Javascript desactivado

Para completa funcionalidade deste site é necessário activar o JavaScript. Aqui estão as instruções de como activar o JavaScript no seu navegador.

Empresas

Redimensionar para internacionalizar

Célia Marques

(Artigo publicado na Revista Leiria Global, editada pelo Jornal de Leiria e distribuída com a edição de 12/07/2007 do semanário)

A dificuldade de resposta ao forte potencial do mercado internacional ditou o investimento em novas instalações e aumento da capacidade de produção. A Tecfil – empresa de cordoaria sedeada na Maceira – prepara-se para novos desafios.

O primeiro contacto com Espanha – que Paulo Valinha, sócio-gerente da Tecfil, encara como mercado interno – resultou no primeiro crescimento interno da empresa. Estávamos em 1995 quando um cliente do país vizinho pediu uma quantidade significativa de produto «para experimentar» e a Tecfil começou a trabalhar em três turnos e a reduzir custos.

Depois de um período de interregno, há três anos a Tecfil regressou a Espanha, deparando-se, uma vez mais, com o desafio de crescer para responder às solicitações daquele mercado, e de outros, como Itália, França, Irlanda e Inglaterra, que entretanto começou também a explorar.

Avançou com dois agentes no mercado espanhol e com o projecto de novas instalações para aumentar a capacidade de produção. Inserida num sector que Portugal lidera a nível mundial – cordoaria e fios sintéticos – a Tecfil prepara-se para responder a novos desafios.

«Estamos a processar apenas 40% das encomendas, estando neste momento a recorrer muito à subcontratção. O mercado externo mostra grande receptividade ao produto, não só pela reconhecida qualidade, como pelo serviço prestado», explica Paulo Valinha, salientando que o tempo de entrega e flexibilidade inerentes a uma empresa pequena, permitem até vender um pouco mais caro.

Em causa está a aquisição de novas instalações e equipamento, bem como o reforço da equipa comercial. Tudo somado ascende a um investimento de cinco milhões de euros e uma área de nove mil metros quadrados, face aos actuais 1800 metro quadrados.

A Tecfil vende fio e cordas sobretudo para os sectores agrícola e piscatório, e o mercado nacional «não tem tamanho, nem saúde financeira, para garantir a actividade da empresa», justifica Paulo Valinha, sustentando o imperativo de olhar para o exterior. Quanto à principal ameaça no sector, é a variação do custo da matéria-prima, «mais por via da concertação de preços entre as quatro ou cinco petroquímicas que detêm o mercado dos plásticos, do que do aumento do petróleo», explica.

Investimento permitirá duplicar facturação e exportações

A concorrência é nacional. Num ranking de sete a oito empresas, embora a Tecfil figure em último lugar em volume de vendas, ocupa o terceiro em rentabilidade por trabalhador. Em causa está uma facturação de 2,5 milhões de euros, que provém em 40% do mercado externo. No final de 2008, já a reflectir o investimento em aumento de capacidade, Paulo Valinha estima uma facturação de 5 a 6 milhões de euros, devendo aumentar para 70% a proporção de exportações.

Num mercado em que a qualidade é fundamental, o objectivo passa por obter o máximo de resistência e número de metros por quilo de produto. Ou seja, produzir um fio resistente com o mínimo de matéria-prima.
Os mercados com maior potencial são o francês – onde o mix preço/quantidade é mais favorável – o espanhol, pela proximidade e valores de consumo, e o Reino Unido, também pelos valores de consumo de fio e corda. A região da Corunha revela-se forte em pescas, a França em agricultura e a Inglaterra em pesca e agricultura, justifica o responsável.

A estratégia da Tecfil passa ainda pela diversificação de produto, para outras utilizações, aproveitando a mesma rede comercial. É o caso do fio entrançado utilizado na pesca de arrasto, «que ainda poucas empresas produzem com a qualidade que o mercado exige», finaliza o responsável.


Ponto forte
A flexibilidade inerente de uma empresa pequena.

Ponto fraco
Falta de dimensão.

Ameaça
A entrada de novos países na União Europeia, nomeadamente a Turquia, grande produtor de fio e corda. A República Checa e Polónia, pela sua centralidade

Oportunidade
Atingir a dimensão necessária para satisfazer os mercados-alvo selecionados, e para ter mais poder negocial junto dos fornecedores, obtendo as economias de escala essenciais ao aumento da produtividade e redução de custos fixos.

Conselho a quem internacionaliza
Estudar bem o mercado e, dependendo da empresa e do destino, escolher um parceiro. Fazer um bom trabalho de casa e medir as consequências do processo.

Linha directa com o Governo
Maior celeridade nos licenciamentos industriais. Forte aposta na educação e formação.

As mais lidas

Secil inaugura unidade de produção de microalgas em Pataias

A Secil inaugurou hoje, na sua fábrica em Pataias, Alcobaça, uma unidade de produção de microalgas. O projecto envolve a captação e utilização do CO2 ali gerado, por microalgas, que são depois canalizadas para os mercados que as aproveitam como ingrediente sustentável, natural e rico em compostos bioquímicos, nomeadamente para os da alimentação humana e animal. O investimento é de 15 milhões de euros.

Câmara vende Topo Norte do Estádio por 1,3 milhões para instalação das Finanças

O Município de Leiria aprovou esta terça-feira uma proposta de alienação da Torre Nascente do Topo Norte do Estádio Dr. Municipal Magalhães Pessoa, com uma área de construção de 4.500 metros quadrados, destinada a instalações para albergar e juntar num único local os Serviços de Finanças locais e distritais de Leiria. O valor da alienação do prédio é fixado em  1.339.503 euros.