Célia Marques
cmarques@leiriaeconomica.com
Rui Marques
rmarques@leiriaeconomica.comO objectivo está definido: conseguir, em 2007, gerar receita operacional suficiente para cobrir os custos operacionais antes de amortizações, revelou José Benzinho, presidente da Leirisport, em entrevista ao Leiria Económica. Saiba ainda o que vai mudar no contrato com a União de Leiria e que medidas estão previstas para maximizar a receita do estádio.
O resultado de exploração do estádio é negativo em 1,1 milhões de euros, ou seja, não gera receitas suficientes (em bilheteira, bar e eventos) para cobrir, por exemplo, os custos do contrato com a União de Leiria, a limpeza e a vigilância. O “negócio estádio” é difícil de rentabilizar?Não é fácil. Há um mínimo de custos que temos de suportar e as receitas de bilheteira têm um caracter imprevisível. Numa infra-estrutura destas, precisamos claramente de aumentar as receitas. Temos conseguido trazer ao estádio eventos não desportivos, através da cedência de espaços, porque temos condições para isso. Este ano já tivemos 50 eventos, mais 50% do que na totalidade do ano anterior. A realização de concertos é outra possibilidade, mas não podemos fazer concertos todos os dias. Este ano não é ainda o ano da mudança, mas tenho esperança de conseguir melhorar um pouco os números.
Quando é que a Leirisport terá um resultado operacional positivo?Não temos planos estratégicos a quatro ou cinco ano. Estamos a navegar à vista, a fazer planos anuais. Leiria está em sétimo lugar a nível nacional, em termos de assistência aos jogos, embora uma ocupação de 13% seja muito pouco. Tudo depende das assistências aos jogos, até porque se cativam mais facilmente anunciantes se tivermos um maior número de pessoas no estádio. Mas o nível das assistências não é um problema só nosso, verifica-se a nível nacional.
As piscinas geram, mesmo a “preços sociais”, quase o mesmo nível de receita do que a bilheteira do estádio (965 mil euros face a 1,177 milhões de euros em 2005). Há um grande desequilíbrio, atendendo aos volumes de investimento em causa. Como se justifica?A assistência aos jogos é, com certeza, um factor. As piscinas têm uma utilização diária, assim como o parque de campismo, dentro da sazonalidade. Por isso investimos 600 mil euros na melhoria das infra-estruturas do parque de campismo do Pedrogão e iremos investir mais, numa segunda fase, em novos balneários e edifício de restaurantes.
Quanto vão investir?Ainda não está estimado.
Porque é que o imobilizado em curso referente às piscinas será transferido para o activo da Câmara, ao contrário do que aconteceu com a infra-estrutura do estádio, que é pertença da Leirisport?É uma opção política da Câmara: temos a gestão das infra-estruturas, mas não a sua propriedade, excepto o estádio, do qual temos o direito de exploração durante 99 anos. Se ao fim desse período a Câmara não renovar o direito de superfície, o estádio pertence-lhe. O mesmo acontece se a Leirisport se extinguir. O proprietário do terreno, ou seja a Câmara, beneficia das melhorias que lhe foram feitas, embora tenha de pagar a infra-estrutura pelo seu justo valor. É o que está previsto no direito de superfície aprovado pela autarquia em 2002.
«Temos de avançar para todas as áreas, encontrar clientes a preços de mercado» O que está previsto para maximizar a receita da Leirisport? Que áreas se mostram mais rentáveis?Temos de avançar para todas as áreas: encontrar clientes, a preços de mercado, para os horários mortos dos pavilhões; ceder o parque de campismo, no período em que está encerrado, para realização de festas; optimizar a utilização das piscinas em determinados horários; trazer as reuniões das empresas para o estádio, assim como as festas de aniversário dos miúdos, permitindo, por exemplo, que façam um pequeno jogo no estádio.
O potencial está identificado?Falta passar a mensagem aos eventuais interessados e por isso iremos ter uma pessoa a visitar as escolas, que são uma das nossas prioridades. Em relação aos eventos de empresas, o importante é virem a primeira vez, porque depois já percebemos que voltam. Temos uma empresa que vai fazer a sua festa anual para 600 colaboradores, mas só precisa do espaço, porque traz o catering. É este tipo de flexibilidade que temos de oferecer.
A Câmara Municipal é um bom cliente na realização de eventos. Em 2005 foi responsável por 28% de uma receita total de 96,2 mil euros...Também tem feito alguma coisa, pagando a preço de mercado. Mas o peso relativo da Câmara nos eventos tem vindo a diminuir, porque temos vindo a alargar o leque de clientes.
