Célia Marques
cmarques@leiriaeconomica.comA Adelino Duarte da Mota (ADM) – empresa de Pombal que se dedica à transformação de matéria-prima e pasta cerâmica para a indústria de cerâmica plana (pavimentos e revestimentos) – vai investir 7,5 milhões de euros na ampliação de uma das suas fábricas. A empresa pretende assim responder ao expectável aumento da procura no sector, resultado da instalação de empresas estrangeiras em Portugal, revelou a administração da ADM ao Leiria Económica.
Em causa está ainda o facto de alguns clientes planearem deixar de produzir pasta cerâmica para se dedicarem em exclusivo ao fabrico do produto final.
Com o investimento – que traduz a aquisição de um atomizador e de um moinho – a ADM passa a ter uma capacidade de produção mensal de 50 mil toneladas, face às actuais 40 mil.
A empresa tem ainda em curso a montagem da terceira turbina da estação de cogeração eléctrica instalada há sete anos, para fazer face à problemática dos custos energéticos, que representam uma significativa parcela dos custos de produção. A terceira turbina representa um investimento de 5 milhões de euros.
Os investimentos em curso contemplam também a ampliação da área de armazenamento de matéria-prima em seis mil metros quadrados, bem como um novo equipamento de medição de matéria orgânica, enxofre e carbono – único em Portugal – que permite um maior controlo da qualidade do produto.
O investimento de ampliação terá resultados visíveis já no exercício de 2007, com uma facturação prevista de 30 milhões de euros, o que representa um acréscimo de 25% face ao ano anterior. O objectivo passa por atingir os 35 milhões de euros em 2008.
Qualidade da matéria-prima e mão-de-obra atraem investimento estrangeiroO investimento estrangeiro previsto para a indústria da cerâmica plana é proveniente de Itália, Alemanha e Espanha, e vem tirar partido «da qualidade da matéria-prima e mão-de-obra especializada existente no sector em Portugal», revela a ADM.
Portugal – que é actualmente o 3º maior produtor de cerâmica plana da Europa (a seguir a Espanha e Itália) – conquista assim fortes probabilidades de passar a ocupar o segundo lugar do ranking.
Segundo a administração da ADM, «a indústria de cerâmica plana goza de boa saúde», com a queda no sector da construção de habitação nova «a ser compensada com o mercado da reconstrução e com a conquista de algum espaço às rochas ornamentais».
Os produtores de cerâmica plana refugiam-se ainda no mercado externo, para onde canalizam entre 80 a 90% da produção, sobretudo para países da União Europeia, Estados Unidos, estando também a iniciar exportações para Angola.
Domínio do processo produtivo a montanteSegundo a administração, os factores de competitividade da Adelino Duarte da Mota assentam no facto de dominar o processo produtivo a montante, uma vez que a empresa detém e controla as matérias primas.
A demora nos licenciamentos representa o maior factor crítico na gestão da empresa, resultado de «Planos Directores Municipais criados há 16 anos, que se encontram totalmente desajustados da realidade», adianta.
Pioneirismo na extracção de argila por meios mecânicosO primeiro marco de viragem na Adelino Duarte da Mota aconteceu na década de 60, com a mecanização da extracção de argilas, quando uma máquina permitiu fazer o trabalho de 120 pessoas. A empresa foi pioneira em Portugal na extracção de argila por meios mecânicos.
O segundo viria a verificar-se na década de 90, quando a ADM passou a fabricar pasta pronta para o fabrico de azulejo e pavimento, um produto de maior valor acrescentado, que representa hoje a grande mais valia da empresa.
Ponto forteAs reservas de matéria-prima que possui.
Ponto FracoO facto de estar a montante da indústria cerâmica e desta poder faltar em Portugal.
OportunidadeInvestimento estrangeiro na cerâmica plana em Portugal e a possibilidade do país se transformar no segundo maior produtor europeu deste tipo de cerâmica.
AmeaçaCusto do gás natural.