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Empresas

Val do Sol avança para o Brasil

Célia Marques

(Artigo publicado na Revista Leiria Global, editada pelo Jornal de Leiria e distribuída com a edição de 12/07/2007 do semanário)

A Val do Sol, empresa de cerâmica decorativa e utilitária, sedeada na Moitalina, avançou com uma unidade piloto no Brasil. Em causa está o potencial daquele mercado e a possibilidade de fornecer, de forma mais vantajosa, os Estados Unidos e o Mercosul.

A Val do Sol atravessou gerações. É um legado do trisavô de José Eduardo Alves, que hoje assume os destinos da empresa. Mudaram-se os tempos, alargou-se o mundo, e as condições de mercado já não permitem pensar apenas em exportar. Investir numa unidade de produção no Brasil foi a forma que encontrou para vencer problemas de competitividade no mercado externo. Ali encontrou «gente acolhedora, educada e pronta para trabalhar», para além de condições fiscais muito vantajosas para a exportação.

Inicialmente, o objectivo passava por fornecer apenas o mercado americano e o Mercosul, uma vez que as exportações do Brasil para aqueles mercados estão isentas de imposto, e tanto a América do Sul, como a do Norte, beneficiam de melhor acessibilidade, via Pacífico, em relação à China. «O produto que sai do Brasil para os Estados Unidos está isento de imposto. A poupança é de 6 a 11%, resultado também da diferença cambial face ao dólar. Hoje, o importador quer um produto que tenha know-how, sem pagar imposto e transporte. No Brasil é possível produzir mais barato», explica o empresário.

Segundo José Eduardo Alves, as vantagens relativamente à produção feita em Portugal situam-se não só ao nível dos custos de produção e distribuição para mercados de proximidade, como numa maior facilidade no que respeita ao recrutamento de recursos humanos.

A importância das parcerias locais

A prospecção no mercado brasileiro começou há 14 anos. A pesquisa do local para se instalar demorou um ano. Foi no Estado de Pernambuco que encontrou proximidade a produtores de pasta cerâmica, e uma zona industrial portuária de 16 hectares, fornecida de um moderno porto de grande concentração de cargas e de todos os serviços necessários à actividade. Tratando-se de uma empresa pequena, encontrar um parceiro de confiança naquele mercado revelou-se também fundamental.

O investimento inicial de 250 mil euros numa unidade piloto revelou-se positivo. A matéria-prima apresenta boa qualidade e a Val do Sol vai avançar com a instalação de uma pequena unidade de produção no mesmo local. «O Brasil precisa de know how. Tem gente com vontade de trabalhar. Aquele povo precisa de nós. Ser português no Brasil é uma mais-valia. O português tem de ser mais destemido e ali está em casa. Existe uma grande proximidade cultural e inúmeras oportunidades em diversas áreas, que devemos aproveitar antes que todos os países do mundo lá estejam», explica.

Enfoque no mercado espanhol

Para este ano, José Eduardo prepara um maior enfoque no mercado espanhol e estima um acréscimo de facturação para os 6 milhões de euros, face aos 5 do ano anterior. Para além do reforço da internacionalização, a estratégia da Val do Sol passa ainda pela diversificação de produto por via do design e da matéria-prima (grés natural), bem como pela produção de cerâmica avançada (técnica).

«Os portugueses podem competir em I&D com os países de Leste. Neste contexto, a China também é um potencial mercado. A nossa forma de estar passa por fazer o que os outros não fazem», explica o empresário, salientando que a cerâmica de quantidade portuguesa terá tendência a deslocalizar para o Leste e norte de África.


Val do Sol no Brasil

Ponto forte
Ter o que é preciso em termos de variedade.

Ponto fraco
Distância relativamente à casa-mãe, elevado risco-país.

Oportunidade
Dimensão do mercado brasileiro e dos mercados envolventes. Possibilidade de oferecer produto que não têm, personalizar os hotéis.

Ameaça
Burocracia e distância interna (Brasil).


Conselho a quem internacionaliza
Informar-se bem do local, das gentes e do governo. Encontrar um parceiro é fundamental.

Conselho ao governo português
Olhar imediatamente para as empresas de cerâmica que exportam e empregam. As tarifas do gás são um assunto gritante. Em paralelo, a questão da formação profissional qualificante, como base de produção de valor acrescentado.

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