Concertos: «agora dominamos melhor o negócio»Os concertos são rentáveis?Nos dois que fizemos ganhámos dinheiro e também serviu para dominarmos melhor este negócio. Temos maior noção dos custos que envolve, com a protecção do relvado, das pistas e com toda a logística. O sucesso depende de muitos factores, sobretudo de quem trazemos. Está previsto um concerto numa base anual, após término do campeonato, embora concertos como o de Martinho da Vila se possam fazer todo ano, porque a disposição adoptada só obriga a proteger as pistas.
Em 2005, venderam-se 28.606 bilhetes, emitiram-se 29.544 convites e registaram-se 58.150 espectadores, o que representa uma ocupação de 13%. O que vai ser feito para melhorar estes números?O novo quadro de relacionamento com a União de Leiria passa por ai: trazer mais pessoas por via do alargamento da base de sócios. Cedemos o anel poente à UDL. Passa a ser gerido pelo clube e esperamos que tragam mais sócios. Os preços são convidativos, mas a liga impõe um limite mínimo de cinco euros, embora não impeça que ofereçamos bilhetes, o que é um contra-senso. Vamos ter acções específicas para cada clube. Estão previstos alguns incentivos para virem ao estádio.
UDL: novo contrato corrige o desequilíbrio na partilha de riscoO contrato com a UDL pressupõe um montante fixo de meio milhão de euros e uma componente variável em função da receita de bilheteira, que têm, no entanto, um valor mínimo de 400 mil euros. O novo quadro de relacionamento com a UDL vem alterar esta realidade?Mais pessoas no estádio vai significar mais receita para a UDL, ou seja, a componente variável passa a ser, de facto, variável. A percentagem é um pouco maior, mas é indexada à receita efectiva de bilheteira. No final o montante pago à UDL até pode ser parecido, mas a filosofia do contrato alterou-se completamente. Há um maior incentivo ao envolvimento do clube no esforço de captação de receitas. Corrigimos a crítica que era apontada pelo Tribunal de Contas ao contrato, ou seja, o desequilíbrio na partilha de risco.
Quando teremos novidades?Está assinado o acordo de base para o novo contrato. Dentro de uma a duas semanas será público. [entrevista realizada a 7 de Setembro]
A Leirisport vai abrir um concurso para a exploração dos restaurantes. Para quando está previsto e quanto prevê encaixar com essa concessão? O processo atrasou-se. No restaurante VIP falta-nos a última vistoria. É um restaurante que tem garantia de negócio, porque lhe podemos atribuir o catering dos jogos. O restaurante da piscina já foi colocado no mercado, mas não houve procura, não sei se devido ao valor, ou ao momento do mercado. Mas está pronto a ser colocado de novo e admito que possamos rever o valor. Mais do que um montante fixo, vou propor um valor de incentivo no primeiro ano, que subirá nos seguintes. Os das piscinas devem estar a concurso, no mercado, em Outubro. Quanto ao restaurante Nascente, está mais atrasado. A receita do primeiro ano será marginal. No global, estaremos a falar de 175 a 200 mil euros.
«O estádio não tem hipótese se não aumentar receitas, porque há um mínimo de custos que temos de suportar»Com as medidas previstas, já é possível que em 2006 a Câmara seja responsável por menos de 53,6% da receita total da Leirisport, isto atendendo apenas às indemnizações compensatórias*?A dependência em relação a indemnizações compensatórias vai ser menor e só não desce mais porque também nos foi atribuída a gestão de mais espaços pertencentes à autarquia. Temos de aumentar as receitas por outro lado. O estádio não tem hipótese se não aumentar receitas, porque há um mínimo de custos que temos de suportar.
Em 2005, os custos com pessoal subiram 0,07%, os Fornecimentos e Serviços Externos (sub-contratos, energia, limpeza, vigilância...) 6,46%. O que podemos esperar em 2006? Quais são as previsões de poupança e em que rubricas? Estimamos menos 500 mil euros de Fornecimentos e Serviços Externos, resultado da descida dos custos com energia, segurança, limpeza e telecomunicações. Mas é difícil fazer estimativas, porque quando as fazemos ainda não sabemos onde se vão realizar os jogos. É por esse motivo que estamos a ponderar fechar contas no ano económico e não no ano civil.
