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Actualidade

Medina Carreira deixa cenário pouco optimista em Leiria

Célia Marques
cmarques@leiriaeconomica.com

Medina Carreira, que esteve a Leiria a convite da Revista Invest/ISLA Leiria, começou a sua intervenção fazendo um diagnóstico da economia portuguesa, com base em números demonstrativos da evolução do PIB e despesa pública das últimas décadas. «A conclusão é óbvia: o Estado não pode cumprir os compromissos que foi assumindo», sustentou o orador, que traça um cenário pouco optimista para o futuro da economia portuguesa.

«Não percebemos o que aconteceu nem o que somos. Assim é difícil apontar o caminho», afirmou, enumerando os factores que contribuíram para o actual estado da economia portuguesa.

Aos erros do passado – como o facto de se ter criado um Estado a contar com uma economia que cresceu 50% numa década, e que nos próximos quinze «não sei se crescerá 2%», e o tardio desmantelamento do proteccionismo – acrescem as três aberturas a que Portugal foi sujeito nos últimos 15 anos (Europa dos 12, Europa dos 15 e a países como a China e Índia), bem como a perda de instrumentos de regulação (política cambial) por parte do Estado. Tudo somado explica, segundo Medina Carreira, o actual Estado da economia portuguesa, «que importa perceber».

«A intervenção do Estado acabou. O Estado não tem instrumentos. Não tem moeda, nem fronteiras», afirmou, adiantando que também os municípios, as regiões e os reguladores perderam poder. «Tudo o que os institutos de regulação fazem dá sarilho», disse, referindo-se à tentativa de subida das tarifas eléctricas por parte do regulador, que culminou com a demissão do presidente da entidade reguladora.

«Não é com a palavra que se concerta o País»

Feito o diagnóstico, Medina Carreira compara Sócrates a Santana Lopes, sustentando que «ambos pensam que com a palavra se concerta o País». O orador referia-se, deste modo, à «transmissão de um optimismo e de uma confiança que Portugal não tem», salientando a importância dos portugueses perceberem a gravidade da situação para tomarem as medidas certas para sair do «buraco».

«Temos 5 milhões de pessoas a receber do Estado. Isto não nos pode levar muito longe. Em termos de finanças públicas, fomos os mais disparatados da Europa. A evolução das últimas décadas mostra uma economia em queda e um Estado a levantar voo e, ao contrário do que se diz, a acentuar a componente social, sem que haja dinheiro para isso. A decadência da economia e expansão do Estado é uma situação que não tem saída», disse.

Quanto às previsões para 2007 – que apontam uma menor taxa de crescimento da despesa primária, das prestações sociais, uma estagnação nas despesas com pessoal e uma evolução do PIB em 3,8% – «a verificarem-se, estaremos no bom caminho», salientou.

O que podem os portugueses exigir do Estado

Mas, perante este cenário, o que poderão os portugueses ainda esperar do Estado? Medina Carreira deixa claro que resta a exigência de uma educação capaz, de melhorias na justiça e burocracia, dando prioridade aos licenciamentos, ao invés de facilitar a criação de empresas que, segundo o orador, vem dar maior azo à fraude fiscal. Maior exigência também no combate à corrupção, na simplificação de um sistema fiscal «que nem os técnicos compreendem», e no equilíbrio das contas públicas.

Quanto à vida empresarial, Medina Carreira considera que não tem a vida facilitada. «Se não corrigirmos a demografia nem o progresso técnico, não passaremos dos 2% [crescimento do PIB]», disse, expressando preocupação relativamente à ideia de que a solução da Europa está na imigração.

Relativamente ao objectivo de qualificar um milhão de portugueses até 2010, Medina Carreira assegura que só será possível se «andarmos a qualificar analfabetos» e adverte para o facto de, «dentro de pouco tempo, sermos todos licenciados e não sabermos ler».

Foi com uma oratória ao estilo a que já habituou os portugueses, com o sentido de humor sempre presente, que Medina Carreira se dirigiu a uma plateia de 180 pessoas, maioritariamente, de empresários. Uma intervenção informal, resultado do formato «No sofá com» que a Revista Invest e ISLA Leiria elegeram para receber o primeiro orador do ciclo de conferências que agora se inicia. A próxima está agendada para Março e terá como orador principal o fiscalista Saldanha Sanches.


“Verdades” de Medina Carreira… com humor

«Adoramos a superficialidade, o mais ou menos. Não somos um país empresarial».

«O sindicalismo entretém-se com o Estado. É o único que não foi embora».

«Sou centralista. Do dinheiro que sai do Terreiro do Paço, metade perde-se pelo caminho».

«Defendo a fusão de municípios e o fim das empresas municipais».

«Mesmo nas sociedades mais desgraçadas, existem sempre coisas boas. Temos bons clusters, com capacidade para competir». [resposta ao jornalista Anselmo Crespo, quando este lhe pergunta se considera que tudo em Portugal é mau]

«O dinheiro fácil prolifera. Não é do trabalho. Não é do risco. É da aldrabice».

«A escola armazena malta que não quer fazer nada. Devia ter três vias: a do ensino, a vertente técnica e uma terceira para os que não querem fazer nenhum».

«A globalização está para ficar. A Europa é incapaz de competir com a inteligência da Índia e com a capacidade de produção chinesa, vai ter de se proteger e não vai ter condições para o fazer, porque também precisa de vender para o exterior».

«A regionalização é mais uma vigarice. Não precisamos de regionalização para coisa nenhuma. Precisamos é de rigor, disciplina, trabalho e seriedade. Ou não. Mas então não queiramos ser suecos ou finlandeses».


Acrescentar valor e optimizar recursos

Víctor Oliveira, administrador do Grupo Vangest, focou a sua intervenção na evolução, e actual posicionamento, do Grupo Vangest, salientando a importância da irreverência e de apresentar soluções que acrescentem valor ao mercado. Segundo o responsável, «só a diferenciação pode suportar as PME», uma diferenciação que deve ser feita «por via da qualidade», sustentou.

Não menos importante é a optimização de meios e, embora a Marinha Grande reuna «o que de melhor há no mundo no sector dos moldes, falta optimização», defendeu o empresário.

A especialização e os nichos de mercado assumem também um papel fundamental, numa lógica de diversificação e complementaridade. Uma forma de estar que levou o Grupo Vangest a enveradar para a aeronáutica. Um dos objectivos passa por desenvolver metodologias que possam ser utilizadas futuramente na área dos moldes.

As exportações assumem um papel fundamental para as PME, sendo que a Vangest encara Portugal como «um mercado de potencial crescente», o mercado espanhol como «mercado doméstico» e a China como um «potencial grande consumidor dos seus produtos», adiantou Víctor Oliveira.

Marca própria, aeronáutica e biomédica

Nos planos de curto prazo da Vangest está o desenvolvimento de produto de marca própria (VIP – Vangest Innovative Products), enquanto a longo prazo o grupo aponta baterias à aeronáutica e biomédica, área que contempla a construção de próteses dentárias e reconstrução craniana, em associação com uma fundação basca.

Víctor Oliveira deixa ainda uma nota para a importância de flexibilizar a legislação laboral, salientando que o objectivo não é despedir pessoas, mas «contratar os melhores» e um alerta para o facto da indústria de moldes ser, actualmente, o suporte financeiro das grandes multinacionais.

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