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«Não vejo futuro, nem presente, para as empresas que vêm para a China só para produzir e reexportar»

O modelo económico de produzir barato na China para exportar para outros mercados encontra-se esgotado, disse hoje o secretário-geral da Câmara de Comércio da União Europeia na China, em entrevista ao site Macauhub. Segundo Giorgio Magistrelli, o investimento industrial futuro passa por produzir tendo como destino o mercado chinês.

«Não vejo futuro, nem presente, para as empresas que vêm para a China só para produzir e reexportar», considerou Giorgio Magistrelli, que apontou a quebra nas margens de produção no país como a principal causa do fim anunciado da deslocalização da produção para a China. Segundo aquele responsável, a Europa de Leste está a competir cada vez mais com a China na atracção de empresas europeias que querem poupar nos custos de produção e depois exportar os produtos para os mercados europeus, uma mudança que reflecte a crescente capacidade da economia chinesa para atrair investimento sustentável a longo prazo.

«O trajecto que tenho vindo a observar-se, em especial nos últimos dois anos, revela que as companhias vêm para a China não só para produzir para o mercado de exportação mas, acima de tudo, para produzir para o mercado interno», adiantou.

75 milhões de chineses consomem produto europeu

O mercado interno chinês representa um enorme potencial para os bens europeus. Segundo números avançados pela Câmara, o número de consumidores de produtos da União Europeia é actualmente de 75 milhões, um valore pode subir para 200 milhões em 2015.

Apesar deste potencial, as empresas europeias queixam-se de dificuldades de penetração no mercado chinês, devido a medidas proteccionistas de Pequim, como a condição de proceder a transferências de tecnologia para a participação em concursos públicos, ou a falta de transparência no sistema legal e judicial que obriga, entre outras coisas, a passar por processos prolongados de obtenção de licenças de negócio.

No primeiro semestre de 2006, a China atraiu 28,428 mil milhões de dólares americanos no primeiro semestre do ano, um decréscimo de 0,47 por cento em relação ao mesmo período ao ano anterior, de acordo com o Departamento de Estatísticas do governo chinês.

Protecção aos direitos de propriedade intelectual: zonas fora de Pequim e Xangai são as mais afectadas

Giorgio Magistrelli alertou também para a necessidade da China intensificar as medidas de protecção dos direitos de propriedade intelectual (DPI), para atrair investimento de valor acrescentando, como unidades de Investigação & Desenvolvimento de empresas multinacionais.

Magistrelli considerou mesmo que assegurar a protecção dos DPI «é um dos desafios para a China no médio prazo», até porque as maiores prejudicadas pela violação dos direitos são as empresas chinesas, que representam «a parte queixosa em mais de noventa por cento dos processos cíveis de violação de DPI na China».

«O maior desafio em termos de DPI não é criação ou a aprovação de legislação, mas a execução e aplicação da lei. Pequim e Xangai são locais onde a implementação é correcta, mas os grandes problemas existem ao nível local. Por isso, quando uma companhia decide vir para a China, é muito importante que analise o local onde espera localizar a produção» disse o secretário-geral da EUCCC.

Marcas perdem 60 mil milhões devido à venda de falsificações

As marcas internacionais perdem cerca de 60 mil milhões de dólares por ano no mercado chinês, devido à venda de falsificações, segundo dados do Departamento do Comércio dos Estados Unidos da América. A indústria automóvel europeia considera que a falta de aplicação das leis de DPI é a maior barreira comercial existente na China, custando ao sector cerca de 10 por cento da facturação anual.

«Estamos a trabalhar em conjunto com as autoridades chinesas para desenvolver o conhecimento da protecção dos DPI através de projectos de cooperação na área da informação, sensibilização e educação pública,” disse Giorgio Magistrelli.

A EUCCC é o maior grupo de influência das empresas europeias na China e assegura a comunicação regular entre o governo central, os governos locais e os representantes das empresas europeias na China.

LE com Macauhub

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