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Actualidade

Por onde anda o investimento estrangeiro

Célia Marques

(Artigo publicado na Revista Leiria Global, editada pelo Jornal de Leiria e distribuída com a edição de 12/07/2007 do semanário)

Não existem números oficiais, mas um olhar atento permite perceber que o investimento directo estrangeiro (IDE) na região de Leiria não é muito significativo. Exceptuando algumas multinacionais e o turismo na região Oeste, o dinamismo assenta sobretudo nos empresários locais. O Jornal de Leiria procurou saber porquê e o que tem a região para oferecer.

A existência de um tecido empresarial muito dinâmico, que retira espaço a outros investimentos, é uma das explicações que Pedro Faria, presidente da NERLEI, encontra para a parca presença de capital estrangeiro na região, a que acresce a tendência para se dirigir para os grandes centros.

A API (actual AICEP) tem como missão “vender” o país aos investidores estrangeiros. Mas até que ponto as regiões fazem chegar o seu potencial de atracção a quem de direito? Segundo Pedro Faria, a relação estabelece-se mais através das associações nacionais e «existe, de facto, o risco de ficarmos esquecidos», admite. «Talvez devêssemos reunir com a API e vender as potencialidades da região. Não o fazemos porque não temos carência de investimento, o que não significa que não seja importante. Mas estamos mais preocupados em resolver os problemas das empresas que já existem», explica o dirigente.

Localização e acessibilidades

Os factores de atracção de investimento «são os mesmos que fazem da região um espaço economicamente saudável: boa localização geográfica e acessibilidades», considera Pedro Faria. Quanto aos pontos negros, representam «um prolongamento do cenário nacional», explica, referindo-se à legislação laboral «que desorienta quem quer investir», a burocracia e o custo da electricidade e do gás natural, nomeadamente face a Espanha, com que Portugal compete directamente.

Fernando Serra, professor universitário na UNISUL, em Florianópolis, Brasil, e conhecedor da região, considera que a localização em relação a Portugal, «é excelente», e salienta a «disponibilidade de mão-de-obra qualificada e um interessante potencial turístico».

Ramón Sanguino Galván, professor na Universidade da Extremadura (Espanha) e especialista em competitividade das cidades, considera que os pontos fracos da região estão associados «ao país em que se encontra, que não passa pelos melhores momentos». Quanto factores de atractividade, destaca as vias de comunicação e a localização entre Lisboa e Porto, que podiam fazer da região a Zaragoça portuguesa. Acrescem as vantagens inerentes ao próprio país, como a proximidade e a facilidade com o idioma, embora «Portugal precise de muito marketing e não tenha uma boa imagem no exterior», adianta.

TGV pode atrair empresas espanholas

A OTA é fundamental para o País e zona Centro, afirma Pedro Faria, relembrando o afastamento das companhias low cost de Lisboa. Quanto ao TGV, acredita que será positivo para os negócios, embora reconheça a possibilidade do benefício não compensar o investimento. Contas à parte, «o TGV poderá pesar na decisão de localização de uma empresa espanhola que precise de mobilizar quadros», adianta.

Fernando Serra considera que o TGV será uma grande ajuda, para as empresas locais, e «trará outras possibilidades de negócios e serviços num trickle-down (fomento indirecto) natural» que resulta quer da sua passagem, quer da proximidade do aeroporto.

Recursos naturais ainda por explorar

Uma região rica em recursos naturais ainda por explorar, «sobretudo o mar e tudo o que esteja com ele relacionado, como as pescas, portos, plataformas logísticas, conservas e novas tecnologias ligadas», enumera Pedro Faria, referindo-se à natureza dos investimentos que podiam ser atraídos para a região. O responsável aponta ainda as actividades que beneficiam de boa localização, vias de comunicação e bom clima, bem como os investimentos que exigem tecnologia metalomecânica de precisão.

Fernando Serra destaca o potencial turístico da região, que verá incrementada a facilidade de acesso com o novo aeroporto e o TGV. Aponta ainda investimentos de indústrias que se queiram instalar na Europa, a partir de Portugal, contando com parceiros locais.

«Excepcionalidade» atrai IDE

Mil milhões de euros é o montante dos investimentos previstos, e em curso, em projectos turísticos na região Oeste, a que, no distrito de Leiria, mobilizará maior volume de capital estrangeiro. O concelho de Óbidos tem em desenvolvimento um polo de turismo com quatro mil hectares e 20 mil camas, «a baixa densidade populacional que o turismo de qualidade exige», explica Telmo Faria, presidente da Câmara Municipal de Óbidos.

«Excepcionalidade» é o que a região tem para oferecer ao investidor estrangeiro, explica o autarca, salientando a relação de confiança que se cria entre o município e o investidor, resultado de uma «gestão territorial com regras exigentes, um planeamento urbanístico e estratégico de médio longo prazo, que não poderá ser alterado pelos executivos seguintes».

Neste ambiente de competitividade, o investimento exige «um órgão com poderes especiais». «A atracção de investimento não funciona melhor por ser feita por um órgão específico, que depois não é quem avalia, aprova e licencia e acompanha», critica Telmo Faria, referindo-se à API, actual AICEP.

«Alterações legislativas e bom senso em doses razoáveis»

O Investimento Directo Estrangeiro (IDE) no concelho da Batalha ascende a 25 milhões de euros, revela António Lucas, presidente da autarquia, salientando que não tem existido qualquer promoção no sentido de atrair mais IDE «devido às dificuldades de licenciamento das unidades».

