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Actualidade

Ser grande não significa criar riqueza

Célia Marques

(Artigo publicado na Revista das 250 Maiores Empresas do Distrito de Leiria, editada pelo Jornal de Leiria e publicada a 26/10/2006 com o JdL e 29/10/2006 com o Público)

O Jornal de Leiria avança com um novo indicador para avaliar a performance das 250 maiores empresas do distrito de Leiria em 2005. O Resultado Residual revela o valor efectivamente criado pelas empresas. Ser grande não é garantia de sucesso no negócio de criar riqueza.

De uma forma simplificada, o Resultado Residual não é mais do que o resultado líquido, deduzido do custo do capital. Facilmente se compreende que só depois de “coberto” esse custo a empresa estará, efectivamente, a criar valor para o accionista. Como afirma Peter Drucker, enquanto a empresa não conseguir resultados superiores ao custo do capital utilizado para os alcançar está, na realidade, a operar no negativo.

O Resultado Residual toma em consideração o risco e custo do capital, ao contrário, por exemplo, de indicadores como a Rendibilidade do Capital Investido. Com a introdução do resultado residual na análise de performance da empresa, a base de comparação dos resultados passa a ser o custo do capital, uma medida de desempenho mais coerente com as decisões correntes da gestão e do investimento.

O Resultado Residual evita que se tomem decisões de investimento que, ao terem por base indicadores que são facilmente manipuláveis no curto prazo – como o Return On Investment (ROI) – podem vir a destruir valor para a empresa a médio/longo prazo, ou seja, a destruir valor para o accionista. Permite ainda que os objectivos de rendibilidade passem a ter como benchmark o custo do capital, podendo ser fixadas taxas diferenciadas em função da estratégia da empresa.

Trata-se de um conceito cada vez mais relevante do ponto de vista da gestão, ou não fosse a criação de valor um dos objectivos estratégicos de maior relevância para os investidores.
O esforço de difusão do conceito junto das empresas é um facto a nível internacional, não só no meio académico, como na imprensa: revistas como a Fortune e a Business Week publicam rankings tendo por base o Resultado Residual das empresas

Em Portugal, destaca-se o trabalho desenvolvido por João Carvalho das Neves, consultor e professor catedrático no ISEG, que colaborou com o Jornal de Leiria na elaboração e análise do indicador. Tendo já dois livros publicados sobre o tema, João Carvalho das Neves dá formação para executivos no ISEG e em programas mistos sobre Shareholde Value Management, em colaboração com o INSEAD e Emeles.

Valor criado ascende a 43 milhões de euros

Das 193 empresas do ranking de vendas que forneceram a informação necessária ao cálculo do Resultado Residual, apenas 110 apresentam um valor positivo, ou seja, criaram, efectivamente, valor para o accionista (43 milhões de euros). As restantes 83 “destruíram riqueza” em 18,5 milhões de euros. Em termos líquidos, a riqueza criada foi de apenas 24,5 milhões de euros.

Das melhores posicionadas em termos de Resultado Residual, destacam-se a Roca (terceira posição em vendas), Lena Engenharia e Construções (primeira posição em vendas) e Iber-Oleff (décima sexta em vendas).

É possível ainda constatar que três das dez empresas com resultado residual mais negativo (Thomaz dos Santos, Hospital de Santo André EPE e Sociedade Agrícola José Coutinho AS) figuram no ranking das dez que mais venderam, e têm resultados líquidos acima de meio milhão de euros.

Volume de vendas das 250 Maiores cresce 2,1%

Em 2005, as 250 Maiores Empresas do distrito de Leiria geraram 3.421 mil milhões de euros de vendas, mais 2,1% do que no ano anterior, comparando com a subida de 10,6% que se registou de 2003 para 2004. Os resultados líquidos das 193 empresas que forneceram essa informação somam 105 milhões de euros, enquanto o VAB das mesmas empresas que responderam ascendeu a 631 milhões de euros. As sete maiores empresas em volume de vendas somam um VAB de 165 milhões de euros, o que representa 26% do VAB total.

Em 2005, 85 empresas viram o seu volume de vendas descer, o que, comparativamente às 56 descidas registadas em 2004, denuncia um ano particularmente difícil. Esta tendência não se verifica, no entanto, no volume de vendas gerado pelas dez maiores empresas, que subiu 14,6% para os 673 milhões de euros. Quanto ao peso no total de vendas, subiu de 17,5% em 2004, para 19,7% em 2005.

No que respeita à empregabilidade das 250 maiores empresas, desceu 7,2%, para os 23.891 colaboradores, enquanto a produtividade gerada por cada colaborador, subiu de 130,3 mil euros, em 2004, para 143,2 mil euros em 2005. No distrito de Leiria, 191 das 250 maiores empresas gastaram 357 milhões de euros com os seus colaboradores, o que dá uma média de 19.373 euros/ano, por colaborador. Às seis maiores empresas, cabe um gasto global de 90,194 milhões de euros, ou seja, 39.524 euros/ano por colaborador.