Já é possível avançar com previsões de facturação e resultados para a empresa na sua totalidade total? E o resultado de exploração do estádio, vai melhorar? A facturação prevista para a empresa em 2006 é de 2.167.671 euros, sendo que 1.637.209 euros são imputáveis ao estádio. De acordo com as previsões apresentadas, o resultado líquido irá ser negativo em 1.124.453 euros. O resultado de exploração da empresa será, provavelmente, negativo, mas inferior ao de 2006. Se a empresa chegar a 2007 com um cash flow positivo, ou seja, com proveitos operacionais suficientes para cobrir os custos operacionais antes de amortizações, fico satisfeito. O objectivo estratégico Leirisport é apresentar cash flows operacionais, no mínimo, nulos. Quanto ao estádio, que representa uma das 12 infra-estruturas geridas pela empresa, prevê-se que os seus resultados de exploração sejam sempre positivos apesar de modestos.
*Indemenizações compensatórias: um valor que inclui a cobertura do défice de exploração, compensação por utilização do espaço por entidades; compensação de preço; actividades e contratos-programa do estádio.
Leirisport regista prejuízo de 4,054 milhões de euros em 2005A Leirisport tem a seu cargo a gestão do Estádio Municipal, de três piscinas municipais, cinco pavilhões desportivos e do Parque de Campismo da Praia do Pedrogão. A infra-estrutura estádio está inscrita no activo da Leirisport, enquanto as restantes infra-estruturas são pertença da câmara.
As receitas advêm, essencialmente, das bilheteiras, bares, programas de actividades e cedência de espaços para a realização de eventos.
Aspectos a salientar na Demonstração de Resultados de 2005Custos: - A infra-estrutura do estádio, que amortiza a uma taxa constante durante um período de 99 anos, representa um custo anual superior a 1,5 milhões de euros, a que se somam 500 mil euros relativos a amortizações de equipamentos.
- O contrato firmado com a União Desportiva de Leiria apresenta uma componente fixa de 500 mil euros e uma variável, em função das receitas de bilheteira, embora com montante mínimo de 400 mil euros. Tudo somado ascendeu, em 2005, a mais de um milhão de euros.
- Os juros suportados com empréstimos bancários cifraram-se em pouco mais de um milhão de euros, um valor que respeita, na sua maioria, a empréstimos contraídos para financiamento da obra do estádio.
- Os custos com pessoal subiram 0,07%, para 1,282 milhões de euros, nos quais se incluem 95,2 mil euros relativos aos membros do Conselho de Administração (o que compara com os 118, 4 mil euros do ano anterior).
Em causa estão os salários de 13 colaboradores na sede, 14 no estádio, 10 comuns e 12 nas piscinas de Leiria
- Os Fornecimentos e Serviços Externos subiram 6,46% para os 2,937 milhões de euros, com destaque para as variações nas rubricas de:
- Subcontratos: 1,194 milhões de euros (+35%)
- Limpeza: 348 mil euros (+ 4,46%)
- Honorários: 74 mil euros (+153%), uma subida justificada, no Relatório e Contas, com a entrada em funcionamento das Piscinas de Leiria.
- Trabalho Especializados: 152,2 mil euros (-35,35%)
- Seguros: 117,4 mil euros (-20,57%)
- Vigilância: 284,6 mil euros (-4,6%)
Receitas:Prestações de serviços: 3,102 mil milhões de euros (-23% face a 2004), destacando-se:
- Bilheteira do estádio, piscinas e parques de campismo: 754,9 mil euros (-22,8%)
- Cedência de espaços nas piscinas, pavilhões e estádio: 209,5 mil euros (+ 60,7%)
- Indemnizações compensatórias da Câmara: 1,774 milhões de euros, o que representa 53,46% da receita total, embora tenha descido 11,35% relativamente ao ano anterior. As indemnizações compensatórias incluem a cobertura do défice de exploração, compensação por utilização do espaço por entidades; compensação de preço; actividades e contratos-programa do estádio.
Endividamento - O passivo da Leirisport ascendia, no final de 2005, a 88 milhões de euros, mas 55,5 milhões de euros respeitam a suprimentos do accionista único da Leirisport (a Câmara Municipal de Leiria) que deram entrada o ano anterior e que irão passar para a rubrica de capital próprio. O aumento de capital teve como objectivo reduzir a exposição ao endividamento.
- Do total de dívidas de curto-prazo, mais de 33 milhões de euros, 16,6 milhões respeitam a bancos, 1,5 milhões a fornecedores, 3,4 adiantamentos de clientes e 3,9 fornecedores de imobilizado.
Consulte aqui o
Relatório e Contas de 2005 da Lerisport