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Empresas

Energia: Endesa abandona mercado liberalizado em Portugal

O presidente da Endesa Portugal, Nuno Ribeiro da Silva, afirmou hoje que vai abandonar o mercado liberalizado em Portugal por não ter condições para importar de Espanha electricidade a preços competitivos, revela a agência Lusa.

Em causa está o congestionamento das interligações entre Portugal e Espanha com a entrada em vigor, a partir de 1 de Julho, das novas regras do mercado ibérico de electricidade (MIBEL), que reduziu essa interligação a duas horas e quinze minutos diários, afirmou aos jornalistas à saída do encontro “Mercado Ibérico de Electricidade: Os próximos 5 anos”.

Capacidade de interligação utilizada pela EDP na maior parte do tempo

Segundo o responsável, na maior parte do tempo a capacidade de interligação é utilizada pela EDP para ir a Espanha comprar electricidade mais barata e revendê-la em Portugal a preços mais baixos. Com o mecanismo de “market spliting”, a EDP tem prioridade no acesso às linhas de transporte devido ao seu peso relativo ser superior no mercado português em relação aos outros distribuidores, explicou.

A Sodesa (empresa de distribuição de electricidade constituída pela Endesa e pela Sonae) abastece 3.200 pontos de entrega em Portugal, num total de 4 gigawatts/hora (GWh), o que representa 54% do mercado liberalizado, afirmou. Por dia, a Sodesa necessita de 500 megawatts (MW) de capacidade de interligação e só tem acesso a 100 megawatts (MW), afirmou Ribeiro da Silva.

«Estamos a perder milhões por dia»

«Nestas condições vamos sair do mercado português, pois estamos a perder milhões de euros por dia», afirmou. Sem capacidade para abastecer os seus clientes, uma vez que a Endesa não tem capacidade de produção em Portugal, Nuno Ribeiro da Silva afirma que vai começar a deixar de renovar os contratos à medida que forem expirando e vai acelerar alguns processos para enviar clientes para a tarifa regulada.

O responsável critica o Governo por nada ter feito e afirma que alertou um mês antes os responsáveis, nomeadamente, a REN, a ERSE e o Ministério da Economia, para o constrangimento nas interligações que as novas regras iam criar. Ribeiro da Silva lamenta ainda que o Governo nada tenha feito, quando teve oportunidade, para evitar a situação de monopólio da produção por parte da EDP, numa alusão às barragens do Alqueva e do Baixo Sabor. «Com o absoluto domínio sobre o hídrico até 2024, não se criam os lampejos para trazer algum nervosismo ao mercado», sublinhou.

Para Nuno Ribeiro da Silva, o MIBEL é um tratado político e não um verdadeiro mercado, não passando de uma ficção. «Temos um triângulo assassino que mata o mercado com a distorção de preços, o monopólio de produção em Portugal e a deficiência nas interligações», concluiu.

LE com Lusa

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