontos de vista. Não se sente ameaçado. É um velho problema, resultado da falta de formação escolar e profissional», refere.

Neste campo, o Instituto Politécnico de Leiria tem uma palavra a dizer, «como demonstra o seu empenho na dinamização da investigação e subsequente transferência dos resultados para o tecido empresarial e os seus planos no âmbito da formação e qualificação», salienta, relembrando a liderança do IPL nos Cursos de Especialização Tecnológica, frequentados por cerca de 650 pessoas, número que atingirá cerca de 1.500 com a eminente abertura de novos cursos.

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