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Empresas

Internacionalizar a electricidade industrial

Célia Marques

(Artigo publicado na Revista Leiria Global, editada pelo Jornal de Leiria e distribuída com a edição de 12/07/2007 do semanário)

Os primeiros trabalhos no exterior surgiram em 2001. A EST – empresa de electricidade industrial, sedeada em Boa Vista, Leiria – representa um exemplo de que os serviços também se exportam. Há dois anos avançou no processo de internacionalização, investindo em presença física no mercado angolano.

Prestar um serviço de qualidade é o princípio da actuação da empresa e o que tem garantido a angariação e fidelização de clientes. Desenvolver os seus projectos significa deixar para trás as fronteiras. Conceber sistemas de automação e quadros eléctricos de acordo com as necessidades dos clientes e especificações próprias de cada aplicação – uma actividade para a qual está certificada com a norma ISO 9001-2000 – garantiu o seu arranque nos países de destino. Num trabalho de muita engenharia e automação «é preciso fazer os testes possíveis nas nossas instalações para assegurar que, no local, aquando da colocação em serviço, tudo bate certo», explica Mário Rodrigues, sócio-gerente da empresa.

Em causa está a exportação conjunta de um produto e serviço e os exemplos são inúmeros. A experiência adquirida com o trabalho numa fábrica de cimento em Pataias, garantiu projectos idênticos na Tunísia, Turquia, Espanha, México, Inglaterra e até na China e Irão. Ainda neste âmbito, a EST tem actualmente em curso dois projectos, um na Índia e outro no Qatar.

Em 2004 surge a decisão: investir noutro país, coincidindo com o II PME Internacional a decorrer na altura. «Portugal é um país periférico e nós tínhamos uma dimensão pequena para fazer alguns trabalhos e grande para outros, o que nos levou a investir no estrangeiro», explica.

Mário Rodrigues equacionou a Polónia, devido ao know how da EST na indústria de rações e ao potencial agrícola daquele país. Em análise estiveram ainda os mercados argentino, espanhol e angolano. A opção acabou por recair em Angola, onde teve a Coca-Cola como primeiro cliente.

Às oportunidades apresentadas por um mercado onde tudo está por fazer, somava a proximidade cultural e linguística, o facto do português ser bem visto e a sua qualidade reconhecida. «É pena que os locais não estejam preparados para tirar partido do potencial de um país tão rico em recursos», explica, referindo-se à baixa produtividade que se faz sentir.

Em Angola, «os trabalhos do Estado são atribuídos, por norma, aos chineses e as obras particulares, onde a qualidade já é uma exigência, a empresas de outras nacionalidades, designadamente portuguesas», conta Mário Rodrigues, salientando a importância da confiança e qualidade do trabalho fornecido na área de actuação da EST. «É com esses valores que competimos. A guerra de preços só é uma ameaça para trabalhos pontuais, que acabamos por perder. Mas os clientes depois aparecem, pois acabam por verificar que preços mais baixos não são sinónimo de economia de custos», adianta.

O facto da energia falhar com frequência em Angola abriu para a EST angolana uma oportunidade de actuação na área da instalação de energia socorrida em edifícios de serviços, como hotéis e hospitais e alguma indústria. A filial angolana faz ainda a instalação de redes de terra que antecede a construção dos edifícios de serviços, como centros comerciais e edifícios sede.

A prestação de serviços na indústria tem menos peso, uma vez que as empresas industriais são, na sua maioria, multinacionais com quadros próprios nessa área. No entanto, Mário Rodrigues acredita que o desenvolvimento da indústria naquele país trará mais e novas oportunidades.

IDE gerou dimensão e credibilidade

Resultado da presença em Angola? «Ganhos de dimensão e reconhecimento», explica o empresário, salientando que também no mercado interno a internacionalização ajudou a credibilizar e a ganhar dimensão.

O investimento na ESTPOR – a EST em Angola – soma meio milhão de euros, enquanto a facturação naquele país ascendeu, em 2006, a 800 mil dólares. Este ano deverá atingir uma facturação de um milhão de dólares e, em velocidade cruzeiro, dentro de três a cinco anos, de 2,5 milhões de dólares.

Em Portugal, a EST facturou, em 2006, 6,5 milhões de euros, que correspondem, em 15%, a trabalhos feitos no exterior, uma percentagem que terá tendência a aumentar, uma vez que a casa mãe regista «encomendas interessantes» no Qatar e Índia, Inglaterra e Irão e num cliente francês, através do qual têm surgido trabalhos noutros países.

O desafio dos recursos humanos

Numa primeira fase, a EST instalou-se em Angola apenas com quadros portugueses. Um ano depois o rácio é de 50%, mas a dificuldade de recrutamento em Angola mantém-se e é o problema número um para uma empresa que ali se instale «Não têm uma mentalidade virada para a produtividade e não percebem que são eles que pagam isso. É difícil incutir uma filosofia de trabalho e implementar o princípio da delegação de competências», explica o empresário.

Acrescem a falta de vias de comunicação e a burocracia, com repercussões a todos os níveis, nomeadamente nos vistos e desalfandegamento. «Estamos lá sem visto de trabalho, o que implica vir cá de três em três meses. Isto é um absurdo. Naquele país funciona tudo a troco de “gasosa” e eu lido muito mal com isso», finaliza.


No mercado angolano

Ponto forte
Disponibilidade e tempo de resposta.

Ponto fraco
Não ter pessoal de lá com competência técnica, o que obriga a deslocalizar quadros de Portugal.

Oportunidade
Mercado.

Ameaça
Do ponto de vista político. Os angolanos que têm agora dez, quinze anos nasceram na guerra. Se não adquirirem competências, não tiverem trabalho e se der uma mudança política, tenho um certo receio do que possa vir a acontecer.

Conselho a quem internacionaliza
Que vão lá, mas que saiam dos hotéis.

Linha directa com o Governo
A solução para os problemas de Portugal deveria estar no estrangeiro, em África, designadamente Angola, pelas ligações culturais. Os governos deviam abrir uma via para agilizar a burocracia.

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