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Actualidade

Mais inovação, menos proteccionismo

Célia Marques
cmarques@leiriaeconomica.com

O nosso problema reside na falta de competitividade internacional e não se resolve com baixos custos salariais, mas com qualidade, eficiência, inovação, defendeu António Borges, que esteve ontem à noite em Leiria, a convite da Liga de Amigos da Casa Museu João Soares. Para isso, «é preciso acreditar nos empresários mais dinâmicos e mais inovadores e não os travar», adiantou.

O actual vice-presidente da Goldman Sachs criticava, deste modo, aquilo a que designou de uma política económica «orientada para os interesses dos grandes grupos económicos, que dominam a economia e o sistema político», justificando que «a inovação não provém das grandes empresas, mas daquelas de que nunca se ouve falar».

«São sempre as mesmas pessoas, a mesma liderança. Temos um sistema de corporate governance orientado no sentido da estabilidade de quem está no poder, um conservadorismo que é contrário à inovação. Existe cumplicidade a mais entre a política e as grandes empresas», afirmou.

A solução passa, segundo o responsável, por fazer «um investimento sério na qualidade dos produtos, dos serviços e da gestão», em vez de investir «em coisas que não contribuem para melhorar a competitividade», disse, referindo-se ao facto do governo continuar «obcecado com a ideia dos grandes projectos».

«As boas empresas não conseguem impor a sua eficiência»

A iniciativa privada é essencial para o desenvolvimento da economia portuguesa, mas para que ela surta o efeito desejado, «são precisos mercados competitivos e concorrenciais e a maior parte das empresas trabalha em sectores que são facilmente manipuláveis», disse, adiantando que «todos os sectores têm empresas excelentes, que não conseguem impor a sua eficiência por se debaterem com concorrência deslelal, com o problema da informalidade». Em resultado, «os melhores não conseguem tomar conta da economia».

«As empresas que estão bem, pertencem a sectores como a banca, energia e telecomunicações, que não concorrem com o estrangeiro. Não basta investir. É preciso investir bem e nos sectores em que a competitividade é internacional», disse, defendendo uma maior orientação da economia para o exterior, e alertando para o facto do proteccionismo ser contraproducente.

«Numa economia de mercado, o Estado deve ter um papel regulador e nós não temos capacidade para aceitar reguladores independentes, com autoridade e estabilidade, que criem um quadro de referência. Temos um Estado que se mete em muita coisa, mas o que devia fazer, não faz bem feito», adiantou.

Recursos afectos a projectos que não geram competitividade

Mas porque não se implementam as medidas que estão identificadas como sendo solução, questionou António Borges. Porque «grande parte dos recursos são absorvidos por grandes projectos, e porque as autoridades tendem a proteger as empresas que já existem, independentemente de serem, ou não, competitivas». Para além disso, «a nossa elite económica também defende que temos de nos proteger dos estrangeiros», adiantou.

«O nosso problema está em gerir a mudança. A maior parte dos portugueses ainda não percebeu o que significa o Euro, as exigências e desafios que traz. As soluções não podem ser as mesmas. É preciso confiar nos empresários e não na atitude conservadora do Estado», salientou ainda António Borges.

«Este governo tem condições únicas para fazer reformas»

Mas ainda há esperança. Segundo António Borges, este governo tem condições únicas para fazer reformas, resta saber se «terá capacidade de intervir sempre no mesmo sentido», ressalvou.

«Se confiarmos nos empresários que podem inovar, e não os travarmos, então voltaremos aos ritmos de crescimento que já tivemos», explicou, mostrando-se preocupado com a desigualdade na forma como o crescimento se processa, tanto entre empresas, como entre regiões, e com a excessiva despesa que tem resultado no agravamento do défice externo.

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