O autarca revela ainda que o concelho perdeu recentemente um investimento numa nova unidade, estimado em 50 milhões de euros, devido a dificuldades de licenciamento, envolvendo o Instituto da Conservação da Natureza, Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro e Ministério da Economia. Para António Lucas, os sectores mais interessantes ao IDE para a região são as que envolvem tecnologias de ponta.

Na missão de atrair IDE, «todas as ligações institucionais são positivas», e o que é necessário, «e urgente» é uma «articulação bem maior, entre os organismos dependentes do Poder Central e as Câmaras, a redução dos prazos para decisão e, nalguns casos, alterações legislativas e bom senso em doses razoáveis», finaliza.

Centralidade e acessibilidades levam IDE a Pombal

O Parque Industrial Manuel da Mota, em Pombal, alberga algumas empresas multinacionais de referência que se fixaram no concelho atraídas pela sua «posição estratégica e centralidade geográfica», explica Narciso Mota, presidente da autarquia.

A contribuir para este «posicionamento estratégico incontornável a nível regional e nacional» estão ainda as acessibilidades viárias e ferroviárias, e o facto de integrar a Plataforma Logística Empresarial do Porto Comercial da Figueira da Foz. O autarca destaca ainda a possibilidade do concelho poder actuar como uma porta giratória entre duas dinâmicas sub-regiões (Baixo Mondego e Pinhal Litoral) e o facto de dispor de um «vasto leque de tecido empresarial e industrial, que lhe tem permitido resistir aos ciclos económicos negativos».

Quanto a áreas para as quais procura atrair IDE, Narciso Mota salienta as valorizam a ciência e tecnologia e criam condições necessárias para a retenção e atracção de recursos humanos altamente qualificados, e salienta a aposta na eficiência energética, energias renováveis, construção sustentável, mobilidade sustentável, qualidade e ecoeficiência.

No contexto da atracção de IDE, Narciso Mota afirma que é preciso que o governo «olhe para o país como um todo» e para as regiões «como núcleos de oportunidade para o desenvolvimento harmonioso do país». Depois, que «estabeleça o diálogo com as autarquias procurando as melhores soluções para cada região» e aposte «em medidas concretas para a formação e educação.


Alexandra Carvalho | Administradora da NLC e SIMO

A SIMO – Sociedade Imobiliária de Cinemas e a NLC – Cinemas de Portugal, empresas de direito português e capital israelita e francês, investiram recentemente 35 milhões de euros no CinemaCity em Leiria. Em causa estão cerca de 150 postos de trabalho no global, 35 dos quais já concretizados. As motivações de um investimento que hoje «dificilmente» faria. Na primeira pessoa.

Qual a principal motivação do investimento feito no distrito de Leiria?
Situação geográfica e perfil sócio-económico.

O que se revelou mais fácil, e mais difícil, na concretização desse investimento, face aos realizados noutros distritos?
As facilidades foram as mesmas, ou seja, nada de especial. As principais dificuldades foram uma interpretação sistematicamente restritiva da já de si canhestra lei, e uma atitude “complicativa”, por parte dos serviços técnicos da Câmara de Leiria.

São conhecidos os múltiplos adiamentos da abertura, por questões burocráticas. É um problema nacional, ou regional?
Além da natural dificuldade do projecto, pela sua natureza inovadora e inédita no país, pesaram muito os problemas atrás referidos. O problema é nacional, mas a inteligência, energia e empenho dos técnicos que se envolvem nos processos é, sem qualquer dúvida, condição activamente decisiva do sucesso ou insucesso de um qualquer investimento.

O que deveria ser melhorado no distrito para o tornar mais atractivo ao investimento estrangeiro? Que mensagem deixaria, nesse contexto, a entidades públicas e privadas?
Apenas à autarquia: que a vontade política positiva muitas vezes demonstrada se traduza em actos concretos, designadamente que haja uma discriminação positiva dos projectos de investimento em termos de prazos de apreciação e de atitude face ao esforço dos investidores. Que se respeite e premeie quem investe.


Oliver Raudszus | Director de Marketing Services da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Alemã

Leiria é «particularmente interessante para o investimento estrangeiro»

Qual a apreciação que faz da região de Leiria, do ponto de vista da atractividade ao investimento estrangeiro?
Apresenta um conjunto de vantagens que a tornam particularmente interessante para o investimento estrangeiro. Destaca-se a centralidade, estando próxima dos dois principais pólos do país, Lisboa e Porto, e o facto de beneficiar de diversas infra-estruturas. No âmbito dos serviços que a CCILA oferece às empresas dos dois países já temos intermediado diversos contactos, nomeadamente na área de moldes, que é já bem conhecido dos empresários alemães que o valorizam e reconhecem.

Que motivações estão na origem do investimento alemão em Portugal?
A produtividade e a vontade de explorar novos mercados. Uma vez instalados no país, são valorizados aspectos como as boas infra-estruturas e as relações entre empresas e universidades. Os aspectos negativos apontados ao país são a burocracia excessiva e a moral de pagamento dos clientes locais. Também a falta de qualificação dos recursos humanos.

Considera que OTA e o TGV vão ajudar ao “marketing” da região junto dos investidores estrangeiros?
As empresas alemãs em Portugal valorizam a existência de boas infra-estruturas, pelo que o aumento da oferta com um novo aeroporto, mais próximo do Centro do país, e uma ligação rápida por terra como o TGV, só podem ser bem vindas.

*O Jornal de Leiria contactou ainda a Câmaras Municipal de Leiria, Marinha Grande e Alcobaça, não tendo obtido resposta até ao fecho da edição.

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