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Actualidade

Cerâmica utilitária e decorativa reinventa-se

Célia Marques

(Artigo publicado na revista 250 Maiores Empresas do Distrito de Leiria, editada pelo Jornal de Leiria e publicada a 26/10/2006 com o JdL e 29/10/2006 com o Público)

A indústria cerâmica enferma idênticas dificuldades: os custos energéticos e a concorrência de países emergentes obrigam a um constante repensar da estratégia. O subsector decorativo e utilitário é o que assume contornos mais desfavoráveis.

Tratando-se de um segmento tradicionalmente exportador, a cerâmica decorativa e utilitária está sujeita a uma concorrência intensa nos mercados internacionais, em condições crescentemente desfavoráveis relativamente aos produtos oriundos da Ásia. Segundo a Associação Portuguesa dos Industriais de Cerâmica (APICER), os preços dos produtos asiáticos correspondem a 69,5% dos preços médios de importação da União Europeia e a 41,3% dos preços médios dos produtos com origem nos países que a integram.

«As encomendas existem, mas há um problema de preços. Se não baixamos os grandes grupos vão procurar produto na Ásia. As margens estão a cair e os custos com a energia a aumentar», revela Eduardo Jordão, presidente do Grupo Bonvida, que detém a Porcelanas de Portugal.

São as recentes parcerias com estilistas que resultam na diferenciação que permite marcar a diferença pela qualidade e ir ao encontro de um cliente diferente, explica o empresário. Para a louça que comercializa nas grandes superfícies, o grupo firmou uma parceria com o estilista Nuno Gama, enquanto o João Rôlo colabora nas colecções do mercado tradicional, estando prevista uma terceira parceria para o segmento de hotelaria.

A empresa continua a apostar nos mercados tradicionais e a prestar atenção ao mercado Mexicano, «que tem vindo a surpreender», afirma Eduardo Jordão, que se mostra expectante relativamente aos resultados da recente participação numa feira em Moscovo.

No que respeita à política energética, Eduardo Jordão é peremptório: «os espanhóis foram embora. Preferiram pagar indemnizações e rescindir os contratos do que permanecer no mercado. Estamos na mão da EDP».

A via da diferenciação

Para Manuel da Bernarda, responsável pelas Cerâmicas São Bernardo – que produzem essencialmente cerâmica decorativa – o maior desafio é a constante readaptação, quer em termos produtivos, quer comerciais, a mercados cada vez mais voláteis e menos seguros. Para o empresário, a via da diferenciação é a única possível.

A diversificação é cada vez maior, os produtos mais fragmentados e com ciclos de vida mais curtos, o que obriga a uma intervenção constante no design e no processo produtivo, em termos de lay out, ou mesmo de equipamento. O interior da fábrica tem de ser flexível com toda a burocracia que daí advém, devido às exigências em higiene e segurança, entre outras, salienta Manuel da Bernarda.

Outro problema é o que deriva da rigidez da legislação laboral, um entrave ao reajuste de quadros a que as oscilações do mercado e o progresso tecnológico obrigam. «Os sindicatos têm uma visão estática da produção e dos mercados. Também eu gostava de viver sossegado, mas são-nos impostas condições a que temos de nos adaptar. É preciso rever as relações entre o trabalho e os investidores, no sentido de uma maior flexibilidade», explica o empresário, salientando ainda a dificuldade dos sectores tradicionais em obter crédito junto da banca.

O mercado tem novos protagonistas que alteraram o equilíbrio do sector, por via da redução de preços e venda pela internet e o «dumpping brutal praticado pela China não se resolve, porque existe um conjunto de interesses e de hipocrisia no processo. Neste contexto, o pequeno industrial não é nada», revela o empresário.

No que respeita à questão energética, Manuel da Bernarda considera que falta alguma capacidade de organização entre PME, sobretudo quando são concorrentes. «O cluster da cerâmica em Portugal caiu. Já não somos a China da Europa», afirma.

As produção das Cerâmicas de São Bernardo destina-se em 85 por cento ao mercado externo. A empresa centra-se em mercados como os Estados Unidos e Inglaterra, mas o esforço de diversificação da carteira de clientes está sempre presente.

Segundo números da APICER relativos a 2004, a cerâmica utilitária e decorativa representa actividade de 164 empresas de Leiria (503 no país), e emprega cerca de 6800 colaboradores, ou seja metade da mão-de-obra afecta ao subsector em Portugal. Quando a facturação, as empresas do distrito movimentaram, em 2004, 161 milhões de euros, ou seja, 46 por cento do total nacional.

Cerâmica estrutural refugia-se no mercado externo

Segundo APICER, é nos mercados externos que os subsectores da cerâmica estrutural, pavimentos, revestimentos e louça sanitária têm procurado compensar o efeito da pequena dimensão, e fraco dinamismo, evidenciado pelo mercado português. O crescimento das exportações de materiais cerâmicos destinados ao mercado da construção é revelador desse esforço de internacionalização. Em 2005, as exportações no segmento cresceram 17,6% face ao ano anterior, enquanto no primeiro semestre se registava já uma subida homóloga de 23,7%.

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