A cooperação na produção de etanol representa uma grande oportunidade de negócio para Brasil e Portugal e o tema estará em destaque na visita do primeiro-ministro português, afirmou hoje o presidente da Agência de Promoção de Exportação (Apex), Juan Quirós.
«Portugal não pode ficar fora desta grande oportunidade. Os empresários portugueses já investiram muito no sector energético no Brasil e agora chegou a hora do etanol», disse à Agência Lusa, adiantando que os dois países deverão definir estratégias para desenvolver a produção de etanol nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), onde o solo e o clima apropriados favorecem a produção da cana-do-açucar e a cooperação triangular nesta área.
Sobre o etanol
O etanol é o álcool mais comum. Trata-se de um composto orgânico obtido através da fermentação de substâncias amiláceas ou açucaradas, como a sacarose existente na cana-do-açucar.
É utilizado como combustível automóvel, bem como na produção de energia eléctrica, bebidas alcoólicas e em diversas aplicações na indústria química e farmacêutica. Enquanto fonte de energia renovável, e alternativa ao petróleo, a importância do etanol sai reforçada face à escalada dos preços do petróleo para valores nunca antes vistos. Nos EUA, a mistura etanol-gasolina (24 a 26% de etanol), corresponde a 8% do mercado de combustível, enquanto no Brasil 43% dos automóveis utilizam a mistura como combustível.
Portugal na mira de investidores brasileiros
Apesar de Portugal não estar na lista dos principais destinos do investimento brasileiro no exterior, o país já foi escolhido por alguns grandes investidores do Brasil: Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), que passou a controlar a Lusosider, a Marcopolo, a Weg Motores e a participação da Embraer no consórcio AirHolding, em associação com o consórcio europeu EADS, que adquiriu 65 por cento das OGMA.
Quanto aos investimento português no Brasil, poderá vir a intensificar-se, especialmente em áreas de infra-estrutura, no âmbito das Parcerias Público-Privadas (PPPs) lançadas pelo governo brasileiro para incentivar a criação de 'joint-ventures'.
Na opinião do presidente da Apex, os empresários portugueses devem «olhar o mercado brasileiro como nicho» e vice-versa, para que as oportunidades de negócios entre os dois países sejam ampliadas.
«Quem tem muitas prioridades, não tem nenhuma», assinalou., lembrando que a Apex e o Icep (Investimento Comércio e Turismo de Portugal) estão aptos a ajudar os empresários brasileiros e portugueses interessados em investir.
Brasil: comércio e investimento externos em números
No primeiro semestre deste ano as exportações portuguesas para o Brasil subiram 26,5% em relação ao período homólogo de 2005, para os 105,7 milhões de euros, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC),
Já as exportações brasileiras para Portugal aumentaram 80% para 566 milhões de euros, puxadas principalmente pelo petróleo. No entanto, em 2005, Portugal representou apenas 0,9% das vendas brasileiras ao exterior em 2005 e somente 0,3% do total das importações do Brasil.
Nos últimos dez anos, os portugueses investiram no Brasil, segundo estimativas do Icep, cerca de 10,9 mil milhões de euros. Já os investimentos brasileiros em Portugal, desde 1997, totalizam apenas 1,1 mil milhões de euros. |