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Empresas

Mobiliário made in China, qualidade e design portugueses

Célia Marques

(Artigo publicado na Revista Leiria Global, editada pelo Jornal de Leiria e distribuída com a edição de 12/07/2007 do semanário)

O objectivo de manter a competitividade no mercado internacional levou a JAP, empresa de mobiliário de Pataias, a investir numa unidade de produção na China. Componentes fabricados a Oriente, com controlo de qualidade e design portugueses.

O mercado externo – nomeadamente Espanha, Inglaterra e França – representa mais de metade dos 7,5 milhões de euros de facturação da JAP, uma fatia que importa aumentar. A estratégia passa por continuar a fornecer o cliente das classes média e média alta com produto diferenciado made in Portugal, bem como aumentar e fidelizar, nos mesmos mercados, os segmentos mais baixos – as grandes superfícies – onde o preço é rei, tornando-se vital produzir com custos de fabrico competitivos, em países como a China.

«Não queremos perder o combóio nestas duas vertentes, porque os próximos dez anos vão ser de grande transformação. É preciso planear com flexibilidade e avançar em diversas frentes», explica Carlos Pereira, administrador da JAP.

A competição no mercado global é aguerrida, ao ponto de alguns clientes copiarem o produto da JAP para o mandarem fabricar na China, quando a quantidade assim o justifica. Investir numa unidade de produção naquele país foi a forma que Carlos Pereira encontrou para contornar este problema e continuar a vender a preços competitivos aos seus clientes.

As 50 pessoas que inicialmente vão assegurar a actividade na unidade chinesa garantem o acabamento “europeu” dos componentes, cuja produção será sub-contratada. Como o volume incrementa os custos de transporte, a JAP vai exportar apenas mobiliário kit a partir da unidade chinesa, enquanto o produto que envolve montagem será distribuído a partir da unidade portuguesa.

O início de facturação na unidade chinesa está planeado para o primeiro trimestre de 2008, estando prevista, até final desse ano, uma facturação de 2,5 milhões de euros. Para o ano seguinte, Carlos Pereira antecipa uma subida para os 6 milhões de euros, face a uma capacidade instalada que se situa entre os 12 e os 15 milhões. Pela JAP portuguesa deverá passar cerca de 25 a 30% da facturação estimada, enquanto o restante respeita a exportações feitas directamente da China.

China vence Brasil e Angola

O investimento na China foi o eleito entre três hipóteses que incluíam países como o Brasil e Angola. O primeiro assegurava proximidade à matéria-prima, mas oferecia maiores complicações a nível laboral. Em Angola a matéria-prima representava também uma vantagem, mas a cultura de trabalho oferecia baixa produtividade, explica Carlos Pereira.

Na China encontrou o menor custo de produção e um Estado empenhado em reduzir o desemprego. «Na zona franca entre Pequim e Xangai, tanto as importações como as exportações estão isentas de imposto. O terreno foi adquirido a um preço simbólico e aquela zona industrial oferece todos os serviços de apoio. Percebi que ali podia investir», explica o empresário.

A concessão do terreno é por 50 anos, renovável por igual período, e o investimento total ascende a nove milhões de euros, repartidos entre a JAP, uma capital de risco e uma empresa chinesa. Daqui a sete anos a empresa constituída na China será detida a 100% pela JAP.

Produto branco é o que mais vende

O mercado alvo da JAP portuguesa é Inglaterra – o mais conservador – enquanto os mercados alemão e italiano, por terem um design próprio, são mais difíceis de penetrar. No mercado externo, a JAP fornece sobretudo grandes superfícies e no mercado interno hotelaria e lojas, sobretudo as que apostam em produto diferenciado. Quanto à vizinha Espanha, exige um marketing mais agressivo, o que levou a JAP a avançar com a representação comercial da marca TriMueble, criada especificamente para aquele mercado.

O mais comum, no entanto, são as marcas internacionais adoptarem produto português. «Temos um mercado reduzido e somos um país periférico, o que torna difícil implementar marcas no estrangeiro, devido aos custos de transporte, marketing e publicidade. Embora a JAP tenha duas marcas, as vendas de produto têm maior peso. É um sinal de confiança das marcas internacionais», explica o empresário.

O Grupo JAP integra sete empresas que asseguram não só as actividades de fabrico de mobiliário, como a exploração, ordenamento florestal, reflorestação e serração, garantindo 70% do pinho consumido no fabrico dos móveis.


Ponto forte
Empresa com filosofia vertical, o que permite trabalhar com matéria-prima nacional e sem exposição a variações cambiais, ou seja, controlar melhor o mercado e os custos ao longo da cadeia de produção.

Ponto Fraco
Localização num mercado pequeno e periférico.

Oportunidade
Assegurar a produção de componentes com a deslocalização de parte da produção, mantendo o design, a marca e a comercialização.

Ameaça
Grandes superfícies, pelo poder negocial.

Conselho a quem internacionaliza
Analisar se vale a pena, ou é preferível ser importador. Atenção à dimensão que a empresa pode atingir: a estrutura pode não acompanhar o crescimento.

Linha directa com o Governo
Liberalizar a legislação laboral. Diminuir os impostos (IVA) rapidamente.

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