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Empresas

Pedra Solancis na Catedral de Notre-Dame

Célia Marques
(Artigo publicado na Revista Leiria Global, editada pelo Jornal de Leiria e distribuída com a edição de 12/07/2007 do semanário)

O resultado da internacionalização da Solancis – empresa de extracção e transformação de pedra sedeada em Benedita, Leiria – está patente em locais inesperados como a Catedral de Notre-Dame em Paris, o museu de Thomas Mann, em Munique, ou as boutiques Chanel e Hermès, um pouco por todo mundo. Cartões de visita que falam por si.

A Solancis tem “expositores” de produto um pouco por todo mundo, começando na requalificação do Mosteiro de Alcobaça, no Fórum Almada, Oceanic Center Aqua (Valência), Casa da Cultura de Toledo, até à reconstrução da escadaria principal da Catedral de Notre-Dame, em Paris. Do outro lado do oceano, a empresa da Benedita é ainda responsável pelo revestimento da Secreted Hearth Cathedral, no Texas. São cartões de visita que superam o marketing de qualquer certame por esse mundo fora. E por falar em imagem de marca, está também atestada nas boutiques da Hermés e Chanel, cuja pedra é made in Solancis.

Em 2005, a empresa exportou 60 por cento da facturação, uma ano depois atingia os 75 por cento, devendo chegar aos 85 por cento este ano. As exportações têm como destino Espanha, Alemanha, Holanda, Luxemburgo Reino Unido e Turquia, mas também paragens mais longínquas, como Israel, Dubai, Argélia e Japão, que representa o sétimo melhor mercado da Solancis.

O movimento além fronteiras intensificou-se em 1992, motivado pela crise que se instalou no mercado interno. A presença em feiras permitiu estudar os mercados, embora o melhor marketing seja «aquele que é feito pelos próprios clientes», revela Samuel Delgado, que representa a quarta geração de uma empresa familiar fundada em 1969.

Hoje, a performance de mercados como Espanha, França, Estados Unidos e Canadá justificam a presença de agentes naqueles países. Quanto aos mercados com maior potencial de crescimento, Samuel Delgado elege a Arábia Saudita, os Emiratos Árabes Unidos, Estados Unidos e continente africano, nomeadamente Angola.

Já o mercado interno, continua em retracção, sobretudo «porque a construção está de rastos», como evidencia a queda das vendas que a Solancis registou em 2006, uma perda que será recuperada este ano, resultado do reforço da presença empresa no mercado externo.

Da China vêm os únicos compradores que procuram pedra em bruto, e não produto acabado, um negócio que a Solancis tem procurado evitar. «A nossa missão é colocar valor acrescentado ao produto. É aí que está a nossa mais valia e rentabilidade. Vender em bruto não compensa», explica o empresário.

Pedra da região com características únicas no mundo

A competitividade no mercado internacional garante-se com qualidade e cumprimento de prazos de entrega, «essencial para fidelizar» e para conseguir «vendas posteriores com menos discussão de preço». As características únicas da pedra calcária da região da Serra de Aire e Candeeiros dão uma grande ajuda. Segundo o administrador da Solancis, «calcários como este, não existem muitos no mundo».

A Solancis transforma pedra de diversas cores, com vários tipos de acabamento, para aplicação em fachadas e pavimentos interiores, um produto natural que se destina ao mercado médio alto. Numa perspectiva de diversificação do produto, a empresa desenvolve ainda trabalhos ornamentais, de que são exemplo as bases de duche e banheiras maciças de pedra que constam no catálogo da empresa.

A concorrência internacional faz sentir-se por via dos calcários franceses, turcos e espanhóis. Mas Samuel Delgado não tem dúvidas: «quem escolhe produto português fá-lo pela confiança que tem na experiência de trabalho com calcário em Portugal. Para além disso, temos um preço competitivo relativamente a franceses e espanhóis e estamos mais próximos da Europa do que os turcos», explica.

A competitividade garante-se ainda com uma política de «constante melhoria em equipamento, qualidade e design, e trabalhando muitas vezes em parceria com os arquitectos, procurando ir ao encontro das suas expectativas», adianta o gestor. A Solancis encontra-se também em fase de certificação ambiental, de qualidade e saúde e segurança no trabalho.

Na actividade de extracção e transformação de pedra, mais ameaçadora do que a concorrência, ou o abrandamento do mercado interno, é a questão da revisão do Plano de Ordenamento do Parque das Serras de Aire e Candeeiros. «Se for para a frente, 80 por cento das pedreiras acabam na próxima década, incluindo a nossa. Não seríamos competitivos a importar matéria-prima para transformar aqui.

Estou a contar com bom senso, e tenho esperança que não seja aprovada a proposta feita pelo Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros. Nada disto faz sentido. A recuperação da área das pedreiras está assegurada nos planos de recuperação paisagísticos, garantidos por garantias bancárias e aprovados pelo Ministério do Ambiente», critica o empresário.


Ponto forte
Nome construído ao longo destes anos, através do “passa a palavra”, e tendo por base factores como a qualidade e o cumprimento de prazos.

Ponto fraco
Distância face a alguns países da Europa. A localização ideal seria próxima ao Luxemburgo.

Oportunidade
Os nichos de mercado que tem criado, assegurando qualidade e prazo de entrega.

Ameaça
Eventual aprovação da proposta de revisão do Plano de Ordenamento do Parque das Serras de Aire e Candeeiros, feita pelo Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros.

Linha directa com o governo
Formação e interligação das escolas com as empresas. Precisamos de mão-de-obra especializada e flexível. No contexto da flexibilidade, a revisão da legislação laboral é também fundamental.

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