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Actualidade

«Esta é a primeira crise desde que somos um país desenvolvido»

Célia Marques

Temos um governo reformista que mantém a popularidade, mesmo beliscando os interesses instalados, revelou quinta-feira à noite, João César das Neves, durante a conferência organizada pela Revista Invest. No auditório do Casino da Figueira da Foz, o economista deixou a sua visão do actual estado da economia, «que atravessa a primeira crise desde que somos um país desenvolvido», revelou.

Para o economista, a economia portuguesa apresenta actualmente quatro estados: o líquido, o gasoso, o sólido e o pastoso.

O estado sólido tem a ver com o sector produtivo, e João César das Neves considera que, neste aspecto, Portugal é um sucesso de desenvolvimento. «Somos indiscutivelmente uma economia desenvolvida. A crise porque estamos a passar é diferente das anteriores e a primeira desde que somos ricos. Não é a mais grave, mas é a mais longa, e como ainda não terminou, pode vir a ser a mais grave», salientou.

Mas como se aguenta uma economia em que os salários estão a crescer mais do que a produtividade? Segundo o economista, devido aos bens não transaccionáveis, «porque ninguém vai cortar o cabelo a Espanha», referiu, adiantando que, para compensar, o sector dos bens transaccionáveis se vê obrigado a aumentar a produtividade de forma mais significativa.

Quanto ao desemprego, o economista salientou que tem aumentado, assim como o emprego, resultado do aumento da população activa engrossada pela imigração, «o que significa que a economia portuguesa está a criar emprego para eles, aquele trabalho que os portugueses não querem fazer, o que é característico de uma economia desenvolvida», salientou.

Estado líquido: «situação financeira resultante de um Estado que come a poupança»

Segundo João César das Neves, a economia portuguesa está a acumular endividamento e a estragar a «fase de recuperação da Manuela Ferreira Leite», disse perante uma plateia de cerca de 200 empresários. Para o economista, a economia está endividada porque os agentes económicos poupam menos e porque todos poupam excepto o Estado, que come a poupança.

Estado gasoso: o gás tóxico e o que respiramos

Disparatada, é a ideia de que é o Estado tem de modernizar a economia. «Isso compete às empresas. Se os ministros soubessem fazer, não eram ministros, faziam e ganhavam o deles», disse.

Por outro lado, adiantou, é preciso atentar que a tecnologia e a qualidade não são um fim, porque a finalidade é vender. «Quem compra produtos maus são os estúpidos, mas existem muitos por ai. E a prova está no sucesso dos chineses», referiu.

Para João César das Neves, a solução também não está na educação, «uma área em que somos péssimos». Embora útil, «é apenas um instrumento, até porque temos uma elite intelectual que é um desastre e só ensina disparates».

O ar que respiramos, a outra vertente do estado gasoso da economia portuguesa, «caracteriza-se pelas excelentes condições naturais, pelo facto de não termos rivalidades regionais graves, de existir um consenso político/económico e de sermos a economia mais flexível do mundo», enumerou.

«Fazemos as coisas de uma forma trapalhona, mas fazemos, adaptamo-nos. É o trunfo mais importante da globalização. A nossa elite está sempre a criticar a informalidade, a flexibilidade laboral, a fuga aos impostos, mas é isso que faz funcionar a economia, o que não quer dizer que seja bom», salientou.

Estado pastoso: «um Estado que afecta 50% do PIB a despesa que não serve para nada»

O estado pastoso da nossa economia é o Estado, disse João César das Neves. «O Estado não se resume ao défice. A Europa preocupa-se com o défice porque tem um Euro para manter. O problema do Estado é afectar 50% do PIB a despesa que não serve para nada. O estado pastoso é a causa dos problemas que temos, porque distorce os efeitos imponderáveis».

Embora tenhamos melhores condições ao nível de infra-estruturas, reconheceu, «no que respeita a infra-estruturas sociais, como a educação, justiça e polícia, estamos deficitários», salientou.

João César das Neves finalizou deixando um recado aos empresários presentes, no sentido de se afirmarem como formadores de opinião. «É importante que os empresários percebam o impacto que podem ter na economia».

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