Entrevistas  
(este artigo tem 1 comentário) Leonel Costa – Administrador da LN Moldes e presidente da CEFAMOL
«O diferencial com a China tende a atenuar-se»
25 Ago. 06


Principais mercados da LN Moldes: Alemanha, França, Espanha, Inglaterra e EUA
Exportações: 85% da facturação

Célia Marques

(Entrevista publicada na Revista Leiria Global, editada pelo Jornal de Leiria e publicada a 29 de Junho de 2006, com o JL e Diário Económico)


Fundou a LN Moldes e assume, actualmente, a presidência da Associação Nacional da Indústria de Moldes (CEFAMOL). Em entrevista à Leiria Global, Leonel Costa conta como começou a sua ligação ao mundo dos moldes e como tenciona responder aos actuais desafios da indústria. De si, enquanto presidente da CEFAMOL, não podem esperar-se «milagres», afirma.

Como começou a sua ligação ao mundo dos moldes?
Tirei o curso de mecanotecnia e dediquei-me à mecânica de precisão. Iniciei a actividade como empresário em 1983, com trabalho em regime de subcontratação para a indústria de moldes. Nessa altura, alguns empresários deram-me oportunidade de fazer moldes completos e resolvi procurar pessoas com conhecimento na área para trabalhar comigo. Contei com o apoio do Sr. Arnaldo Matos, da firma Molde Matos, e de um tio que tinha uma empresa de injecção de plásticos, com a qual também trabalhava.

O espírito empreendedor resultou de herança familiar?
Herdei do meu pai a vontade de vencer, o empenho profissional e o sentido de responsabilidade. No que respeita a organização e conhecimentos de mecânica, encaminhou-me para uma determinada forma de organização. Era uma pessoa com muito conhecimento, mas até fui eu que o incentivei a avançar para a vida empresarial, o que viria a fazer pouco depois de mim. Curiosamente, foi na garagem dele que tudo começou. Tinha um torno mecânico e comecei a executar peças para máquinas que ele utilizava na sua actividade. O meu sogro era empresário, eu gostava de mecânica e a minha mulher incentivou-me no sentido de ter autonomia profissional. Foi o resultado de um conjunto de factores.

Quando fundou a empresa tinha noção da função social de uma organização?
Comecei sozinho e confesso que não pensei nisso. Era muito jovem e procurava sobretudo independência e alguma autonomia de decisão. Com o tempo vão-se adquirindo conhecimentos que nos encaminham numa perspectiva diferente.

«O cenário não é pessimista, mas também não se pode dizer que seja fácil.»

Quais são os factores diferenciadores da nossa indústria de moldes e que desafios enfrenta actualmente?
A indústria de moldes é reconhecida internacionalmente. Os empresários sempre souberam transportar essa imagem e devem continuar a ter a mesma postura. Hoje confrontamo-nos com desafios mais exigentes, aos quais temos de responder com mais agressividade. Os fabricantes de moldes têm de pensar que estão na Europa, mas num mercado mais global, e têm de apostar na qualidade, no preço e ser ainda mais rápidos. A flexibilidade humana, o prazo e o serviço, são também muito importantes. Temos know how que nos permite enfrentar os desafios e continuar a ter capacidade exportadora. O cenário não é pessimista, mas também não se pode dizer que seja fácil.

Qual deve ser o posicionamento do governo nesta área?
O governo deve cooperar com as empresas e associações, no sentido de ajudar a encontrar ferramentas que nos permitam continuar no mercado de uma forma honesta e superar, com sucesso, as pressões com que estamos a ser confrontados. Temos tido sempre por parte da Tutela um apoio importante no que respeita à formação participação em feiras, missões e divulgação da indústria de moldes portuguesa além fronteiras. É cada vez mais difícil às empresas ter capacidade financeira para, por si só, responder a determinados projectos, resultado dos modelos de negócio que os clientes impõem.

«Agora fala-se mais em capital mútuo.»

Era importante difundir o capital de risco nesta indústria?
Já se falou muito nisso. Agora fala-se mais em capital mútuo. Penso que pode ser um grande contributo no sentido de ajudar as empresas a ter maior facilidade em trabalhar com os novos modelos de negócio. Estão algumas negociações em curso neste sentido.

Alguns empresários ameaçam subcontratar a execução de moldes a empresas que ainda não tenham adoptado o sistema de certificação de qualidade, para se poderem aproximar dos preços praticados pelos chineses. Como comenta?
Somos uma indústria com características positivas e é dessas que devemos retirar vantagens. Não podemos trabalhar só pelo preço. Temos de pensar no conhecimento, tecnologia, qualidade, formação, nas universidades e nos centros tecnológicos.

A China pode ser encarada como uma oportunidade nesta indústria?
Em nichos de mercado e áreas muito específicas e para empresas que possam vir a fixar lá a sua produção em parceria.

«A China já começa a enfrentar problemas de mão-de-obra»

Tem projectos nesse sentido?
Neste momento não. Mas falando em termos de associação nacional de moldes, acompanhamos as congéneres chinesas e apercebemo-nos do enorme crescimento que ali se verifica. Somos confrontados com legislação de trabalho e ambiental completamente diferente e com um Estado que apoia muito as empresas. No entanto, a China já começa a enfrentar problemas de mão-de-obra, devido à sua elevada rotatividade, pelo que se prevê que os salários devam começar a subir. Acrescendo os elevados custos de transporte, devido à subida dos preços dos combustíveis, penso que o diferencial que agora existe tem tendência a atenuar-se.

