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Actualidade

Propostas para o mega-centro comercial envolvem alterações profundas na cidade

São três os grupos candidatos à construção do mega-centro comercial em Leiria. A sessão de abertura das propostas decorreu ontem, e em causa estão os projectos da Chamartin, MDC/Lena Construções e Immochan. O mega centro comercial implicará mudanças rodoviárias profundas perto da zona desportiva e a construção de amplos espaços de lazer pedonais, revela a agência Lusa.

Os três projectos candidatos assumem contrapartidas obrigatórias de grande relevo para o município, desde a construção de um pavilhão multiusos, um novo mercado, um centro associativo, um novo parque de lazer ribeirinho e a conclusão do topo norte do estádio de futebol, um dos palcos do Euro2004.

Grupo MDC lidera oferta em dinheiro

O grupo MDC (que gere os shoppings Fórum), associado com a Lena Construções, é o que oferece mais dinheiro (1,5 milhões de euros) e 65 milhões nas contrapartidas obrigatórias, propondo ainda assumir a construção um parque desportivo, um patinódromo e a relocalização do Mercado do Levante, além de ser o único que admite a construção do centro associativo na zona histórica da cidade.

O projecto, da autoria do atelier do arquitecto Manuel Salgado, prevê um centro comercial a céu aberto onde funciona actualmente o mercado municipal (que será integrado no futuro shopping) que permite a «continuação harmoniosa» da malha urbana da zona histórica da cidade. A construção deste centro comercial junto aos edifícios actuais permitirá criar uma «mancha verde» entre o castelo e o rio, com espaços pedonais e de lazer.

No topo norte do estádio, o arquitecto Tomás Taveira (autor daquele equipamento desportivo) integra o grupo e irá permitir uma alteração do anteprojecto original (vocacionado para escritórios), que depois será cedido à autarquia.

Recorde-se que nos últimos anos, o grupo MDC já apresentou outras soluções para construir um centro comercial, tendo adquirido as instalações da fábrica Proalimentar para esse efeito. No entanto, a autarquia decidiu abrir este concurso público pelo que aquele terreno será transformado em zona de habitação.

Grupo Chamartin propõe localização do centro junto às piscinas

Além das contrapartidas obrigatórias que lhe custarão 73 milhões de euros, o grupo Chamartin (proprietário dos shoppings Dolce Vita) oferece 1,2 milhões em dinheiro mais a relocalização do mercado do Levante, uma galeria cultural e a antecipação dos prazos de construção de dois anos para 19 meses.

Neste caso, o centro comercial será construído junto às actuais piscinas e a aposta principal do grupo é a construção de um Fórum Municipal que incluirá o actual mercado, o centro associativo e uma galeria cultural.

Segundo João Leal Barreto, administrador do grupo Chamartin, os promotores irão ceder três mini-autocarros para permitir o transporte gratuito entre o centro histórico e esta zona e o pavilhão multiusos, com capacidade para 5.300 lugares, está em ligação com um jardim que irá funcionar como um espaço de plateia adicional para espectáculos maiores.

Multicenco apresenta contrapartidas em espécie de 39 milhões

Já a Multicenco (do grupo Immochan, que possui os hipermercados Jumbo) prevê também a relocalização do mercado do Levante como única contrapartida facultativa. Em dinheiro, este grupo apresenta contrapartidas de 100 mil euros e 39 milhões em espécie, respondendo às exigências impostas pela autarquia.

A actual rotunda junto ao mercado será aumentada e o novo shopping apresenta 2.200 lugares gratuitos e, segundo o arquitecto Fernando Castello-Branco, o objectivo da localização é «colmatar o desnível» que existe na ligação entre o castelo, o estádio e a zona ribeirinha.

Obra terá início no segundo semestre do próximo ano

No final da sessão de abertura das propostas, o vereador Fernando Carvalho explicou que a obra deverá ter início no segundo semestre do próximo ano, salientando que a decisão quanto à adjudicação deverá ser tomada até Outubro por uma comissão composta pelos vereadores da autarquia, apoiados por técnicos.

«Fico extremamente satisfeito com a qualidade das propostas apresentadas», afirmou o vereador, que minimizou o facto de os três candidatos não terem optado pela aquisição do topo norte do estádio, preferindo completar a obra e entregá-la à autarquia.

O topo norte constitui um «activo muito importante» que depois poderá ser sujeito a «locação, utilização ou alienação» futura, afirmou o autarca.

LE com Lusa

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