A empregabilidade das dez maiores empresas ascendeu a 3.299 colaboradores (14% do total), o que representa também uma ligeira queda face aos 3.488 registados no ano anterior.

A dança das dez primeiras

Na “dança das cadeiras” entre as dez primeiras, a Lena Engenharia e Construções mantém o lugar cimeiro, a CMP – Cimentos Maceira e Pataias escalou para segundo, retirando lugar à Roca que desceu para terceiro. Em quarto lugar surge a GalloVidro (que subiu da sétima posição em 2004), entanto a Thomaz dos Santos se manteve na quinta posição.

O Hospital de Santo André dá entrada no sexto lugar, enquanto a Movicortes subiu de oitavo para sétimo. Em oitavo figura este ano a La Redoute Portugal, face à sexta posição do ano anterior. Em nono encontra-se figura a Sociedade de Construções José Coutinho, e em décimo os Supermercados Ulmar, que subiram da décima primeira posição.

Por sectores, no ranking das 10 primeiras, a construção civil e obras públicas continua a registar o maior peso, seguida dos cimentos, cerâmica e vidro, comércio por grosso, serviços hospitalares e comércio a retalho.

A Águas do Oeste (612,2%), Irmãos Mota (356%) e Duenasmar (328,1%) foram as três empresas que mais subiram em volume de vendas relativamente ao ano anterior. Quanto às maiores descidas, pertencem à Geco, (-40,7%), C.A.C II (-39,8%) e Iberobrita (-37,2%).

De salientar ainda, os quatro concelhos com maior número de empresas no distrito: Leiria (37,2%), Pombal (14,6%), Marinha Grande (10,9%) e Alcobaça (10,1%). Leiria foi responsável por um volume de vendas de 1.470 milhões de euros, o que representa um recuo face aos 1.646 milhões do ano anterior. O peso no total de vendas caiu de 49,1 para 43,3%.

Quanto às empresas de Pombal, venderam, em 2005, 349 milhões de euros, ou seja mais 19,6% relativamente ao ano anterior, com o peso no total a crescer cerca de 2%. A mesma tendência verificada em Alcobaça, que registou uma subida de 30,9% para os 255,2 milhões de euros, em 2005. Já o concelho da Marinha Grande facturou menos 4,3% relativamente ao ano anterior.

A empregabilidade das 250 maiores empresas cresceu cerca de 11,8% em Alcobaça e 9,2% em Pombal. Em Leiria caiu 12,7% e na Marinha Grande 7,4%.


Metodologia de cálculo do Resultado Residual

O Resultado Residual foi apurado para as 193 empresas do ranking das 250 maiores do distrito de Leiria em volume de vendas, que disponibilizaram a informação adicional necessária ao seu cálculo.
Existem diversas formas de calcular o Resultado Residual. Neste caso utilizou-se a que tem por base o capital próprio, por ser a mais adaptável aos dados disponíveis.

De uma forma simplificada, o método consiste em retirar ao resultado líquido o custo do capital próprio, ou seja, a rentabilidade exigida pelo investidor ao capital aplicado na empresa.

Para o cálculo do custo do capital próprio foi considerada uma taxa de juro sem risco, acrescida do produto do beta da empresa* pelo prémio de risco.

Parece complicado (e ainda que não seja perfeito), permite chegar a uma conclusão simples: as empresas que mais vendem, ou geram resultados líquidos, não são, necessariamente, as que mais criam valor.

Fórmula de cálculo:

RR = RL – ke* CP

RR = Resultado Residual
RL = Resultado Líquido
Ke = Custo do Capital Próprio = Taxa de Juro sem Risco (3,44%) + Beta da Empresa* Prémio de Risco (5%)
CP = Capital próprio
Beta da Empresa = Beta do Mercado (0,85%) [(1+ endividamento* taxa de imposto (0,27%)]

*O Beta da Empresa resulta da aplicação da fórmula de Hamada, que permite ajustar um beta não endividado (neste caso Beta de Mercado) num beta endividado (Beta da Empresa). Por norma, utiliza-se o beta do sector a que pertence a empresa, em vez do beta mercado. Neste caso não foi possível porque não existem em Portugal betas calculados para cada um dos sectores. Considerou-se um beta de mercado de 0,85% para que o beta ajustado ao grau de endividamento das empresas (BE) se aproximasse de um, como defende a teoria financeira.

Nota: O Jornal de Leiria agradece a colaboração do professor João Carvalho das Neves na elaboração e interpretação do Resultado Residual.

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