O que é que os empresários podem esperar de si enquanto presidente da CEFAMOL?
Milagres não. Vamos centrar a nossa actividade em acções como a divulgação da imagem de Portugal além fronteiras, criando um slogan forte. Indagar da possibilidade de fortalecer a cooperação entre os intervenientes da indústria, promovendo o diálogo e trazendo os empresários a participar mais na associação, é outro dos objectivos. Depois, a componente da formação, recolha de informação sobre os mercados e áreas de negócio em crescimento. Enfim, fazer uma campanha de imagem ainda mais forte.

«A cooperação pode dar-se criando, por exemplo, uma central de compras»

As empresas de moldes têm uma tradição de cooperação. É uma questão de capacidade de resposta quantitativa ou complementam-se no processo produtivo?
Sempre cooperaram, mas quando a cooperação envolve euros fica tudo mais complicado e não é a CEFAMOL que vai actuar ai, embora possa promover um ambiente propício. A cooperação pode dar-se criando, por exemplo, uma central de compras para aproveitar sinergias e conseguir preços mais vantajosos.

A CEFAMOL consegue fazer-se ouvir junto de quem decide?
Os políticos costumam utilizar a indústria de moldes como exemplo. Isso quer dizer alguma coisa. Temos a felicidade de ter uma relação muito próxima com a Tutela, o que muito estimamos e à qual queremos dar continuidade.




Investimento para aumentar a componente de montagem

A LN Moldes tem em curso projectos de investimento para substituição de alguns equipamentos. O objectivo para por «aumentar a componente de montagem em algumas áreas específicas», justifica Leonel Costa. A empresa tem ainda em curso uma «reorganização interna, ao nível da melhoria de processos», que se deverá traduzir na manutenção da performance da empresa face ao ano anterior. Já em 2005 a LN Moldes manteve os rácios dos anos anteriores, «embora sem o crescimento esperado devido ao factor cambial com os Estados Unidos», explica Leonel Costa.

A LN Moldes posiciona-se em segmentos de mercado como o automóvel, farmacêutico e médico, «não apenas como fabricante de moldes, mas como fornecedor de «pequenos conjuntos completos», explica Leonel Costa, adiantando ser nessa área que a empresa precisa de ganhar capacidade. Quanto a mercados, destaca-se o alemão, francês, espanhol, inglês americano, embora «estejam sempre à procura», salienta.
Comentárioscomente este artigo
Silvério Figueiredo Fortes
Da presidência  de qualquer organismo deve esperar-se isenção e transparência.

Não apenas mais um ponto a seu favor para fazer Promoção Pessoal e Pressão junto das Entidades Governamentais.

Obtendo  para a sua empresa dividendos, através das suas intervenções e contactos que o cargo lhe proporciona.

É a leitura  que se tem tido tido Antes e Após tomada de posse do Sº Leonel Gomes.

De todos os artigos que relatou e intervenções efectuadas enquanto Representante Da Indústria de Moldes,

Não fala de Conceitos e Ideias que Espontem e Desenvolvam  e ajudem a Melhorar esta mesma Indústria que, é do Conhecimento Geral, está como todas as outras em Dificuldades (Viver Com Globalização).

Não Fala de Comprar e Negociar Aços, Ferramentas, e todo o Tipo de Periféricos Consumíveis para o Sector.

Não fala de Financiamento Bancário, ao Sector.

Acordos com Instituições Públicas na Área do Ensino: Formando Quadros necessários ao Sector.

Identificar Alternativas, às necessidades dos Produtores do Sector, para serem Desenvolvidos com Cobertura Governamental.

Para que as Empresas tenham as mesmas Oportunidades.

Marketing à Indústria, Objectivo nos Sectores de Ponta que mais necessidades têm da nossa Indústria, Fortalecendo a nossa Posição Enquanto Fornecedores,

Questionar a Auto Europa porquê? só 5% dos Moldes utilizados São de Fabrico Português (Volume de Compras).

Isto são apenas algumas das questões que me ocorre no momento para destacar.

Desde já saliento que não respondo ao desafio de criticar, mas sim de vos chamar à  realidade num Mundo Globalizado, Que segundo o que se tem visto e presenciado,

os Valores da Génesis, não se enquadram nesta nova Realidade.

Humildade, Honestidade, Solidariedade, nesta Nova Ordem foram eliminados, dando lugar a outros, onde impera,  Arrogância, Prepotência, Vaidade, Ostentação

e na Maioria dos Casos, havendo como em tudo excepção, são chamados de Sucesso.

Se identificam Objectivos, e se utilizem meios desleais para atingir esses Objectivos.  

Termino a minha leitura da vossa publicação, com a Esperança que fiz uma leitura  incorrecta e que o Futuro nos mostre um Líder para Defender, Unir e  Fortalecer,

e nas campanhas de  Marketing no Estrangeiro nos Orgulhe de MOLDES PORTUGAL.
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 Foto: Ricardo Graça
«Não podemos trabalhar só pelo preço. Temos de pensar no conhecimento, tecnologia, qualidade, formação, nas universidades e nos centros tecnológicos.»
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